sexta-feira, 31 de maio de 2013

“O Egito vive um momento crucial”, diz líder cristão copta

Será o extremismo religioso ou a tolerância que marcará o futuro do Egito? De acordo com o bispo Thomas, da diocese de El-Qussia e Mair no Alto Egito, uma "grande força" está levando o Egito rumo a um maior conservadorismo e extremismo religioso
Apesar de a maioria dos acontecimentos apontarem para o extremisto religioso, Thomas afirma também que acredita que o Egito possa desfrutar de um tipo diferente de transformação – rumo à verdadeira democracia, à igualdade de gêneros e à tolerância religiosa.
Durante um discurso em Londres, terça-feira (21/05), o bispo alegou que desde a deposição do presidente Hosni Mubarak, há dois anos, o Egito tem desfrutado de maior liberdade de expressão; "enquanto esta liberdade não for tirada, sempre haverá esperança", disse ele.
"Desde que a revolução aconteceu, o povo consegue falar, se expressar, o povo se atreve a dar sua opinião", contou Thomas. "E este foi um grande passo para a sociedade. O dia em que o Egito e o povo egípcio não conseguirem falar, eu perderei as esperanças. Mas eu acredito que este dia não chegará."
O aumento da tensão partidária e a violência entre a minoria cristã copta e a maioria mulçumana têm levado muitos cristãos a fugir do Egito. A World Watch Monitor, agência de notícias da Portas Abertas, informou em abril que, segundo algumas estimativas, milhares de cristãos deixaram o país desde a revolução de 2011.
Contudo, o bispo Thomas diz que espera que mais cristãos decidam-se por permanecer. "Sabemos que algumas pessoas estão migrando por causa da pressão, e isto é normal. São boas pessoas, muito bem instruídas, são os ricos. Mas eu gostaria de pedir a eles: ‘por favor, fiquem; precisamos de vocês agora’."
Para o bispo, o Egito é "um grande país em meio a uma grande confusão", uma vez que seus cidadãos têm de adaptar suas vidas sob o domínio de um novo governo. Apesar disso, ele afirma que a filosofia incorporada de coexistência e hospitalidade no Egito é outra razão para esperar um futuro melhor, uma vez que o país vive um momento crucial, diante de dois caminhos possíveis.
"Ou o Egito tomará o caminho de um extremo conservadorismo fundamentalista ou seguirá na direção de abertura e de uma sociedade civil", pontua. "O que vemos agora é que setores no Alto Egito não estão claramente definidos como cristãos ou mulçumanos. Nem tudo é preto ou branco; cristãos e mulçumanos estão trabalhando juntos."
"Há uma grande força conduzindo e impelindo a sociedade para o conservadorismo. Precisamos unir forças que conduzam à abertura e à sociedade civil", destaca Thomas. O Egito é uma nação que precisa de transformação, uma transformação na forma de três mudanças sociais – democracia, igualdade de gêneros e liberdade religiosa.
A democracia não significa o governo da maioria, comenta Thomas, é responsabilidade dos líderes do país garantirem que todos os membros da sociedade possam expressar-se livremente.
Para o bispo, igualdade de gêneros significa "o dia em que uma família do Alto Egito, em uma área muito pobre, tiver a mesma alegria em dar a luz à uma menina tanto quanto teria se desse à luz a um menino."
A sociedade machista do Egito deve ser transformada em uma sociedade igualitária quanto aos gêneros, disse ele. "Precisamos ensinar os homens a valorizarem as mulheres."
Ele conclui definindo que a liberdade religiosa significa uma transformação da inflexibilidade religiosa para a abertura espiritual: "Desculpe, eu sou um bispo. Não posso dizer que eu quero transformar a sociedade em uma comunidade secular, mas eu desejo que a sociedade respeite e esteja aberta à espiritualidade. Abertura é a palavra-chave para nós."
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoDaniela Cunha

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Bangladesh: islâmicos acusam cristãos de conversão forçada

A primeira-ministra afirma que a oposição usou reivindicações islâmicas para desestabilizar o governo. Em 2012, Bangladesh figurava na 49ª posição da Classificação de países por perseguição. Os cristãos enfrentam oposição de seus familiares e comunidade. A própria polícia os discrimina e os pastores são vítimas de ameaças e violência. Esse ano, porém, Bangladesh não entrou na Classificação*
No dia 17 de maio, a primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, declarou que o partido da oposição, Partido Nacionalista de Bangladesh (Bangladesh Nationalist Party - BNP), foi o responsável por uma conspiração para tirar o governo do poder através de violentos protestos que abalaram Bangladesh e foram liderados pelo grupo islâmico Hefazat-e-Islam (Protetorado do Islã).
"O partido da oposição tentou se utilizar do Hefazat para tomar o poder. Mas se há apoio público do povo ao nosso lado, nenhuma conspiração pode funcionar, seja ela nacional ou internacional," afirma.
Um líder do BNP alegou que a decisão da primeira-ministra de "banir" comícios políticos em Daca, no próximo mês, é uma manobra para preparar terreno para a imposição de um estado de emergência.
"Eles baniram os comícios e reuniões para reprimir a oposição. Tudo o que nos resta é impor um estado de emergência," declarou MK Anwar na segunda-feira, 20 de maio, enquanto a decisão de Sheikh Hasina recebia duras críticas, vindas até mesmo de seu próprio partido, a Liga Awami de Bangladesh (Awami League).
Um porta-voz do Hefazat-e-Islam prometeu uma trégua nos seus protestos em massa, mas continua acusando missionários cristãos de ter os pobres como "alvo" e "pressioná-los para que se convertam".
Após a prisão de três líderes do Hefazat no domingo (19 de maio), Maulana Ashraf Ali Nizampuri disse à World Watch Monitor, agência de notícias da Portas Abertas, que o grupo islâmico "não tem planos" de realizar outros protestos. "Muitos de nossos líderes têm sido presos e uma onda de medo tem atingido a todos, de forma que (já) adiamos uma greve nacional," diz.
Os três líderes Hefazat presos, em 19 de maio, foram acusados de assassinato, roubo e posse de explosivos depois de terem armado um cerco na capital Daca, em 5 de maio, onde morreram, pelo menos, 11 pessoas.
Human Rights Watch, organização com base nos EUA, declarou no dia 11 de maio que o número preciso de mortos é "incerto, com valores que variam de 22 mortes em todo o país, número oficial do governo, a milhares, segundo estimativa do Hefazat". Fontes independentes de notícias apontam um número de mortos de aproximadamente 50, incluindo vários agentes da lei.
Em abril, os ativistas do Hefazat organizaram o maior encontro político em décadas no país para publicar um estatuto com 13 pontos de reivindicações, incluindo a criação de uma lei referente a blasfêmias, a fim de punir aqueles que profanam o Islã e seu profeta Maomé.
Quatro blogueiros foram presos, em abril, por supostamente terem escrito conteúdos difamatórios e anti-islâmicos em seus blogs. De acordo com a lei vigente em Bangladesh, qualquer pessoa condenada por difamar a religião na Internet pode cumprir pena de até 10 anos.
O assunto dos blogs virou um problema, depois que um grupo de ativistas online tomou as ruas de Daca para exigir a pena de morte ao líder do Jamaat-e-Islami (o maior partido islâmico em Bangladesh), Abdul Kader Mullah. Ele havia sido condenado à prisão perpétua em 5 de fevereiro por assassinatos em massa, estupros, saques e outros crimes contra a humanidade durante a guerra de libertação de Bangladesh contra o Paquistão em 1971.
Antes do cerco em Daca, Sheikh Hasina deixou clara a posição do governo a respeito da proibição da conversão religiosa e outras reivindicações do Hefazat. "Em Bangladesh, todos possuem liberdade religiosa," declarou Hasina durante uma conferência de imprensa em sua residência oficial na noite antes do cerco.
A constituição de Bangladesh diz que todo cidadão tem o direito de "professar, praticar e propagar" qualquer religião, e toda comunidade religiosa ou denominação tem o direito de estabelecer, manter e gerir suas instituições religiosas.
Contudo, Hasina disse que a conversão forçada de uma religião para outra é um crime passível de punição por lei e salienta que o governo está monitorando as ações de organizações estrangeiras. "Os agentes da lei estão vigiando as ONGs (organizações não governamentais) que supostamente estão tirando proveito de pessoas pobres para a conversão", afirma Hasina.
No entanto, apesar de prometerem não realizarem mais protestos em massa, Nizampuri do Hefazat-e-Islam continua a acusar os missionários cristãos de terem as pessoas pobres como "alvo" oferecendo-lhes dinheiro para "pressioná-las" a mudar de religião.
"Os missionários cristãos não estão convertendo as pessoas à força," diz o Rev. Karmoker, secretário geral da National Christian Fellowship of Bangladesh. "É propaganda do Hefazat." Ele continua: "A conversão não é um evento em que os missionários dão dinheiro e as pessoas se convertem. É um processo longo. Quando a fé em Cristo cresce nas pessoas através de um longo processo de disseminação, quando declaram a fé em Cristo, só então é que vamos discorrer as formalidades de conversão. Se a conversão fosse feita à força provavelmente haveria um tumulto."
Sheikh Hasina tem exercido um governo secular, de maioria mulçumana, desde 2009. A declaração de Hasina a favor da implementação de reformas visando a liberdade religiosa foi outra razão para que Bangladesh fosse retirado da Classificação de países por perseguição (leia em seguida a primeira razão).
Dos 152,5 milhões de habitantes de Bangladesh, os mulçumanos perfazem 88% sendo a porcentagem restante uma mistura de cristãos (1%), budistas e hinduístas.
*Alterações nas posições da Classificação de países por perseguição de 2012 para 2013 não significam, necessariamente, uma melhora na perseguição religiosa; mas, sim, uma mudança na forma de classificar a perseguição. Em alguns lugares a perseguição religiosa é maior do que em outras nações, o que fez com que muitos países descessem ou desaparecessem do ranking sem que a hostilidade aos cristãos tivesse diminuído de fato.
FonteWorld Watch Monitor
TraduçãoDaniela Cunha

Para uma mudança verdadeira na China são necessárias quatro etapas

A perseguição religiosa tende a estar relacionada com o crescimento e o testemunho, e normalmente refina e fortalece a fé dos cristãos, não o oposto. O grande avivamento na China começou com a Revolução Cultural de Mao, em 1960
Durante anos, milhões de Bíblias foram contrabandeadas para a China. Hoje em dia, os tempos mudaram. Bíblias estão cada vez mais disponíveis e acessíveis, mas novos desafios estão surgindo em seu lugar. Reunir-se com um grupo de cristãos é um deles. Saber liderar uma igreja é outro. A Portas Abertas está crescendo com a Igreja chinesa. Isto significa que o foco do trabalho está sendo deslocado. A mudança no modo de funcionamento é resumida em quatro pontos.
Menos distribuição de BíbliasDezenas de milhões de Bíblias encontraram o seu caminho para a China nas últimas décadas. Na década de 1970 e 1980, a Portas Abertas fez isso em secreto, com o ápice sendo a entrega de um milhão de Bíblias durante o Projeto Pérola, em 1981. Mesmo depois disso, o anseio por Bíblias permaneceu. Agora, as coisas são diferentes. A Portas Abertas decidiu reduzir a escala de distribuição de Bíblias na China. Com a exceção de algumas áreas, não é mais necessário distribuir Bíblias e materiais de treinamento. Por um longo tempo, a China precisava dessa ajuda em particular, mas agora existem igrejas fortes o suficiente para assumir essas tarefas.
Investindo em exemplosNa fase de transição da Igreja chinesa para a maturidade espiritual, é necessária muita supervisão. A liberdade crescente oferece oportunidades, mas também desafios. O que é necessário para liderar uma igreja? A Portas Abertas está supervisionando uma série de congregações chinesas neste processo de se tornar uma igreja em situação de crescente liberdade. A Portas Abertas quer investir em igrejas e pessoas que possam servir como exemplos. Isso cria um efeito bola de neve: estes exemplos, por sua vez, fornecem suporte para os outros.
Fortalecendo as igrejas perseguidas mais severamente: as minoritáriasCristãos na China que ainda está enfrentando severa perseguição hoje são grupos minoritários. A perseguição ainda está sendo perpetrada por parte das autoridades, que querem evitar conflitos em áreas de minorias e querem mantê-las sob seu polegar. Os cristãos de grupos minoritários também são, muitas vezes, perseguidos por suas famílias, que não concordam com a sua decisão de se tornarem cristãos. A Portas Abertas quer particularmente se concentrar neles, com dois grupos minoritários específicos em mente: cristãos tibetanos e uigures. A Portas Abertas tem fornecido ajuda a essas minorias, encorajando-as, mas também, apoiando-as com ajuda prática, por exemplo, na criação de seus próprios negócios.
Estimular a missão em seu próprio paísEste é o maior desafio. Cristãos chineses querem evangelizar, mas quase imediatamente pensam em viagens missionárias para o Oriente Médio, enquanto que há muito a ser feito em seu próprio país! A Portas Abertas está encorajando os cristãos chineses que têm relativamente mais liberdade para apoiar os seus irmãos em seu próprio país e que enfrentam perseguição mais severa.

Em 2013, o tema do SHOCKWAVE - evento internacional organizado pelo underground, ministério de jovens da Portas Abertas, em que mais de 50 países se unem em oração pela Igreja Perseguida – foi a Igreja Chinesa. Abaixo, assista a um vídeo que explica esse grande avivamento pelo qual a Igreja na China passou:

FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoTamires Marques

Coreia do Norte: como orar por Kim Jong-Un e os cristãos secretos

Jan Vermeer, colaborador da Portas Abertas, acompanha de perto os eventos na península coreana. De uma perspectiva humana, ele não vê uma guerra iminente ("a menos que alguém cometa um terrível erro"), mas ele também implorou a Deus para não deixar isso acontecer. "Eu conheço muitas pessoas em ambos os lados da fronteira e não posso imaginar eles lutando entre si"
"Depois de pesquisar sobre a Coreia do Norte por muitos anos e conversar com norte-coreanos e observadores do país, tenho notado que o governo tem duas bocas", diz o autor de "Friends Forever", um romance sobre um jovem norte-coreano cristão. "Uma fala para o mundo exterior, a outra para o seu próprio povo, e existem diferenças marcantes no que elas dizem. Por exemplo, enquanto o governo norte-coreano continua fazendo ameaças à comunidade internacional, a própria população já está sendo motivada para a campanha agrícola. Aparentemente, os treinos de guerra pararam. Além disso, o regime diz repetidamente que os problemas econômicos da população irão logo acabar, mas eles nunca cumprem a promessa. O povo norte-coreano mais uma vez é desapontado. Na verdade, porque a Coreia do Norte não cumpriu as suas promessas nos últimos vinte anos, o amor pelo "Grande Líder" foi extinto. A grande maioria dos adultos norte-coreanos não acredita mais nas mentiras", afirmou Vermeer.

Isso faz com que viver na Coreia do Norte seja ainda mais complexo.  Vermeer continua: "Como posso começar a descrever o que é viver neste país? Imagine um lugar onde o Estado decide onde você mora, que profissão escolher, qual esporte você pratica, o alimento que você come e se você come. Imagine um país sem nenhuma cor em roupas e edifícios, exceto para as imagens de propaganda que decoram apartamentos de concreto, casas e monumentos. Imagine um país onde o Grande Líder morreu há 18 anos, mas ainda é presidente e onde seus seguidores famintos devem adorá-lo como um deus. É verdade que toda a população da Coreia do Norte está sofrendo, mas os cristãos são, definitivamente, os mais prejudicados. Agentes secretos são especificamente treinados para caçá-los e prender famílias inteiras".

Para os de fora, Deus muitas vezes parece não existir na Coreia do Norte, diz Vermeer. "Mas isso está longe de ser verdade. Eu entrevistei muitos refugiados norte-coreanos que ouviram a respeito de Deus na China, foram presos, enviados para uma prisão norte-coreana ou campo de trabalho e realmente descobriram Deus lá. Quando tudo desabou sob seus pés, eles caíram sobre a rocha, que é o Senhor Jesus. E eu aprecio muito ouvir falar de crentes norte-coreanos dentro do país. Eles testificam da maravilhosa graça de Deus, de pessoas sendo curadas e salvas, suprimentos que chegam na hora certa. Deus é soberano também na Coreia do Norte", enfatiza ele.

Orar pela Coreia do Norte pode ser difícil. Parece que nada muda para melhor ali. "A Bíblia nos ensina lições valiosas sobre a oração e a nossa fé sendo testada. Por isso, se nós realmente acreditamos na Bíblia é preciso permanecer confiantes e persistir em oração. Pense sobre a história de Jesus em Lucas 18, sobre o juiz e a viúva. Precisamos orar dia e noite se for preciso. Os cristãos norte-coreanos dizem-nos que as nossas intercessões irão ajudá-los. Eles são muito mais confiantes e esperançosos do que há alguns anos atrás".

O apóstolo Paulo também ensinou a Vermeer lições sobre como orar pelos cristãos norte-coreanos. "Suas orações são admiráveis. Ele ora de forma muito distinta que nós. Estamos acostumados a orar para que o sofrimento chegue ao fim, que as prisões se abram e para que regimes caiam. Paulo diz em 2 Tessalonicenses 1.11,12: 'Conscientes disso, oramos constantemente por vocês, para que o nosso Deus os faça dignos da vocação e, com poder, cumpra todo bom propósito e toda obra que procede da fé. Assim o nome de nosso Senhor Jesus será glorificado em vocês, e vocês nele, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo'.  Qual é a vocação desta igreja? Paulo diz, no versículo 5, que os tessalonicenses sofrem por seu Reino. Isto ensina-me que, quando fazemos intercessão por outros crentes, precisamos não apenas nos identificar com a pessoa pela qual oramos, mas, sobretudo, com Deus. O que ele é diante destas circunstâncias? Como ele vai usá-lo para sua glória? Esta verdade pode mudar radicalmente a nossa forma de orar pelos cristãos perseguidos e outros crentes. Nós não sabemos os nomes dos cristãos na Coreia do Norte, mas podemos pedir a Deus para cumprir o seu plano".

Outro ensinamento pode ser ainda mais complicado de cumprir: "Devemos passar mais tempo em oração por Kim Jong-Un, o regime, a polícia, os espiões, os guardas prisionais e outros responsáveis pela perseguição aos cristãos. Jesus nos ordena claramente a orar por nossos inimigos e para abençoar aqueles que nos perseguem. Abençoar a pessoa que tortura o seu irmão. Existe algo mais difícil? Eu não sei, mas Jesus nos pede para abençoá-los em oração. Ore para que Deus os chame para a sua fé salvadora".
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoTatiana Santos

terça-feira, 28 de maio de 2013

Como vivem os cristãos no Catar

Esse minúsculo país da Península Arábica é o lar da agência de notícias Al Jazeera. Bem desenvolvido e com a menor taxa de analfabetismo no mundo árabe, em 2022, planeja sediar a Copa do Mundo. 20º colocado na Classificação de países por perseguição, o Catar possui uma pequena população e há mais trabalhadores estrangeiros do que catarenses nativos
A seguir, confira uma entrevista cedida exclusivamente à Portas Abertas, em que um cristão local conta como é servir a Deus no Catar. As respostas não estão identicadas com o nome para a segurança do cristão.
Portas Abertas: Como é a vida diária para um cristão que vive no Catar?A maior parte do Corpo de Cristo no Catar é, na verdade, composta por trabalhadores imigrantes de países como Filipinas, Bangladesh, Sri Lanka e Paquistão. Muitos vivem em campos de trabalho (sim, chamam-se campos de trabalho). Eles trabalham de manhã bem cedo até tarde da noite e, em alguns casos, sete vezes por semana. Após o expediente, eles voltam para os seus lares (no campo de trabalho), onde comem e dormem.
As condições de trabalho são muito árduas; os locais de construção, onde muitos deles trabalham, são insuportavelmente quentes no verão, onde as temperaturas podem facilmente ultrapassar 50ºC. Não é incomum que as pessoas morram de insolação ou exaustão.
A comunhão cristã dentro dos campos de trabalho é proibida e precisa ocorrer em segredo. As mulheres imigrantes que trabalham em lares catarenses ficam vulneráveis a abuso sexual e outras formas de abuso físico. Assim como em outros lugares da Península Arábica, a posição das mulheres é frágil; elas dependem de seus protetores que, em sua maioria, são muçulmanos.
Quanto à vida diária dos cristãos catarenses, eles são poucos e tendem a manter sua fé em segredo enquanto tentam viver de acordo com as orientações bíblicas.
Portas Abertas: No Catar, um muçulmano convertido é considerado um apóstata e pode receber pena de morte. Isto aconteceu recentemente?Há convertidos ao cristianismo, mas, felizmente, não temos ouvido sobre penas de morte a novos cristãos. Na verdade, não temos sabido de nenhuma pena de morte por causa da fé de alguém desde a independência do país, em 1971.
Caso se saiba que alguém quer se converter ao cristianismo, a pressão da família ou de seus pares será rigorosa. A citação seguinte, de um cidadão catarense sobre o que acontece a um filho de muçulmano que queira se converter ao cristianismo, é característica da pressão familiar sobre ex-muçulmanos:
"Quando ele quiser se converter ao cristianismo? Se ele tiver 10 anos de idade, seu pai lhe mostrará os versículos do Alcorão. Se ele tiver 15 anos, seu pai o levará à mesquita para lhe ensinar lições. Se ele tiver 20 anos, um primo o matará ou a família contratará alguém para matá-lo."
De tempos em tempos, recebemos relatos de ex-muçulmanos sofrendo danos físicos por sua fé, por parte de parentes ou colegas que veem a conversão como uma desonra à família. Como consequência desta opressão, os ex-muçulmanos protegem seu anonimato por temerem fofoca ou traição.
Portas Abertas: A Copa do Mundo de 2022 será no Qatar. Você acha que o país se esforçará para melhorar em relação à religião e aos direitos humanos, uma vez que o mundo inteiro estará assistindo?O Catar está ansioso por se apresentar bem ao mundo exterior. Ele luta para ser um país de significância dentro da região, que é altamente estimada no Ocidente.O país quer ser um pólo logístico entre o Ocidente e o extremo Oriente. Ele quer ser considerado sério politicamente. O Catar foi o único país árabe que participou dos ataques aéreos aliados na Líbia, por exemplo.
O país também se orgulha de ser o lar da famosa agência de notícias Al Jazeera e quer estar em uma posição onde possa ser visto por todos; a Copa do Mundo faz parte desta ambição.
Honestamente, não espero que os aspectos religiosos e de direitos humanos melhorem devido à Copa do Mundo. Entretanto, a minha oração é que a atenção internacional sobre o Catar, durante este evento, também se concentre nos direitos humanos básicos para os catarenses e trabalhadores estrangeiros no país. 
Portas Abertas: Um terceiro complexo cristão está sendo construído (até este ano, só havia dois em todo o país). Isto é um sinal de mais liberdade para os cristãos?
Embora seja bom que haja um local reconhecido de culto para os cristãos, não vejo isto como um sinal de mais liberdade. A comunhão cristã é proibida no país, exceto para trabalhadores imigrantes na área designada fora da cidade. Esta área é muito pequena para acomodar todos os trabalhadores imigrantes cristãos e também é muito remota. Os cristãos catarenses não têm nenhuma liberdade do governo.
Como devemos orar por nossos irmãos e irmãs do Catar?
Ore pelos cristãos locais. Ore para que experimentem comunhão com outros cristãos. Com frequência, a situação para um ex-muçulmano é muito difícil. Em quem você pode confiar para compartilhar sua nova fé? Ore para que não fiquem isolados.

Ore também para que o país não apenas se apresente como um Estado moderno e moderado, mas também mostre que possa sê-lo. A despeito das rápidas mudanças nas décadas passadas e do crescimento da riqueza, a cultura e a herança islâmica permanecem firmes. Não há abertura para outras religiões, o que torna o cotidiano de trabalhadores estrangeiros e, ainda mais, de cristãos locais extremamente difícil.
Saiba mais sobre o Catar aqui.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoGetúlio A. Cidade

Portas Abertas visita cristãos perseguidos na Nigéria

Um fato é comum na vida de Marian, Zeina e Samuel: os três são perseguidos unicamente por conta da sua fé cristã. Abaixo, conheça a história de cada um deles
Viúva_Nigéria.jpg
“Tínhamos percorrido um longo caminho, levando conosco alguns alimentos e a esperança de trazer conforto e encorajamento para três pessoas que precisavam muito. O itinerário era visitar as viúvas de Abdoulaye e Abakachi, dois cristãos que morreram em um ataque, em fevereiro, quando voltavam de um seminário. O  terceiro que visitaríamos estava seriamente ferido por um suposto levante de membros do grupo islâmico extremista Boko Haram.

À medida que chegamos ao local, percebemos o isolamento e a dificuldade que o pequeno grupo de ex-muçulmanos sofre desde o cruel incidente. O governo da Nigéria tem movido esforços para controlar rigidamente a área ao leste, perto da fronteira. É comum que militantes do Boko Haram atravessem ali em direção a Camarões, para devastar a região. A única autoridade local é um chefe muçulmano, a delegacia de polícia mais próxima fica a cerca de 10 km da vila e o transporte público é raro.
Por conta do solo árido, não há nenhuma igreja e a decisão dos cristãos de seguir a Cristo foi recebida com grande hostilidade. Antes do fatídico dia, o grupo se reunia em segredo e sempre em locais diferentes. Após o ataque, como era de se esperar, a dificuldade aumentou para eles”, narrou um representante da Portas Abertas.
Marian
A primeira parada foi na casa da viúva de Abdoulaye, Marian, no lugar em que vive com seus sogros.  Sua casa estava cheia de mulheres da vila, sentadas em esteiras, porém Marian não estava lá. De acordo com o costume local, ela deveria permanecer por trás da grande cortina de divisão do quarto, longe de todos. Ali, Marian passa seus dias: come, dorme e respira a solidão absoluta, até que fique claro que ela não está grávida. Uma criança nascida após o período de observação habitual seria rotulada ilegítima.
Antes da morte de seu marido, cristãos visitavam Marian para lerem a Bíblia e orar juntos, já que ela é analfabeta. Porém, desde a morte de seu marido, ela foi completamente excluída de qualquer contato cristão. Agora também sofre pressão psicológica de outras mulheres que a acusam de estar sendo teimosa. "Se você e seu marido continuassem muçulmanos durante todo o tempo, ele ainda estaria vivo ", dizem ela.
Marian é mäe de 12 filhos e a perda de seu marido também teve um grande impacto sobre eles. A tristeza maior é sentida pelas circunstâncias: a viúva permanece sob um monitoramento constante das outras mulheres muçulmanas, que impede a presença dos colaboradores da Portas Abertas  para conversar, orar com ela e, muito menos, encorajá-la com a Palavra de Deus.

Zeina
Na casa dos pais do falecido Abakachi, encontramos sua viúva Zeina em circunstâncias semelhantes. Ela também é mantida atrás da cortina e não tem contato com ninguém além da família e o acompanhamento feminino. Zeina tem quatro filhos.
Diante dos fatos, os colaboradores só puderam orar e confiar que as mulheres da aldeia honrariam a entrega de toda a ajuda de mantimentos trazidos para ajudar as viúvas, pois era obrigatório deixar com elas.
Samuel
Após a visita às viúvas, a Portas Abertas foi atrás de um ex-muçulmano que fora baleado na mão e nas costas durante o ataque.
Samuel ainda usa ataduras sobre as feridas e precisa ir ao hospital duas vezes por semana para o tratamento, pois foi recusado em ser mantido no hospital. Os médicos temem que, por sua presença ali, haja a possibilidade de se tornar um alvo do Boko Haram.
O cristão estava muito feliz em receber mais uma vez a Portas Abertas – a última vez foi no hospital. Expressando grande alegria em ter pessoas que não o conhecem indo encorajá-lo, lembrou-se de que “os cristãos são realmente membros de uma mesma família”.
Por causa da instabilidade local, ao final do dia, após o tempo de comunhão e oração, os visitantes foram embora. Como o governo não permite que as pessoas se encontrem depois do sol, era hora de ir. Saíram com os corações certos de que Deus iria mostrar a sua graça a esta frágil comunidade cristã.
"Deus, sustente a fé desses irmãos, apesar das dificuldades atuais, e continue a brilhar a luz do Evangelho nesta área. Senhor, que eles possam permanecer firmes e não voltem ao islamismo diante desses perigos! Brilhe a sua luz para que muitos possam ser libertados do jugo da tradição e da ignorância". Essa era a oração dos colaboradores da Portas Abertas em cada lugar que passavam. 
Junto com a igreja local, a Portas Abertas está investigando opções culturalmente possíveis para cuidar das viúvas e os filhos dos falecidos Abdoulaye e Abakachi.
Pedidos de oração
• Apresente ao Senhor a vida dos ex-muçulmanos, que eles permaneçam firmes. Para que o o Senhor os encoraje, através do  Espirito Santo.
• Peça especificamente pelas viúvas, pelos órfãos e pelo ex-muçulmano ferido, para que, mesmo em meio a esta onda de perseguição, não sejam desencorajados, mas que Deus os proteja da pressão psicológica que enfrentam.
• Interceda pelos ex-muçulmanos para que tenham a graça de viver o testemunho de Cristo através das circunstâncias difíceis e assim, outros se convertam.
• Ore pedindo  sabedoria para a equipe da Portas Abertas que apoia essas famílias afetadas.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoCarla Priscilla

sábado, 25 de maio de 2013

“Eu sou do meu amado e o meu amado é meu.” (Ct 6.3a)

Amanhã (26), o underground, ministério de jovens da Portas Abertas Brasil completa 12 anos despertando a juventude cristã brasileira para servir a Igreja Perseguida
Para Juliana e Felipe este versículo é uma realidade. Eles foram unidos à família na fé e unidos em casamento por intermédio da Portas Abertas. Um testemunho de amor eterno
"Somos gratos a Deus por esse ministério, que nos aproximou da nossa família na fé e cooperou para que fossemos uma família também", diz Juliana.
Ela (27) é professora de Educação Infantil e ele (30) professor de Ciências Humanas, ambos residem em Campinas, São Paulo.
Felipe nos conta que conheceu a Portas Abertas por intermédio da leitura do livro O Contrabandista de Deus. O livro despertou seu interesse sobre a situação da igreja em países onde há restrição ao Evangelho. "Ao pesquisar mais, encontrei o site da Portas Abertas e do ministério underground, onde me cadastrei para receber notícias por e-mail.
Em 2006, um dos e-mails que recebi encorajava as pessoas a orar por uma viúva. Respondi o e-mail agradecendo, pois fui tocado a orar e agir através daquela mensagem. A coordenadora do underground na época respondeu, incentivando-me a participar do Congresso Underground, em São Paulo, naquele ano, onde fui com minha irmã. No mês seguinte, junto com minha irmã, participei do acampamento underground, que fez marcas e mudanças profundas na minha vida, e faz até hoje", conta Felipe.
Juliana, desde adolescente, recebia em casa a revista da Portas Abertas, que seu pai assinava. No entanto, evitava lê-la, por medo, pois sabia que tratava da perseguição aos cristãos, e isso lhe assustava. "Lembro-me que numa tarde, assisti com a minha família o filme Bambus no Inverno, da Portas Abertas", ela conta. "Quando terminamos, estávamos abraçados e chorando, de joelhos, e eu fui muito impactada, sabia que era parte da minha família que estava vivenciando aquilo. Então, em 2003, com 17 anos, meu pai me mostrou um panfleto do underground, anunciando um acampamento, o Extreme Camp. A imagem de um garoto correndo com uma Bíblia nas mãos me impressionou, e pelo incentivo do meu pai, fomos eu e uma amiga participar desse acampamento, que hoje é o acampamento underground, sem saber ao certo o que vivenciaríamos."
Juliana continua: "No acampamento, tive um verdadeiro encontro com os cristãos perseguidos. Cada palavra, cada reflexão, cada simulação e testemunho entraram profundamente na minha alma. Foi assim que me tornei voluntária do underground, passando a cooperar nos eventos do ministério, falando sobre a Igreja Perseguida na minha própria igreja, em outras, na escola, no trabalho, em qualquer lugar".
A Igreja Perseguida marcou nossas vidas. Nosso casamento teve a participação direta do ministério underground.
"No final de 2006 foi quando nos conhecemos, no acampamento underground, em Itaguaí, no Rio de Janeiro. Eu estava trabalhando no acampamento e o Felipe era acampante. Trocamos poucas palavras, o acampamento foi muito intenso e Deus trabalhou imensamente. Estivemos novamente juntos num encontro de oração em São Paulo, no início de 2007, e nossa amizade teve início. O Felipe tinha um trabalho com meninos de rua em Limeira, e eventualmente ajudava o Projeto Toque, em São Paulo, que trabalha com evangelização na região da Cracolândia. Indicaram ao Felipe o trabalho da Expedição Mochila, um ministério de evangelização de crianças, do qual eu fazia parte, com um projeto de evangelização das crianças do meu bairro, através da recreação e do esporte. Como o Felipe já me conhecia através do underground, passou a me ajudar no trabalho com as crianças", narrou Juliana.
"O que eu não sabia, era que antes de nos conhecermos, o Felipe comprou um anel com uma inscrição em hebraico, do versículo "Eu sou do meu amado e o meu amado é meu" (Ct 6.3a), fazendo a Deus um pedido sobre sua futura esposa, que servisse de sinal: que ela fosse capaz de ler o que estava escrito em hebraico no anel, e que o mesmo coubesse em seu dedo.
De fato, a primeira (e única!) conversa que tivemos no acampamento foi quando peguei suas malas e vi o anel, que estava pendurado como chaveiro na mala. Li o que estava escrito e elogiei o anel, dizendo que eu sabia porque havia estudado hebraico.
Em fevereiro de 2007, o Felipe me contou a respeito desse sinal e colocou o anel em meu dedo, com um pedido de casamento. Estamos casados há quatro anos e continuamos servindo a Igreja Perseguida, como voluntários do underground, servindo os cristãos perseguidos e os jovens da igreja brasileira, e também num intuito especial de divulgar a causa às crianças da igreja brasileira, numa linguagem que compreendam e que as leve a abraçar com amor as crianças perseguidas.
Somos gratos a Deus por esse ministério, que nos aproximou da nossa família na fé e cooperou para que fossemos uma família também. Nosso alvo é que mais crianças e jovens, mais cristãos brasileiros, se envolvam, e que por esta causa, se "ponham de joelhos (...) para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder"! (Ef 3.14-16)", finalizou ela.
FontePortas Abertas Brasil

Guerrilhas colombianas unem forças contra cristãos de Arauca

A Portas Abertas na Colômbia foi informada que o ELN (Exército de Libertação Nacional) e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) estão em conversações sobre a consolidação de uma força de guerrilha conjunta que vai se opor à Igreja na região de Arauca
José*, um ex-combatente das Farc que veio a Cristo, contou à Portas Abertas que líderes da guerrilha em Arauca têm planos para fechar as igrejas na região. José está sendo discipulado por meio dos projetos da Portas Abertas de formação de ex-guerrilheiros.

O coordenador regional da Portas Abertas em Arauca informou que, em março, o ELN realizou reuniões em dois povoados, uma em Caño Negro e outra perto de Fortul. Entre os temas abordados, um foi a proibição de encontros e evangelismo em todas as aldeias cristãs. A construção ou a implantação de novas igrejas também está proibida. O ELN permite que igrejas funcionem apenas nas cidades. Além disso, impôs um toque de recolher às 20h, e todos os residentes, independentemente da sua condição econômica, foram obrigados a contribuir com parte de seus ganhos para a guerrilha.

Salvador*, um ex-combatente da ELN, que também tornou-se cristão, disse à Portas Abertas que algumas igrejas cederam à pressão dos guerrilheiros e estão pagando os impostos que são chamados de "vacinas". Pastores e líderes de igrejas, no entanto, permanecem em silêncio sobre o assunto por medo de serem acusados de serem infiltrados nas igrejas, que monitoram os sermões de declarações antirrevolucionárias. Os grupos armados ilegais estão pressionando as igrejas em um movimento destinado a impedir que membros da guerrilha se convertam ao cristianismo, abandonando, assim, a luta armada.

Salvador afirmou ainda que esses pastores são homens e mulheres cujas vidas estão enraizadas na Palavra de Deus. Alguns líderes cristãos disseram que preferiam morrer a dar seu dinheiro para financiar as atividades dos guerrilheiros.

Em março, os rebeldes realizaram uma reunião com a comunidade em uma aldeia para exigir que os cidadãos se organizassem para defender melhor o território e impedir que o inimigo (ou seja, o exército da Colômbia) parasse a "causa revolucionária". Grupos armados ilegais proíbem os cristãos de realizarem mobilizações em massa e reuniões em suas próprias aldeias. Os comandantes regionais do ELN alegam que as igrejas devem se organizar para apoiar os rebeldes; aqueles que se recusam devem deixar a região. Eles alertam que as igrejas que não obedecerem serão fechadas.
Abaixo, conheça a perseguição religiosa que as crianças cristãs sofrem na Colômbia:
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoTatiana Santos

Cristã eritreia revela como é participar de uma igreja subterrânea

Misgana vive na Eritreia, nação em que 45% da população é cristã, 10ª colocada na Classificação de países por perseguição. Ela compartilhou com representantes da Portas Abertas como é ter de adorar a Deus em segredo
"Como você sabe, as nossas igrejas estão fechadas", diz ela (na Eritreia, todas as igrejas evangélicas estão fechadas desde uma lei em 2002. Mais de 2.800 cristãos estão na prisão, e seus familiares não têm notícias deles há meses e anos. Leia mais aqui).

"Assim, somos obrigados a nos reunir no subsolo das casas. Alguns irmãos cedem seus lares voluntariamente para que possamos adorar a Deus. Nós prestamos culto ao Senhor em quartos e cozinhas abaixo do chão. O que sinto falta de quando éramos livres para exercer nossa fé em Cristo publicamente, é de poder cantar com alegria, em voz alta. Agora, só podemos sussurrar. Imagine o quão difícil é para nós! Queremos expressar nossa felicidade no Senhor, mas não podemos. Mesmo assim, ele ouve o nosso sussurro, ele está sempre conosco”, afirma Misgana.

Ela continua: “Nossos olhos estão fixos em Jesus, nada mais. Ore pelos cristãos na Eritreia, para que possamos adorar a Deus livremente algum dia, de alguma forma. Nós queremos dar glórias a ele em nossa cidade, nos reunir e nos alegrarmos nele. Essa é a minha oração. Ajude-me através da sua intercessão”.

Ser membro de uma igreja subterrânea ou participar de uma reunião cristã na Eritreia é um crime grave. Todos os dias, cristãos eritreus arriscam suas vidas, sob pena de serem presos, unicamente para dizer a Jesus o quanto eles o amam.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoAna Luíza Vastag

Violência em funeral na Nigéria deixa 39 mortos

No último dia 3 de maio, forças de segurança impuseram um toque de recolher por 24 horas em Wukari, Estado de Taraba, na região central da Nigéria, para evitar a escalada de violência entre cristãos e muçulmanos, que deixou pelo menos 39 mortos e 30 feridos
O embate entre a comunidade jukun, de maioria cristã, e os muçulmanos, de minoria fulani, ocorreu durante o funeral de um líder tradicional da tribo jukun.
Jukun é um grupo étnico, cuja maioria dos habitantes vive em Wukari e outras partes do Estado de Taraba. Muitos são cristãos, poucos são animistas* e alguns são muçulmanos. Os nômades fulani, predominantemente muçulmanos, migraram para Wukari ao longo dos anos.
De acordo com a tradição jukun, os corpos de chefes de alto escalão devem ser carregados pela cidade antes do enterro. Nesse caso específico, quando o cortejo fúnebre chegou a uma área predominantemente fulani da cidade antiga, jovens bloquearam a estrada e disseram que nenhum "arne" (infiél, no dialeto hauçá) poderia passar por aquela parte da cidade, alegando que o cortejo estava atrapalhando as orações da sexta-feira. Essa situação rapidamente evoluiu para a violência.
A organização Christian Solidarity Worldwide (CSW) informou que, enquanto a polícia alega que houve 39 mortes, os habitantes insistem que a cifra é muito maior, com mais 30 feridos.
A CSW afirmou ainda que cerca de 70 casas e lojas foram destruídas em levantes contra veículos e outros bens e que fontes locais estimam que o custo total dos danos ultrapassa seis milhões de dólares, embora isto não possa ser verificado com exatidão, até o momento.
Funcionários do governo confirmaram, por telefone, que a cidade está tomada pela violência, similar em escala a um surto ocorrido em fevereiro deste ano, quando uma contenda entre jovens muçulmanos e cristãos custou a vida de 40 pessoas e deixou 400 desalojadas.
"O toque de recolher de 24 horas ainda está em vigor e todos os moradores estão dentro de casa. Policiais e soldados estão patrulhando as ruas para manter a lei e a ordem", disse Joseph Kwaji, porta-voz da polícia, aos repórteres, dois dias após o funeral.
Um ex-senador cristão de Wukari, Danlami Ikenya, disse que o embate foi infeliz, considerando-se que os moradores da cidade viviam em paz há anos, a despeito de suas diferenças étnicas e afiliações religiosas.
"Há um lugar para se sepultar líderes tradicionais, onde sempre foram sepultados no passado", disse Danlami. "Não entendo por que um funeral deveria resultar em um conflito entre cristãos e muçulmanos. A questão em jogo é provavelmente maior do que diferenças religiosas que aparentemente acionaram o conflito".
O general nigeriano aposentado Adamu Tubase Ibrahim, um líder muçulmano, também expressou surpresa sobre o incidente, observando que muitos inocentes foram mortos no ataque que, segundo ele, deveria ter sido resolvido amigavelmente.
"O que aconteceu é uma infelicidade. Os grupos beligerantes deveriam depor suas armas e permitir que a paz reinasse", disse Adamu. "Entretanto, é necessário que o governo investigue apropriadamente qual é o verdadeiro problema".
*Animista: modalidade religiosa que implanta espíritos em toda a natureza, sendo esses espíritos semelhantes ao espírito do homem. Na antiguidade, e ainda hoje em grupos indígenas e isolados, é comum atribuir características animistas a elementos da natureza como "o deus sol," ou "o deus do céu", ou seja, a personificação antropomórfica de elementos e fenômenos naturais.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoGetúlio A. Cidade