quarta-feira, 29 de abril de 2015

“Pessoas desaparecem todos os dias”

28 abr 2015ERITREIA

Eritreus e sírios são as nacionalidades mais comuns encontradas entre aqueles que se arriscam na travessia marítima do norte da África para a Europa
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Entre os 800 imigrantes que se afogaram quando seu navio naufragou na costa italiana, havia cerca de 150 da Eritreia.
O jornal The Guardian publicou um artigo no qual se refere a muitos refugiados eritreus não como são chamados comumente, de "migrantes económicos", mas pessoas que estão desesperadas pela liberdade. "Na Eritreia as pessoas têm medo até de falar com a própria família," disse Sofia ao repórter. "A pessoa ao meu lado [em um café] pode ser um espião, e estar olhando para o que eu estou fazendo. Pessoas desaparecem todos os dias."
Ela conta uma história arrepiante de como uma amiga cometeu o erro inocente de puxar conversa com um homem em um café que mais tarde acabou por ser da embaixada da Líbia. "Eles estavam apenas conversando. Mas disseram que ela era uma espiã, passando informações para ele. Nós não sabemos o que aconteceu com ela. Ela está na prisão até agora. Um dia eles nos disseram que ela estava no hospital com pressão arterial alta, mas estávamos com tanto medo que nós não fomos visitá-la porque temíamos que eles nos prendessem também. "

A Eritreia ocupa o 9º lugar na Classificação da Perseguição Religiosa. A "Frente Popular para a Democracia e Justiça" exerce um controle absoluto sobre seus cidadãos, incluindo a sua vida religiosa. Todos os grupos religiosos devem ser registrados. Os cristãos são considerados uma ameaça para o Estado; suas casas são atacadas, e eles são torturados, espancados e presos em condições horríveis. Alguns são detidos em contêineres de metal em altas temperaturas.
Uma mulher cristã que foi presa por seguir a Jesus, foi colocada em uma pequena cela com outras 55 mulheres.
"Estávamos tão amontoadas dentro da cela, que não poderíamos sentar corretamente, e muito menos nos deitar para dormir", disse ela à Portas Abertas. "Fomos forçadas a trabalhar longas horas sem descanso. Meu comandante imediato foi especialmente cruel."
"Em um sonho, uma noite, me vi lutando com um homem muito forte e eu o derrotei. No sonho, eu estava surpresa com a minha força e me perguntei como eu tinha conseguido derrotá-lo."
Um colaborador da Portas Abertas nos disse: "A nossa oração é que a Comissão de Inquérito traga uma maior consciência da situação de eritreus em geral, e os cristãos em particular, e ajude a promover a mudança para os nossos irmãos e irmãs no país. Queremos ver os cristãos terem liberdade para adorar nosso Senhor Jesus abertamente ".
FontePortas Abertas Internacional, The Guardian
TraduçãoAna Luíza Vastag

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