quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Os filhos mimados da teologia da prosperidade

Por que tais pessoas ficam completamente à mercê da carne e a libertação proporcionada pelo Sangue de Jesus Cristo, derramado na Cruz, parece algo distante?

O centro da vida cristã é Jesus Cristo, todavia a nefasta teologia da prosperidade insiste em colocar o ser humano e suas necessidades materiais ao centro, ou sejam, paixões, necessidades, egoísmos, dinheiro, bons empregos, casas, lindos carros, filhos perfeitos, boa família e tudo o que uma pessoa possa almejar como sendo portadora de uma vida feliz neste mundo. Ora, tais desejos ou necessidades são naturais a qualquer pessoa, mas para quem crer que Jesus Cristo é o Seu Único Senhor e Salvador, tais anelos deveriam ser uma consequência do relacionamento com Ele, não a causa. Contudo, para os filhos mimados da Teologia da Prosperidade, esta é a razão para estar em Cristo Jesus: Ledo engano!

Na vida dos filhos mimados da Teologia da Prosperidade há uma inversão de valores, isto porque a fé passa a ser supostamente "um cheque em branco" que Deus deixa na mão de seus filhos, que inocentemente - devido aos falsos ensinos que recebem - tornam-se "seguidores para serem servidos e não para servirem", contrariando vários princípios bíblicos.

Os defensores de tal Teologia pregam uma fé extravagante e distante do alvo que é Cristo e o estabelecimento do Reino de Deus, ao contrário do que a palavra nos ensina, onde a Noiva - Igreja - espera pelo Noivo Amado - Jesus Cristo, não o contrário.

Satanás vê nesta falsa vertente de fé a sua grande oportunidade de angariar proveito, garimpando ardilosamente neste terreno fértil, onde o alvo deixa de ser a fé salvífica. Então, pergunto:

O que acontece em muitas Igrejas que, agindo com dura cerviz, continuam a professar tal Teologia?

Ora, tudo o que possa impedir a pessoa de estar plenamente satisfeita é tido como "obra diabo", "a pessoa não tem fé porque não faz sacrifícios", "fulano está endemoninhado e por isto não consegue receber a sua bênção" e outras expressões do gênero, fortalecendo a posição espiritual de satanás e seus demônios, culminando com grotescos espetáculos de exorcismos que nunca têm fim!

Outra consequência clara é que os filhos mimados da Teologia da Prosperidade ficam completamente à mercê da carne e a libertação proporcionada pelo Sangue de Jesus Cristo, derramado na Cruz, parece algo distante, quase impossível de ser alcançada, não fosse a Obra de Regeneração proporcionada pela Pessoa do Espírito Santo!

Os filhos mimados da Teologia da Prosperidade vêem-se aprisionados neste círculo vicioso, perdendo a comunhão e a alegria de estar e viverem sob a Graça e a Soberania de Deus, pois enquanto seus lábios deveriam glorificar ao Senhor, passam o tempo "amarrando supostas armadilhas malignas e queixando-se dos problemas", esquecendo-se de que o Evangelho liberta e nunca amarra!

Assim, a Mensagem da Cruz, onde Jesus Cristo é o Remidor e Libertador, torna-se enganosamente insuficiente para fazer algo por tais filhos mimados, pois sutilmente aqueles lábios "entronizam Satanás", sem que tais pessoas percebam, transformando os desafios grandes demais para a fé delas e tornando-as magoadas e amarguradas.

Esta é uma triste realidade para muitos novos convertidos que deveriam ser ensinados a louvar e engrandecer a soberania de Deus, vivendo para Ele e o Seu trono firmado em seus corações!

ESTÁ ESCRITO NA PALAVRA DE DEUS:

"Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz ( I Pedro 2:9)".

"Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (João 16:33)" .

"Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos (Mateus 5:45)".

"Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim (João 14:1)" .

No Salmo 46 constatamos a fé perfeita. Medite:

Salmos 46:1: "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia".

Salmos 46:2: "Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares".

Salmos 46:3: "Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza".

Salmos 46:4: "Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo".

Salmo 46:5: "Deus está no meio dela; não se abalará. Deus a ajudará, já ao romper da manhã".

Salmos 46:6: "Os gentios se embraveceram; os reinos se moveram; ele levantou a sua voz e a terra se derreteu".

Salmo 46:7: "O SENHOR dos Exércitos está connosco; o Deus de Jacob é o nosso refúgio".

Salmos 46:8: "Vinde, contemplai as obras do SENHOR; que desolações tem feito na terra"!

Salmo 46:9: "Ele faz cessar as guerras até ao fim da terra; quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo".

Salmos 46:10: "Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra".

Por fim, deixo um versículo final para exortação aos filhos mimados da Teologia da Prosperidade, na esperança de que entendam que problemas, lutas, aflições, necessidades e sonhos todos os seres humanos têm, mas a nossa comunhão com Deus, em Cristo Jesus, está acima, infinitamente acima de tudo isto:

Tiago 4:3:

"Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites".

Com amor fraterno,

Pr. Ronaldo Didini

quinta-feira, 12 de março de 2009

Baixaria Brega do Brasil

O gosto do mal e mau gosto

MIGUEL REALE JÚNIOR

Programas como Big Brother indicam a completa perda do pudor, ausência de noção do que cabe permanecer entre quatro paredes. Desfazer-se a diferença entre o que deve ser exibido e o que deve ser ocultado. Assim, expõe-se ao grande público a realidade íntima das pessoas por meios virtuais, com absoluto desvelamento das zonas de exclusividade. A privacidade passa a ser vivida no espaço público.

O Big Brother Brasil, a Baixaria Brega do Brasil, faz de todos os telespectadores voyeurs de cenas protagonizadas na realidade de uma casa ocupada por pessoas que expõem publicamente suas zonas de vida mais íntima, em busca de dinheiro e sucesso. Tentei acompanhar o programa. Suportei apenas dez minutos: o suficiente para notar que estes violadores da própria privacidade falam em péssimo português obviedades com pretenso ar pascaliano, com jeito ansioso de serem engraçadamente profundos.

Mas o público concede elevadas audiências de 35 pontos e aciona, mediante pagamento da ligação, 18 milhões de telefonemas para participar do chamado "paredão", quando um dos protagonistas há de ser eliminado. Por sites da internet se pode saber do dia-a-dia desse reino do despudor e do mau gosto. As moças ensinam a dança do bumbum para cima. As festas abrem espaço para a sacanagem geral. Uma das moças no baile funk bebe sem parar. Embriagada, levanta a blusa, a mostrar os seios. Depois, no banheiro, se põe a fazer depilação. Uma das participantes acorda com sangue nos lençóis, a revelar ter tido menstruação durante a noite. Outra convivente resiste a uma conquista, mas depois de assediada cede ao cerco com cinematográfico beijo no insistente conquistador que em seguida ridiculamente chora por ter traído a namorada à vista de todo o Brasil. A moça assediada, no entanto, diz que o beijo superou as expectativas. É possível conjunto mais significativo de vulgaridade chocante?

Instala-se o império do mau gosto. O programa gera a perda do respeito de si mesmo por parte dos protagonistas, prometendo-lhes sucesso ao custo da violação consentida da intimidade. Mas o pior: estimula o telespectador a se divertir com a baixeza e a intimidade alheia. O Big Brother explora os maus instintos ao promover o exemplo de bebedeiras, de erotismo tosco e ilimitado, de burrice continuada, num festival de elevada deselegância.

O gosto do mal e mau gosto são igualmente sinais dos tempos, caracterizados pela decomposição dos valores da pessoa humana, portadora de dignidade só realizável de fixados limites intransponíveis de respeito a si própria e ao próximo, de preservação da privacidade e de vivência da solidariedade na comunhão social. O grande desafio de hoje é de ordem ética: construir uma vida em que o outro não valha apenas por satisfazer necessidades sensíveis.

Proletários do espírito, uni-vos, para se libertarem dos grilhões da mundialização, que plastifica as consciências.



Miguel Reale Júnior é advogado, professor titular da Faculdade de Direito da USP, membro da Academia Paulista de Letras.


Publicado no Jornal O Estado de São Paulo em 02/02/2009

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Poesia

Falai de Deus

Falai de Deus com a clareza
Da verdade e da certeza
Com um poder

De corpo e alma que não possa
Ninguém, à passagem vossa,
Não o entender.

Falai de Deus brandamente,
Que o mundo se pôs dolente,
Tão sem leis.

Deus com doçura,
Que é difícil ser criatura:
Bem o sabeis.

Falai de Deus de tal modo
Que por ele o mundo todo
Tenha amor.

À vida e à morte, e, de vê-lo,
O escolha como modelo
Superior.

Com voz, pensamentos e atos
Representai tão exatos
Os reinos seus

Que todos vão livremente
Para esse encontro excelente.
Falai de Deus.

Cecília Meireles.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Palavras de Fernando Pessoa

Há um tempo em que é preciso

abandonar as roupas usadas,

que já tem a forma do nosso corpo,

e esquecer os nossos caminhos,

que nos levam sempre aos

mesmos lugares.

É o tempo da travessia:

e, se não ousarmos fazê-la,

teremos ficado, para sempre,

à margem de nós mesmos.

Fernando Pessoa