segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Como fazer contato com a Igreja Perseguida?

No site ou na revista Portas Abertas, você lê uma história que toca o seu coração. O testemunho daquele irmão perseguido edifica sua vida, e você deseja entrar em contato com ele para consolar, agradecer, encorajar. A dúvida é: como você poderá contatá-lo?
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Situações como essa não são raras. O Espírito Santo gera, em muitos cristãos brasileiros, empatia e compaixão para com a Igreja Perseguida. Entretanto, entrar em contato com o cristão perseguido nem sempre é possível.

Contato benéfico
O contato que o escritório brasileiro da Portas Abertas tem com a Igreja Perseguida é intermediado pelos colaboradores estrangeiros que vivem ou trabalham nos países em que atuamos. Toma-se esse cuidado para proteger a integridade do cristão perseguido, bem como a de nossos colaboradores, pois seu contato com o exterior nem sempre é benéfico. Em muitos casos, a sociedade em que vivem vê com maus olhos quem recebe ajuda de outros países — essas pessoas acabam sendo julgadas como espiões internacionais ou traidores de seu país.

A situação varia de pessoa para pessoa, de país para país; leva-se em consideração o estado emocional do cristão perseguido, o contexto atual de sua nação. Quando é declarado que o contato com cristãos de países livres é benéfico, a Portas Abertas organiza campanha de cartas ou outras atividades. Por se tratar de situações delicadas, o contato direto e pessoal é evitado.

Cara a cara
Existem duas formas de se ter contato pessoal com a Igreja Perseguida. A primeira é com a visita dos correspondentes internacionais, que vêm periodicamente ao Brasil, provenientes de diversas partes do mundo. Durante suas pregações você pode ouvir relatos do campo, e após a mensagem, é possível conversar com eles e tirar algumas dúvidas.

Outra forma é por meio das viagens de campo organizadas por nosso ministério de viagens, o Sem Fronteiras. Essa experiência única possibilita o viajante a ter contato com a Igreja Perseguida e vivenciar um pouco do dia a dia dos cristãos naquele país.

Texto retirado da seção “Sua vez”, da revista Portas Abertas, edição de junho de 2013. Você pode participar enviando sua sugestão para o e-mail falecom@portasabertas.org.br.
FonteRevista Portas Abertas

domingo, 29 de dezembro de 2013

Por que não realocamos cristãos perseguidos em outros países?

A Portas Abertas entende que, apesar da perseguição, a comunidade precisa da Igreja; de outro modo, “como ouvirão, se não houver quem pregue?” (Rm 10.14). Se a Igreja for encorajada a sair para países mais seguros, seus compatriotas não terão a chance de conhecer e ver Jesus na vida do seu povo
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O foco do ministério da Portas Abertas é fortalecer a Igreja onde ela se encontra, a fim de que seja sal e luz em sua sociedade. Por isso, todos os nossos esforços e recursos são aplicados em levar até a Igreja Perseguida itens de que necessita; em ministrar cursos bíblicos para que resista à oposição ou para que não tenha de ir até outro continente para obter uma formação teológica; em criar formas de os cristãos perseguidos terem sustento em sua própria comunidade, abençoando-a também com seu trabalho.

Mesmo em situações difíceis, como acontece atualmente na Síria, e como aconteceu com o Iraque durante os anos mais duros da guerra, procuramos trabalhar de modo a fortalecer aqueles que optassem por não fugir do conflito.  Assim, foram instituídos até atendimentos psicológicos para os que passaram por experiências de trauma.

ExceçõesNesses 58 anos de ministério, há pouquíssimos casos de pessoas que foram resgatadas de seus países e alocadas em outras nações. Em todos os casos, os indivíduos corriam risco de morrer.

O caso mais conhecido é da cristã eritreia Helen Berhane. Após três anos e meio presa em condições subumanas, Helen foi transferida a um hospital para tratar os ferimentos graves de suas pernas, coluna, nuca e cabeça. A cristã recebeu permissão dos médicos para voltar para casa, mas depois de ser ameaçada, a única solução que pareceu viável seria fugir do país. Assim, Helen fugiu para países africanos, chegando por fim na Dinamarca, onde obteve asilo político.

Texto retirado da seção “Sua vez”, da revista Portas Abertas, edição de junho de 2013. Você pode participar enviando sua sugestão para o e-mail falecom@portasabertas.org.br.
FonteRevista Portas Abertas

A Portas Abertas Brasil envia missionários?

Desde seu início, o chamado da Portas Abertas tem sido “fortalecer o que resta e estava para morrer” (Ap 3.2). Ou seja: o foco da organização é fortalecer a Igreja em áreas onde ela corre risco de extinção, e capacitá-la a ser sal e luz no país em que vive
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A Portas Abertas acredita que a Igreja local é a mais capacitada a alcançar seu próprio povo, pois consegue transmitir o evangelho para sua língua e cultura. Assim, o objetivo de nosso ministério não é ir ao país e evangelizar, e sim habilitar os irmãos a superar a perseguição e pregar o evangelho aos seus compatriotas.

Quem trabalha no campo?
Os colaboradores que administram os projetos e as bases da Portas Abertas nos países onde atuamos não são missionários. São funcionários da Portas Abertas Internacional, selecionados e contratados pelas bases de campo, que não têm ligação direta com nossa base no Brasil. Também contamos com a ajuda de voluntários — que podem ser cristãos e entidades do próprio país, ou até mesmo missionários estrangeiros. Todas essas pessoas ajudam na entrega de material, ministração de treinamentos e visitas. Elas são importantes contatos para o trabalho da Portas Abertas na região. A partir de suas informações, conhecemos os casos de perseguição e planejamos os projetos de auxílio aos irmãos perseguidos.

Como funciona a Portas Abertas no Brasil?
Cremos que fomos chamados por Deus para cumprir uma tarefa: trabalhar para que a comunidade cristã no Brasil seja permeada pelas necessidades, motivações, visão e valores da Igreja Perseguida, de modo que a Igreja aqui seja impactada e abençoada pela oportunidade de servir aos que sofrem. Embora seja um ministério, a Portas Abertas Brasil é gerida como uma empresa. Nossos colaboradores são escolhidos mediante processo seletivo para realizar as tarefas mais variadas no escritório. Cada um, com seu trabalho, serve à Igreja Perseguida e contribui para cumprirmos a missão que Deus nos deu.

Texto retirado da seção “Sua vez”, da revista Portas Abertas, edição de junho de 2013. Você pode participar enviando sua sugestão para o e-mail falecom@portasabertas.org.br. 
FonteRevista Portas Abertas

Por que a Portas Abertas não realiza projetos de campo no Brasil?

É comum recebermos perguntas do tipo “Por que a Portas Abertas não ajuda as igrejas mais pobres no Brasil” ou “Por que vocês não agem em favor dos brasileiros que são difamados por causa de Jesus?” Entenda o motivo
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A base do ministério da Portas Abertas encontra-se no texto de Apocalipse 3.2, que despertou o Irmão André, fundador da organização, a procurar por cristãos na Cortina de Ferro: “Fortaleça o que resta e que estava para morrer”. Esse chamado ainda dirige nossa atuação: a Portas Abertas concentra seus esforços em países em que a Igreja está a ponto de morrer caso não receba ajuda externa.

Sendo assim, atuamos nas nações que têm uma postura mais opressiva contra os cristãos, fortalecendo-os a fim de que permaneçam firmes diante da perseguição e capacitando-os para que sejam a luz de Cristo nesses lugares escuros.

E o Brasil? Entendemos que a Igreja brasileira não se encontra nesse estágio em que uma intervenção externa se faça necessária. Apesar de incidentes, há liberdade para se cultuar e pregar, garantidos pela Constituição.

Sendo assim, nossa esfera de atuação aqui é outra: conscientizar a Igreja brasileira acerca da realidade da perseguição, mobilizando os cristãos brasileiros a orar, apoiar e agir em favor de seus irmãos na fé.

Nosso objetivo é que a comunidade cristã no Brasil seja permeada pelas necessidades, motivações, visão e valores da Igreja Perseguida, de modo que a Igreja aqui seja impactada e abençoada pela oportunidade de servir aos que sofrem. Quando os cristãos perseguidos são fortalecidos, eles podem beneficiar e alcançar outros ao seu redor.

Texto retirado da seção “Sua vez”, da revista Portas Abertas, edição de junho de 2013. Você pode participar enviando sua sugestão para o e-mail falecom@portasabertas.org.br.
FonteRevista Portas Abertas

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O que minha igreja pode fazer pelos cristãos perseguidos?

Talvez a pergunta acima seja sua também.  Saiba como sua igreja pode apoiar a causa dos cristãos perseguidos
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Mobilize a igreja em oração 
A Portas Abertas tem um boletim de oração diário chamado “Vamos Orar”. Este é enviado mensalmente junto à revista e também publicado no site. Você pode criar em sua igreja grupos de oração semanais ou mensais; grupos de mulheres, homens ou crianças, porque a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. (Tiago 5.16)

Envie cartas de encorajamentoEnviar cartas aos cristãos perseguidos pode ser um ato bem simples, porém de grande efeito na vida dos nossos irmãos, pois, através de sua carta, eles serão encorajados a permanecerem firmes e não se sentirão sozinhos. Obtenha instruções e veja as campanhas de cartas que estão vigentes. Nesta página há também o endereço para onde as correspondências devem ser enviadas e modelos de texto.

DivulgueInfelizmente, uma minoria no Brasil conhece a causa da Igreja Perseguida e você pode ser um instrumento de Deus para que seu pastor, seu líder e sua igreja se engajem no socorro aos nossos irmãos que vivem sob perseguição. Realize um culto de missões a cada mês ou dentro da possibilidade do calendário de sua igreja e divulgue a causa de nossos irmãos. Preparamos uma página em nosso site com recursos que você pode utilizar em sua igreja.

Não deixe de participar também do DIP (Domingo da Igreja Perseguida) que, em 2014, será realizado em 25 de maio. Visite o site para fazer seu cadastro e receber um kit de materiais gratuito.

Doe
Não há valor mínimo ou máximo de doação. Sua igreja pode doar o quanto quiser; tanto mensalmente, através de um carnê de doações, ou através das campanhas online. A cada mês, disponibilizamos em nosso site, campanhas de doações para diferentes projetos, mas, se sua igreja desejar assumir um compromisso mensal e doar via carnê, entre em contato com nosso Canal de Relacionamento através do telefone (11) 2348-3330 ou do email: falecom@portasabertas.org.br.

Separamos alguns exemplos interessantes de parceiros da Portas Abertas que se envolveram no serviço à Igreja Perseguida e passaram a mobilizar suas igrejas: 

Leandro Ferreira de Souza - Taperuna – RJ“Em nossa igreja, costumamos separar um domingo por mês para falar sobre a Igreja Perseguida. Este evento é conhecido como Domingo Missionário. Cada mês, um país diferente. Falamos das necessidades desse país (apresentação de slides), dividimos a igreja em pequenos grupos para orar (acreditamos que nossas orações são verdadeiras flechas que atingem as nações enquanto oramos), e também levantamos uma oferta específica para o país em questão. Esses cultos têm ajudado a igreja local a ampliar a visão de que existe uma Igreja global, amada por Cristo.”

Roberta Rodrigues de Carvalho Lima - São Paulo – SP“O Ministério Estação Crescer (M.E.C.) da Igreja Batista Betel (em Santana - São Paulo) participa do trabalho missionário com os cristãos perseguidos através de momentos de oração e contribuição. As crianças, todo domingo, ouvem sobre um país, seu povo e, utilizando os pedidos do site da Portas Abertas, oram. Depois contribuem com ofertas. Utilizamos fotos, materiais representativos do país, bandeiras e mapas para informar as crianças e tornar mais significativo. Em alguns domingos também oferecemos desenhos para colorir sobre o país.”

Erany Bonfim da Cruz - Vera Cruz – BA“Tiro cópias do boletim Vamos Orar e as entrego para quem de fato vai orar mesmo. Orar de joelhos, por todos os pedidos, um a um. Montei murais com fotos de cristãos perseguidos e pedidos de oração em minha casa e lidero um grupo de oração de mulheres para juntas intercedermos pela Igreja Perseguida ”

Texto retirado da seção “Sua vez”, da revista Portas Abertas. Esta seção destina-se a esclarecer as suas dúvidas. Caso tenha alguma pergunta, escreva para falecom@portasabertas.org.br.
FonteRevista Portas Abertas

Natal em Bagdá

Os cristãos do Iraque também se prepararam para a comemoração do nascimento de seu Salvador. No ano passado, muitos deles não comemoraram o Natal porque estavam com muito medo de que isso atraísse ataques
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A Igreja iraquiana comemora o Natal em 25 de dezembro e em 6 de janeiro. Para eles, isso significa basicamente ir à igreja e participar do culto alusivo. Árvores de Natal estão disponíveis apenas em escala limitada e os alunos cristãos não têm folga da escola. Os estudantes das regiões sul e central foram, inclusive, avisados que, caso faltassem às aulas para comemorarem o Natal, sofreriam consequências graves.

Os cristãos temem que, caso comemorem o Natal abertamente, isso possa ser visto como uma provocação. Ataques a cristãos no dia de Natal são comuns. Em 2012, o Natal coincidiu com as comemorações religiosas muçulmanas. Devido a riscos à segurança, a data não foi comemorada nas igrejas.

Perguntamos a Tariq*, de 40 anos, e Human*, de 50 anos, ambos de Bagdá, como eles iriam comemorar o Natal esse ano. Tariq é pastor de uma pequena congregação e pai de dois jovens. Human é obreiro de campo, casado e com filhos.

Que tipo de tradições cristãs vocês têm em suas casas e na igreja?
Tariq
: Pegamos uma árvore de Natal, decoramos e fazemos uma comida especial como a Baja, um prato com cordeiro, e alguns biscoitos chamados Kolaja. Compramos roupas novas e visitamos nossos parentes e amigos. Mas, devido à situação, que está piorando, não podemos fazer isso todos os anos. Algumas pessoas preferem ficar em casa porque têm medo de ir à igreja, já que o templo é alvo de terroristas nesse dia. A igreja tradicional não tem árvore de Natal.

Human: A maioria dos cristãos vai à igreja na manhã do primeiro dia de Natal. Após isso, visitamos a família e ceamos juntos. No segundo dia, visitamos os vizinhos e amigos. Se alguém da família morreu recentemente, os parentes vão ao cemitério. Algumas vezes, a família enlutada é visitada por amigos cristãos logo após ao culto. Antes da guerra entre Irã e Iraque, nos anos 1980, as famílias costumavam ir a clubes para comemorar em festa. Mas, devido à má situação em Bagdá, todas as famílias agora preferem celebrar com seus irmãos em Cristo e amigos. Não é seguro sair de casa.

Como vocês se sentem ao comemorar esta data?
Tariq
: Gostamos de celebrar esse dia porque nos lembra do amor de Deus e de suas promessas sobre nós. Porém, por causa da segurança limitada, a liberdade de comemorar o Natal está diminuindo cada vez mais. Algumas pessoas não podem sair de casa para comemorar na igreja.

Human: Todas as pessoas comemoram o Natal com felicidade, mas, para aqueles que perderam alguém da família, certamente é mais difícil. Algumas dessas pessoas também são tão pobres que não podem dar presentes ou roupas novas para seus filhos.

Os cristãos do Iraque sentem que Deus está próximo deles?
Tariq
: Como cristãos, podemos ver a mão de Deus conosco enquanto passamos por essa situação e, a cada dia, sentimos sua proteção e amor. Mas, algumas pessoas, que estão distantes de Deus, sentem que ele não se importa com elas; acreditam que ele está irado e não se agrada do povo, e que esse é o motivo pelo qual todas as coisas ruins estão acontecendo no país.

Human: Depende da educação das pessoas, mas a maioria dos cristãos acha que os governadores são responsáveis pelas “coisas ruins” e que o Senhor ama o povo. No dia seguinte a uma explosão de bomba, eles voltam ao trabalho e esquecem a tragédia de ontem.

*Nomes alterados por motivo de segurança dos cristãos.

No dia de hoje, lembre-se de orar por cada cristão que não tem a mesma liberdade que você para celebrar o nascimento de Jesus.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoGetúlio A. Cidade

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natal atrás das grades

Em dezembro de 2011, sete cristãos foram presos pela polícia por organizarem uma celebração de Natal no vilarejo onde viviam. De acordo com o líder da cidade, o evento foi considerado "contrário aos costumes locais". Para a sua libertação, as autoridades demandaram o pagamento de uma fiança
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"Na noite em que fomos presos, a polícia jogou uma grande pedra sobre o telhado da casa onde nós estávamos reunidos", relatou o fazendeiro Akamu. "Os guardas nos ameaçaram dizendo que tínhamos de pagar um alto valor em dinheiro e entregar uma vaca. Eles ainda disseram que seríamos expulsos do vilarejo".

"Eles nos algemaram e acorrentaram nossos pés", afirmou Inoke, a única mulher do grupo. "Nós fomos obrigados a ficar todos juntos em uma pequena sala durante vinte dias. Era como um galinheiro, com cerca de 3 metros quadrados."

"A polícia queria que eu reconhecesse que aquilo que os outros fizeram era errado", disse Keoki, um criador de cabras e o mais velho do grupo. "Eu disse a eles que nós não fizemos nada de errado. Eles me ameaçaram de morte, mas eu apenas os ignorei".

"As pessoas que fizeram isso comigo achavam que eles estavam me enfraquecendo”, acrescentou ele, “mas, na Bíblia, Deus protegeu Pedro quando ele estava na prisão. Por isso, não me preocupei. Eu estava feliz por poder compartilhar o sofrimento de Jesus Cristo".

Kanoa, um ex-assaltante, de 37 anos de idade, relatou que sempre soube que os servos de Deus enfrentariam muitos problemas na vida. "Às vezes é difícil servir ao Senhor. Mas, quando tribulações acontecem comigo, eu dou glórias a Deus".

"Eu não posso abandonar Jesus"
Para esses cristãos, a perseguição não é algo novo. "Sofrimento é parte do seguir a Cristo", afirmou Keoki. "Jesus foi condenado, apesar de não ter feito nada de errado para o governo".

"Quando eu me tornei cristão, a polícia e o chefe do vilarejo vieram à minha casa e tomaram meu telefone celular", relembra Inoke. "Eles também expulsaram minha família da cidade".

"Nós decidimos nos mudar para outra cidade, mas lá sofremos pressão novamente", continuou Inoke. "Porém, pela graça de Deus, ao invés de abandonar a fé, tornei-me mais interessada em Jesus. Quanto mais perseguida eu era, mais eu tinha vontade de servir ao Senhor". 

"Uma vez, um amigo ofereceu-me uma posição no governo", acrescentou Kanoa. "Ele disse que gostaria de me contratar porque eu era esperto, mas eu teria de abandonar a minha fé".

"Muitas pessoas que vem até a minha oficina mecânica tentam me convencer a retornar para o budismo, a fim de não ter de enfrentar mais perseguições na vida", afirmou Kanoa. "Mas eu respondo que eu encontrei a verdade em Jesus. A verdade está na Bíblia; tudo nela é verdadeiro. Jesus Cristo é a verdade, pois ele me modificou. Eu não posso abandoná-lo agora".

Lições do cativeiro
Bane, um pastor de 46 anos, compartilhou que durante a maior parte da sua detenção ele ficou relembrando versículos bíblicos. "Eu só pensava na Palavra de Deus", disse. "Eu pensava em Eclesiastes 3.1,2, que diz que há um tempo determinado para tudo debaixo do céu. Eu percebi que a prisão não poderia me impedir de louvar ao Senhor".

Inoke e Akamu foram ensinados por Deus a permanecer firmes em sua fé. "Eu aprendi a não ter medo de falar", afirmou Inoke. "Antes, eu tinha medo do que eu iria dizer às autoridades."

"O Senhor me ensinou a permanecer com a verdade, não importa o que aconteça", disse Akamu. "Eu me tornei mais corajoso em defender Jesus. Há sim perseguições em nosso distrito, mas os cristãos podem suportá-las se eles se ajudarem mutuamente".

Mele, um fazendeiro de 58 anos, também relembrou os sentimentos de solidão e medo iniciais, mas o valor da comunhão foi revelado para ele dentro das paredes do "galinheiro". "Quando eu fui preso, senti-me muito triste no primeiro momento", afirmou ele. "Eu estava acostumado a pensar que o sofrimento era uma punição do Senhor. Mas, ao ver os outros prisioneiros junto comigo, senti-me encorajado. Eu li a Palavra de Deus e encontrei forças. Eu aprendi que posso ser luz para os outros, onde quer que eu esteja, seja no vilarejo ou na prisão".

Makan, um ex monge budista, lembrou-se de uma passagem que leu no livro de Tiago. "A Bíblia diz que devo alegrar-me ao passar por aflições em nome do Senhor", afirmou. "Mesmo na prisão, Deus está presente".

Fé inabalável
Ao invés de abalar sua fé, o aprisionamento dos cristãos reforçou o seu entusiasmo em seguir a Cristo. "Minha experiência na prisão serviu como testemunho para os outros", compartilhou Inoke. "O chefe do vilarejo disse que estava impressionado em ver como nós sete cuidamos uns dos outros mesmo diante daquela situação. Aquilo me encorajou a permanecer na fé apesar do que estava acontecendo".

"Muitas pessoas me perguntaram como eu não tinha abandonado a fé ainda", acrescentou Makan. "Meu encarceramento abriu portas para que eu pudesse falar da minha fé para outras pessoas".

"Eu ainda o sigo porque ele vale a pena", disse Akamu. "Jesus Cristo é a verdade e eu continuarei a contar para as pessoas sobre ele. Além disso, o que temeremos, agora que temos a certeza do céu?"

Pedidos de oração• Louve ao Senhor por ele ter mantido Akamu, Inoke, Keoki, Makan, Bane, Kanoa e Mele debaixo de suas asas durante o período na prisão. Agradeça ao Senhor pela decisão que eles tomaram em permanecer fiéis a Jesus, apesar da pressão de seus amigos e familiares e renda graças a ele pela sua libertação. 
• Ore para que a Igreja Perseguida no Laos não perca as esperanças. Peça ao Senhor para confortá-los e fortalecê-los em sua dificuldade.
*Todos os nomes foram modificados por motivo de segurança dos cristãos.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoCecília Padilha

Preciso encontrar os cristãos perseguidos porque… (15)

…eles me mostram que a vontade de Deus sempre é cumprida, já que ele transforma obstáculos em instrumentos
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A Igreja Perseguida nos ensina que todos nós somos agentes ou instrumentos da vontade de Deus. Nesse mundo, temos apenas duas escolhas: escolher fazer a vontade de Deus, cooperando com Deus; ou desafiar o Senhor e fazer nossa própria vontade, inadvertidamente.

“Lembre-se, nosso Deus é tão grande que mesmo os perseguidos o servem”, disse um pastor chinês ironicamente. Ele estava se referindo ao maior perseguidor da igreja chinesa, Mao Tsé-Tung, que lançou a mais feroz campanha anticristã do século XX, na década de 1960. Chamada de “Revolução Cultural”, ele varreu todas as igrejas do país, queimou Bíblias e aprisionou pastores.

No entanto, tudo o que ele conseguiu fazer foi empurrar a igreja para o mundo subterrâneo, onde ela passou a ser embutida na estrutura familiar e na cultura chinesa de uma forma que 300 anos de evangelização não puderam realizar. Desse fogo, emergiu o maior avivamento do mundo – onde a igreja cresceu de dois milhões de fiéis no final dos anos 1970, para 60 milhões nos dias de hoje.

“Costumamos dizer”, sorriu o pastor, “que temos de agradecer ao Mao – que pensou que estava aniquilando a igreja – e acabou provocou o maior avivamento de todos os tempos. Ele pensou que estava matando a igreja, mas, durante todo o tempo, ele estava fazendo um pré-evangelismo. Deus riu por último. Glórias a Deus! Ele sempre cumpre a sua vontade.”

Esta verdade também já apareceu na Índia. Em 1997, a violência contra os cristãos aumentou graças ao resultado da eleição de extremistas hindus. O efeito do extremismo foi levar milhares de pessoas pertencentes às castas hindus mais baixas à igreja. Quanto mais os extremistas perseguiam os cristãos, mais hindus moderados eram puxados para a igreja. Um evangelista cristão disse em Bombai certa vez: “Os maiores evangelistas de Deus nesse país são os extremistas hindus. Com sua violência, sede de sangue e fanatismo, eles provocam repulsa nas castas inferiores, ao ponto de eles dizerem: “Por que temos de ficar abaixo da sociedade hindu, quando essas pessoas terríveis nos oprimem? Ao invés disso, vamos nos juntar aos cristãos.”

Atrevo-me a sugerir que mesmo Osama Bin Laden fez a vontade de Deus. Muitos missionários em todo o mundo muçulmano reportaram que, desde o fatídico ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2011, surgiram todos os tipos de novas conversões ao Senhor por parte de muçulmanos moderados. Estes muçulmanos foram abalados por ações extremistas e muitos, pela primeira vez, consideraram a fé cristã mais viável em suas vidas.

Esta é a gloriosa verdade que os cristãos perseguidos nos despertam! Que, de uma maneira ou outra, todo mundo acaba realizando a vontade de Deus. Mesmo aqueles que colocam obstáculos no caminho da igreja, já que Deus transforma os obstáculos em instrumentos para o cumprimento de sua vontade.

Isto significa que nós não devemos nos desesperar quando pensamos que as condições para o florescimento de nossas vidas cristãs são menos que perfeitas.

Um cristão em uma democracia asiática disse: “Eu costumava pensar que, por causa de alguns líderes corruptos, não havia chances de Deus abençoar nossa igreja aqui. Mas, quando eu olho para os cristãos perseguidos, eu os vejo se regozijando, certos de que a vontade de Deus segue em frente, mesmo eles estando em condições desfavoráveis.” Este cristão aprendeu a enxergar como Deus está fazendo sua vontade ser cumprida através das mesmas pessoas que todos acreditavam estarem destruindo a Igreja.

Deus, provavelmente, ri muito de tudo isso. Eu me lembro de três professores na universidade me dizendo que eles tinham se tornado cristãos como resultado de terem lido o livro de Bertrand Russell, de título “Por que eu não sou cristão?”. Russell era um distinto filósofo de Cambridge e, muitos leram o livro esperando que um poderoso argumento contra Deus fosse apresentado. Mas, como um dos professores disse, “Russell conseguiu ser tão convincente com relação a alguns argumentos insignificantes, que somente serviram para me mostrar uma coisa chamada cegueira espiritual. Eu acreditei.”

Pegue seu pior inimigo, uma característica de sua vida, sociedade ou igreja que lhe causa mais desespero, então coloque sua mente para funcionar e pense: como Deus trabalhará sua vontade por meio deste obstáculo?

Você não tem filhos? Talvez Deus esteja usando isso para te dar um grande ministério, que seria impossível com a responsabilidade de uma família. Você está dependente? Talvez Deus queira te mostrar sua glória e fazer de você uma pessoa mais humana. Talvez nós não tenhamos uma resposta para nossos dilemas, mas isso é excitante de se tentar, porque nós sabemos que todos nós somos um agente voluntário ou involuntário da vontade de Deus. Lembre-se sempre: o Senhor transforma os obstáculos em nossas vidas em instrumentos da sua vontade!

O texto acima foi retirado do livro “15 razões por que precisamos ter um encontro com a Igreja Perseguida” (tradução livre), de Ron Boyd-MacMillan, diretor estratégico da Portas Abertas Internacional.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoJussara Teixeira

domingo, 22 de dezembro de 2013

Preciso encontrar os cristãos perseguidos porque… (14)

… eles me lembram que eu estou em uma luta constante
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Sempre me fazem a mesma pergunta: “Em sua experiência, viajando por tantos anos pelas comunidades perseguidas em todo o mundo, qual você diria que é a maior diferença entre um cristão perseguido e um cristão livre?”.

Em 20 anos, minha resposta não mudou: “Na Igreja Perseguida, cristãos percebem que estão em perigo, e vão a Deus por causa disso. Na Igreja livre, os cristãos esquecem que estão em perigo, ou em uma luta constante e, mesmo quando eles se lembram, nunca conseguem encontrar tempo para ir a Deus por causa disso.”

Cristãos perseguidos sabem que estão em uma luta. Todos os dias eles batalham. Não ser consciente sobre a luta espiritual diária pode ser o sinal certo de que se está perdendo a batalha pela vida. O antigo salmista olhou para a abastada elite de Israel e disse: “Eles não passam por sofrimento” (Sl 73.4 NVI). Eles teriam lutas se eles desejassem agradar a Deus. Mas, muitos cristãos no mundo de hoje, parecem surpreendidos com a realidade das lutas cotidianas.

Quais lutas os perseguidos nos alertam a enfrentar?

Existe, primeiro de tudo, a batalha em que nós sempre estamos. Todos que já visitaram comunidades perseguidas voltam com uma renovada valorização da batalha espiritual em que nós sempre estamos envolvidos. Nós temos que lutar contra nossos corações relutantes, que estão atolados em pecado e não querem encarar a Deus. Por que nós sempre temos que nos forçar a orar? Porque o nosso coração é relutante. Nós temos que lutar contra um mundo ofuscante, que deslumbra e distrai, tentando nos desorientar de nossa natureza e propósito. Nós também temos de lutar contra o diabo enganoso, que está sempre nos alimentando com mentiras como “você não é bom” e “Deus não se importa com você”.

O grande pregador vitoriano Charles Spurgeon disse uma vez: “O diabo não perde tempo chutando um cavalo morto.” Ele quis dizer que se você não está consciente sobre lutar uma batalha diária contra sua própria carne, o mundo e o diabo, isso significa uma só coisa – você já perdeu a batalha! É tempo de se reintegrar então!

Em segundo lugar, há a batalha de que é necessário nos despertar para lutar. Uma cristã perseguida disse na Palestina: “Quando você se torna cristão de verdade, você é despertado para o fato de que o mundo inteiro jaz no maligno”. Isso reflete na sua própria cultura. A cristã afirmou: “Você tem de lutar contra o que a sua cultura cultua”. 

No caso dela, ela precisou lutar contra um grupo de palestinos extremistas, que arriscavam tudo para matar israelenses. Posicionando-se contra isto, ela se esforçou para explicar sua atitude a seus vizinhos, que pensavam que ela estava sendo “antipatriótica”. 

Nós temos que encarar a mesma questão – o que nossa cultura está cultuando? Sobre isso, é como Francis Shaeffer disse uma vez: “o deus da paz e prosperidade pessoal”, onde nós não nos importamos sobre o que está acontecendo no mundo, desde que nosso espaço e prosperidade não sejam afetados.

Um grupo de oração no centro-sul de Los Angeles tinha plena convicção de que toda uma geração de jovens estava cultuando armas, e a sociedade dominante – por meio do cinema feito em Hollywood – estava promovendo isso. Eles se posicionaram contra isso e a casa onde se encontravam para orar recebeu uma rajada de balas em um tiroteio que partiu de um carro – na mesma noite em que estavam orando!

Outro grupo eclesiástico em Sheffield, Inglaterra, acreditava que, assim como os perseguidos estavam indefesos para compartilhar suas batalhas com o mundo, a maioria do grupo “sem voz” em sua própria sociedade eram crianças não nascidas. Ninguém podia ouvir suas vozes dentro do útero e, antes disso, milhões dessas vozes já haviam sido silenciadas. Essa batalha está acontecendo o tempo todo em nossas sociedades. É a mesma batalha.

Finalmente, existe a batalha que nós precisamos criar. O Irmão André conta a história do encontro com o pastor Haik, do Irã, que disse a ele em 1993: “André, quando eles me matarem, isto será por que falei, e não por fiquei em silêncio.” Haik foi morto em 1994. Se ele tivesse permanecido em silêncio sobre a situação do cristão Mehdi Dibaj, Haik estaria vivo. Mas ele escolheu entrar, e até mesmo criar, o conflito, em busca de justiça.

O fato é que nós podemos evitar as lutas, se quisermos. Cada um de nós temos a escolha de falar, desafiar o poder vigente, e trazer a batalha à tona. Caso contrário será uma fragorosa vitória para o inimigo.

Cristãos perseguidos estão sempre em luta. Eles lutam o tempo todo, contra seus próprios pecados, contra as idolatrias em sua própria sociedade, e contra a orquestração do mal que está aí fora para levar a nossa adoração para longe de Deus. No entanto, estas lutas devem marcar nossas vidas e igrejas, tão certo como o diabo não vive exclusivamente na China ou Colômbia. O apóstolo Paulo censurou os crentes de Coríntios porque eles são ricos, sábios, e honrados, e ele foi pobre, espancado e perseguido (1 Cor 4.8-13). Um tipo de paz e honra que não é para este mundo, mas para o próximo. Este mundo é o lugar para a batalha. Qual é a sua batalha? Qual é a minha?

Os perseguidos nos forçam a perguntar. Todos devemos ter a nossas próprias batalhas diárias e constantes!

O texto acima foi retirado do livro "15 razões por que precisamos ter um encontro com a Igreja Perseguida" (tradução livre), de Ron Boyd-MacMillan, diretor estratégico da Portas Abertas Internacional.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoJussara Teixeira

Preciso encontrar os cristãos perseguidos porque… (13)

…eles me ajudam a amar o mistério da vontade de Deus
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A vida cristã envolve viver com o mistério. Muitas vezes, a vontade de Deus é totalmente incompreensível para nós. É assim mesmo que deveria ser, já que os caminhos de Deus são muito maiores do que os nossos, mas isso não significa que seja mais fácil conviver com ele. Viver com mistério é difícil.

Uma reação que tenho notado entre os cristãos de todo o mundo é tentar transformar mistérios em problemas. Este é um caminho falso. Os problemas são questões "lá de fora" que podem ser resolvidos. Como colocar um homem na Lua é um problema, e não um mistério. Um problema sempre pode ser resolvido com tempo suficiente, recursos e engenho humano.

Por exemplo, o mal que existe no mundo é um mistério, não um problema. Mistérios não podem ser resolvidos.  Chegar a um acordo sobre eles é perfeitamente possível. Podemos tentar tratar o mal como um problema, por meio da oração para a cura ou libertação, ou introduzir uma melhor educação, ou a eleição de líderes morais mais fortes, e assim por diante, mas por mais que tentemos, ele não vai embora. Nós nunca poderemos resolver o "problema" do mal. É um mistério. Nós tentamos entendê-lo da melhor maneira possível, mas temos que viver com ele.

Cristãos perseguidos não são diferentes dos demais cristãos em muitos aspectos. Eles são cheios de falhas, equívocos e pecados – assim como os cristãos da Igreja brasileira. Também nesta questão de lidar com o mistério da vontade de Deus, apresentam as mesmas características.

O mistério deve ser vivenciado em silêncio, humilde e cuidadosamente. Nós não devemos ter pressa para explicar o que não pode ser explicado. Lembro-me de uma visita à China onde conheci a casa de um famoso líder da igreja. Nós estávamos falando sobre avivamento.

Avivamento é um mistério. Por que Deus traz para alguns países e não a outros? Nós não sabemos. Este líder disse que sabia: "Oh, não há mistério para o avivamento. Avivamento é provocado pela perseguição. Você ora por perseguição, e você vai ter avivamento mais tarde."

Mas, isso é completamente controverso. Muitos irmãos da Igreja Perseguida desconhecem a história da Igreja em todo o mundo. Deus tem trazido avivamento sobre aqueles que não sofrem perseguição. Os grandes avivamentos do século 18 da América e Grã-Bretanha, por exemplo, foram trazidos em grande parte como resultado da pregação de Whitefield e Wesley. Também é notável que há lugares onde a perseguição não trouxe avivamento. Da  África do Norte e Oriente Médio, surgiram muitos líderes da Igreja primitiva, como Tertuliano e Agostinho. Agora, só há as ruínas de areia de igrejas e a crescente ascensão do islamismo.

Os mistérios também devem nos fazer mais honestos. Temos de admitir que "não conhecemos" a Deus. Mas, muitas vezes pedimos para obter respostas, que nós simplesmente não conseguimos manusear.

Mas, se eu olhar para as experiências, ao invés de olhar para as explicações dos cristãos perseguidos, percebo que, no coração do mistério, não há frustração, mas alegria e graça. O mesmo líder chinês – tão confiante porque sabia a fórmula para o avivamento – também compartilhou uma experiência na prisão: "Eu tinha perdido a minha igreja, minha liberdade, e eu estava começando a perder a minha saúde, então eu gritei a Deus: ‘Por que o Senhor está me deixando passar por isso?’”

Ele não recebeu resposta formal, mas disse: "Eu senti uma luz dentro de mim que afugentou a escuridão, e eu recebi a companhia de Cristo. Eu não posso explicar mais do que isso, embora Deus saiba que eu tentei. Isso nunca dá certo. Mas o mistério da vontade de Deus foi o que me permitiu repousar sob a confiança de Cristo.”

Mistérios parecem escuros como buracos negros, mas quando entramos neles, nos encontramos diante de uma descoberta maravilhosa. No centro não há escuridão, mas luz. Esta luz é a luz de Cristo. Paulo descreveu a si mesmo como um "mordomo dos mistérios de Deus." (1 Coríntios. 4.1). Este mistério é o mistério do amor. Não tenha medo do mistério de Deus. É escuro do lado de fora, mas cheio de luz no interior.

O texto acima foi retirado do livro "15 razões por que precisamos ter um encontro com a Igreja Perseguida" (tradução livre), de Ron Boyd-MacMillan, diretor estratégico da Portas Abertas Internacional.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoAnne Karen Oliveira

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Preciso encontrar os cristãos perseguidos porque... (12)

... eles me ajudam a manter a minha fé simples
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Em sua primeira visita aos Estados Unidos, eu levei o chinês, professor de estudos bíblicos, a uma livraria cristã. Eu não estava preparado para a reação dele.  Pensei que ele seria esmagado pela variedade de Bíblias, auxiliares de leitura, livros e material de multimídia.  Ele foi, mas não da maneira que eu esperava. Ele parou no meio da loja, virou-se para mim e disse:

- "Deve ser muito difícil ser cristão aqui."
- "Por que você diz isso?", perguntei.
- “Como você vai manter a sua fé de forma singela, com tudo isso disponível?”

Caminhamos ao redor da loja e ele me explicou o que queria dizer. Pegou cinco livros da prateleira. Todos tinham títulos semelhantes, como "Segredos para uma vida cristã feliz." Ele folheou-os e disse: "Cada livro parece dizer que há um segredo para se viver uma vida feliz com Jesus, mas são todos diferentes. Isso é confuso".

- "Bem, isso é apenas marketing", eu expliquei, um pouco defensivamente.

Mas ele continuou. "Isso significa que eu tenho que comprar os cinco livros para realmente conhecer a Cristo? Isso me deixa aflito. Se eu não comprar todos, como poderia estar ciente dos segredos? Sempre vai faltar um. E eu terei de comprar mais livros. Em breve, eu teria mais livros do que eu conseguiria ler, e eu não seria feliz, mas culpado por ter gasto dinheiro em todos esses livros que eu não tenho tempo para ler".

Ele colocou os livros no chão e disse calmamente: "Na China, eu orei a Deus para me trazer livros. Ele enviou-me, mas em média recebia quatro por ano. Então, eu li esses livros completamente. Copiei as passagens. Fiz resumos para os professores. Aprendi pedaços inteiros de cor. Esses livros realmente me formaram. O ponto que eu estou tentando explicar é que, se você tem muitos livros, é difícil ler um adequadamente. Eu não estou dizendo que é impossível, apenas difícil. E essa variedade, na verdade, faz a fé ser mais complicada do que realmente é.”

“É verdade”, prosseguiu ele, “e é muito difícil ver que estamos constantemente seduzidos pelo mais recente, o melhor, o novo, mesmo dentro da cultura cristã. A perseguição poda a vida até a sua essência, e mantém a prática da fé simples. Meu amigo voltou à China para manter as rotinas básicas que lhe deram vida. Como ele disse, ‘todos os dias, certifique-se de orar, testemunhar aos outros, e acima de tudo, louvar a Deus’.

Ele me ensinou um hábito diário que aprendeu na prisão. ‘Toda manhã, quando você acordar, não se levante, fique na cama e por dez minutos agradeça a Deus por tudo o que vem em sua mente. Pode ser pelo papel de parede, pode ser pelos amigos, ou só por sua vida. Qualquer coisa. Depois que você passa, descobre que o mundo é cheio de graça. Graça de Deus. Com essa atitude você está pronto para viver o dia para Deus – porque você está plenamente cheio com o quão generoso Deus é para você, para todos’.”

O texto acima foi retirado do livro "15 razões por que precisamos ter um encontro com a Igreja Perseguida" (tradução livre), de Ron Boyd-MacMillan, diretor estratégico da Portas Abertas Internacional.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoAnne Karen Oliveira

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Preciso encontrar os cristãos perseguidos porque... (11)

… eles me lembram da necessidade de cantar com meu espírito
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Certa vez, passei uma semana na companhia de uma famosa evangelista chinesa. Muitas características a destacavam: sua coragem, suas longas horas de joelhos, sua simplicidade de fé cuidadosamente cultivada. Mas, na ocasião, estas não foram as características que me marcaram e terminaram transformando minha fé. Aquilo que me impressionou nela foi o mesmo que me impressionou em todos ao seu redor: eles estavam sempre cantando!

Três características destes cantos foram marcantes.

Em primeiro lugar, os hinos em si não eram nem um pouco profundos. Em termos de conteúdo, eles não tinham profundidade teológica e fraseado poético. Wesley ou Newton não se orgulhariam destas contribuições.

Em segundo lugar, eles não cantavam muito bem. De qualquer modo, os chineses não são famosos por suas habilidades harmônicas. Eles gorjearam, zumbiram e berraram. Tudo com uma completa negligência melódica.

Em terceiro lugar, eles cantaram principalmente para si mesmos. Certamente, eles cantavam em grupos e uns com os outros, mas a maioria de suas músicas foi feita por eles e para eles mesmos.

Mas tudo isso não importa. As músicas funcionaram! Enquanto viajava pelas proximidades, me lembrei de um amigo cineasta que, aos seus 70 anos, fez um filme com um elenco infantil. Ele comentou mais tarde: "Tinha me esquecido completamente de quanto as crianças riem. O set estava sempre repleto de risos, e eu pensei, onde perdemos o riso quando adultos?"

Tive uma experiência parecida. Viajar com estes cristãos perseguidos me fez perceber que eu havia esquecido o quanto os cristãos cantam louvores. Recordo-me que eu cantava somente na igreja ou em um coro ocasional em um grupo doméstico. Nunca havia realmente cantando hinos para mim mesmo. Não tenho uma voz extremamente boa para cantar e sentia que deveria deixar isto para aqueles que eram bons nisso. Mas, depois de ouvir as vozes da Igreja Perseguida da China cantando, praticamente, o tempo todo, e notar a diferença espiritual que isso causava neles, me perguntei: 'Por que não canto para mim mesmo; para meu próprio espírito, ou por que não vejo o canto como um ministério de encorajamento?"

Eis dois exemplos. Havia uma evangelista, cujo nome era Yang. Ela foi visitada por outro pregador que estava muito abatido. Ele queria comprar um toca-fitas, mas não tinha dinheiro. Yang se sentou e começou a cantar sozinha. Sua voz era forte e irregular, a melodia era pouco perceptível e as palavras eram simples:

Sou um peregrino, meu lar está no céu
A vida é passageira, nosso lar está no céu
Neste mundo, temos muitas provações, tristeza e doença
A verdadeira felicidade não está neste mundo, mas no céu.

Yang cantou como se estivesse diante do próprio Senhor. Cada palavra era derramada de seu coração com total convicção. Lágrimas rolavam em seu rosto, suas mãos apertavam o ar. Logo, o pregador visitante se juntou a ela, e eu os observei, “rugindo” o hino juntos, ambos sorrindo. O pregador partiu, ainda sem dinheiro para seu almejado toca-fitas, mas revigorado e encorajado.

Observei novamente uma manhã, quando a Yang foi ao monte para orar. Segui-a a uma distância discreta. Primeiramente, ela orou por vinte minutos; então, ela cantou, caminhando, por mais vinte minutos. Durante a hora seguinte, ela leu sua Bíblia, fazendo anotações, planejando os sermões do dia. Depois disso, ela cantou novamente por mais meia hora.

Confessei que eu a tinha espionado e perguntei: “Por que você canta tanto quando não há pessoas para ouvir”? Ela respondeu: “Meu pai me disse uma vez: ‘Uma das coisas mais doces sobre a vida cristã é que você fará algo porque lhe é ordenado, então, passará o resto de sua vida obtendo uma visão mais profunda do porquê os mandamentos de Deus são tão bons’. Cantar é um mandamento. Nos Salmos, somos constantemente exortados a  cantar louvores ao nosso Deus. Mas, quanto ao por que, confesso que é um desses mistérios maravilhosos que meu pai me falou. Veja, enquanto eu estava na prisão, pude orar e ler a Bíblia, mas nada elevou meu espírito como cantar. Talvez seja porque cantar, de alguma maneira, concentra todo o meu corpo em louvor a Deus, mas descobri que é o essencial para a manutenção de um espírito confiante”.

Em seguida, ela parecia constrangida. Eu perguntei: “O que houve? Você estava prestes a dizer algo, mas ficou relutante”. Ela explicou: “Bem é que uma senhora me disse algo que realmente resume a  principal razão do meu cantar. Ela falou: ‘Nossos espíritos são como flores, e a música é como o sol. Assim como as flores só se abrem realmente quando o sol brilha; nossos espíritos somente florescem quando cantamos’. Acredito nisso. Não sei como, mas é verdade. Desde minha prisão, não posso viver sem música, e estou com muito medo que a China fique mais aberta, e as igrejas mais organizadas, pois deixaremos o ato de cantar para os profissionais. Isto seria terrível. Só se pode ter um florescer espiritual completo cantando”.

Quando voltei ao meu país, escolhi meus sete hinos favoritos. Dois deles são: “Nele descansamos, nosso escudo e nosso defensor,” e “Sopre em mim o sopro de Deus”. Estudei-os, e durante meus momentos de quietude, cantei com meu espírito. Constatei a verdade nas palavras de Yang. Uma canção eleva o espírito como nada mais.

E, quando leio a Bíblia, noto como cantar era uma prática central de fé.  Os israelitas cantam o tempo todo no templo; os prisioneiros Paulo e Silas cantam na prisão; na Igreja primitiva, cantavam uns aos outros; e o clímax das Escrituras está na visão de João do grande trono no Apocalipse. O que está para acontecer no mais santificado lugar, senão o cantar de uma “nova canção”?

Obrigado, Igreja Perseguida, por restaurar um componente-chave que havia se perdido do meu momento de quietude.

O texto acima foi retirado do livro “15 razões por que precisamos ter um encontro com a Igreja Perseguida” (tradução livre), de Ron Boyd-MacMillan, diretor estratégico da Portas Abertas Internacional.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoSuzana Barreto