domingo, 30 de novembro de 2014

#ViagemparaFilipinas 3

Khalil* mora na cidade de Zamboanga. Um ano atrás, em 9 de setembro, a facção renegada da Frente de Libertação Nacional Moro (FMLN, sigla em inglês), um grupo separatista islâmico, colocou a cidade sob ameaça. Em 28 de setembro o governo filipino declarou o fim do conflito. Em seu terceiro e último relato, Khalil examina se a batalha realmente terminou
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A cidade de Zamboanga ainda recupera-se da enorme devastação provocada pelo cerco dos rebeldes no ano passado. Muitas famílias deslocadas internamente não querem se mudar para os locais temporários. Elas exigem que o governo lhes permita voltar para suas casas e vilas. O problema é que a prefeita Maria Isabelle Clímaco-Salazar tem outros planos.

O governo da cidade revelou o Roteiro para a Recuperação e Reconstrução de Zamboanga ou o Plano Z3R. Algumas áreas nas aldeias seriam transformadas em reflorestamentos de manguezais e uma parte em destacamento militar para evitar quaisquer futuros ataques. Isso forçará muitos moradores a encontrarem outras vilas para se estabelecerem.

Como a maioria das famílias deslocadas, algumas das quais eu conheço pessoalmente, são de pescadores e vendedores de peixe, encontrar uma nova fonte de renda tem sido um desafio. O governo lançou muitos programas de alfabetização e treinamentos de meios de subsistência, mas os efeitos ainda não têm sido vistos.

Em agosto de 2014, o escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou que 158 pessoas morreram de várias doenças devido às condições miseráveis nos centros de evacuação. A desnutrição é elevada entre as crianças que vivem em muitos locais de reabilitação. As agências governamentais e organizações não governamentais lançaram missões e programas de alimentação e médico-odontológico. O número de pessoas que morrem após o conflito pode superar as perdas durante o conflito se a situação não melhorar nos centros de evacuação e de reabilitação.

A necessidade de ajuda humanitária foi avaliada em 7 ou 8 milhões de dólares, mas o governo recebeu apenas uma pequena fração deste valor. Poucas semanas após o cerco, um terremoto abalou a região Visayas Centrais e o Tufão Haiyan inundou o conjunto de ilhas Eastern Visayas, nas Filipinas. O país inteiro estava em choque e a cidade de Zamboanga se transformou em uma crise esquecida.

Residentes indiretamente afetados ainda estão em estado de alerta, já que rumores de um segundo ataque do MNLF estão se espalhando por meio de mensagens de texto. O governo pediu ao público para parar de encaminhar essas mensagens, dizendo que elas apenas semeiam o medo entre os moradores. As autoridades também asseguraram ao público que mantêm a situação sob controle e que a polícia e os militares estão verificando os rumores.

Eu oro para que a cidade de Zamboanga possa renascer das cinzas e da fumaça da guerra. O governo local lançou uma campanha para reavivar os espíritos – cristãos e muçulmanos – e até mesmo as pessoas de fora. A campanha de “reconstruir uma melhor Zamboanga” promete trazer esperança para a cidade que foi dilacerada pelos conflitos. As famílias deslocadas internamente estão ansiosas para verem suas casas recém-construídas onde podem recomeçar sua vida. Todos esperam pelo dia em que poderão dormir e acordar em paz novamente.

A esperança não está perdida. Eu vi brilhos dela mesmo nas áreas mais difíceis. O povo de Deus – sua Igreja – compartilha do pão e do tempo, mesmo que tenha passado pelos mesmos horrores, a mesma luta diária e a mesma dor persistente. Eu os vejo investir tempo em conversas com os mais aflitos e despertar neles a vontade de viver. Eles os guiam à verdadeira fonte de esperança e de paz, continuam a apontar a cidade de Zamboanga para o Príncipe da Paz, Jesus Cristo.

*Nome alterado por motivos de segurança.

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FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoTamires Marques

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