domingo, 30 de junho de 2013

A Igreja é o Evangelho Tornado Visível - Mark Dever



Por Mark Dever. © T4G | Together for the Gospel. Todos os direitos reservados. Original: False Conversions: The Church is the Gospel Made Visible
Tradução: Alan Cristie. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel – Ministério Fiel © Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: A Igreja é o Evangelho Tornado Visível – Mark Dever (Pregação Completa)

sábado, 29 de junho de 2013

Não vou parar no meio do caminho

Não quero mais começar no domingo depois do culto e terminar na segunda ao sair da cama. Não quero mais começar em casa e parar na próxima esquina. Não quero mais prometer mundos e fundos e nada fazer. Não quero emitir cheques sem fundo, como na história do homem que começou a construir uma torre e não a terminou, pois não calculou primeiro o preço para ver se tinha dinheiro necessário para finalizá-la (Lc 14.28-32).
 
É isso mesmo! De hoje em diante, com a ajuda de Deus, vou começar primeiro e terminar depois. Vou dar o primeiro, o segundo, o terceiro, o décimo, o centésimo, o milésimo passo. Vou permitir que o primeiro começo abra o segundo, e este abra o terceiro, e assim sucessivamente, até não haver nenhum outro começo.
 
Anima-me a não mais parar no meio do caminho o exemplo do filho mais novo do fazendeiro rico da parábola de Jesus. Era grande a distância entre o lugar onde ele estava e a fazenda do pai. Era muito grande a diferença entre o chiqueiro dos porcos e a sala do bezerro gordo que o esperava. No entanto, ele se levantou, deu o primeiro passo e todos os demais até chegar e ser abraçado pelo pai (Lc 15.17-20).
 
Anima-me a não parar no meio do caminho o exemplo de Salomão, que começou a construir o templo do Senhor no segundo mês do quarto ano do seu reinado (1Rs 6.1) e no oitavo mês do décimo primeiro ano “o templo foi terminado em todos os seus detalhes” (1Rs 6.38).
 
Anima-me a não parar no meio do caminho o exemplo do rei Josias, que começou a buscar a Deus mais sinceramente no oitavo ano do seu reinado e no décimo segundo ano começou a purificar Judá e Jerusalém dos altares idólatras e a andar nos caminhos de Deus sem desviar-se para a direita nem para a esquerda, até o trigésimo ano do seu reinado, quando morreu (2Cr 34.1-8).
 
Começar é bonito, mas começar e não terminar é muito feio. É melhor não haver o bonito para não haver o feio. Porém, de hoje em diante, com a ajuda de Deus, vou começar e terminar! Vou abraçar o que é bonito e mandar embora o que é feio.
Vou me lembrar sempre daquela passagem de Zacarias que diz: “Os que não deram valor a um começo tão humilde vão ficar alegres quando virem Zorobabel terminando a [re]construção do templo” (Zc 4.10). Este será o meu farol: valorizar tanto o dia dos humildes começos, como o dia da formatura ou da missão cumprida!
 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Fontes de perseguição no mundo muçulmano: família e comunidade

Dentro de países islâmicos, a Igreja é formada basicamente por dois grupos: os cristãos de origem cristã, cujos ancestrais praticam o cristianismo há gerações; e os ex-muçulmanos, que são de origem islâmica, mas que abandonaram o Islã e agora seguem a Cristo. Esses dois grupos sofrem perseguição por causa de Jesus, e elas vêm de diversas fontes. Conheça, a seguir e nos próximos dias, os principais agentes da perseguição no mundo muçulmano
Os laços familiares e comunitários são muito fortes em algumas sociedades. É importante entender que a família é a principal detentora dos princípios e deveres da fé, crenças e práticas religiosas, e que é através de uma família bem estruturada e saudável que se pode construir uma comunidade e sociedade sadias. Portanto, abandonar a fé islâmica não significa apenas deixar de ler o Alcorão (livro sagrado do islamismo), de orar cinco vezes por dia ou parar de frequentar a mesquita. Significa também envergonhar a família diante da sociedade. Isso automaticamente destruirá relações familiares e comunitárias.

O indivíduo numa sociedade muçulmana é criado e disciplinado nos princípios religiosos e não deve agir segundo suas próprias convicções, mas segundo o conceito religioso existente na comunidade. É por isso que um muçulmano, quando se converte a Cristo, sofre tanta perseguição, a começar pela sua própria casa, e muitas vezes opta por praticar sua fé secretamente, pois, expor tal escolha à comunidade ou à família trará consequências dolorosas como a quebra de vínculos afetivos, a rejeição e o isolamento social.
FontePortas Abertas Brasil

“Devemos estar preparados para sofrer”

A Igreja chinesa está mudando, mas há algo que permanece igual: tem muito trabalho a ser feito. Cristãos chineses estão em um período fundamental: vê-se mais liberdade religiosa em um país onde a economia cresce a uma velocidade altíssima
O pastor Samuel Lam ainda é um dos pregadores mais conhecido na China. Ele esteve na prisão no período de 1958 a 1978, porque recusou-se a pregar o que foi imposto a ele pela Igreja Três Autonomias, uma Igreja regulada pelo Estado da China. O pastor Lam tem 88 anos de idade, mas ainda prega todas as semanas com o coração e a alma. 'Você não sabe o que vai acontecer amanhã. Hoje, as autoridades não estão nos incomodando. Amanhã as coisas podem ser diferentes”, relata ele.

É necessário fazer um zigue-zague pelas ruas estreitas da cidade a fim de chegar à igreja do pastor Lam. Não é uma congregação isolada, mas um bloco de casas de três andares. Em um bloco vizinho, mais dois andares também servem como parte da igreja. Sua memória ocasionalmente o deixa na mão, mas o pastor parece muito saudável. Com um largo sorriso no rosto, ele regularmente recebe visitantes internacionais em sua igreja: viajantes que por acaso estão na área, mas também jornalistas, cônsules e outras pessoas de alto escalão.

Prisão
Samuel Lam nasceu em 1924, filho de pais cristãos. Ele foi preso pela primeira vez em 1955. Sua sentença durou quase 18 meses. Em 1958, ele foi preso novamente e acabou detido por 20 anos. Ele viu sua esposa pela última vez durante os cinco meses em que esteve em prisão preventiva. Ela morreu em 1977, apenas um ano antes dele ser solto. Após a sua libertação, ele retomou seu trabalho como pastor, e vem fazendo este trabalho até o presente momento. Inúmeras vezes, ele foi interrogado e teve de passar noites em uma cela. Sua igreja foi ameaçada de ser fechada por diversas vezes. Mas nada pode silenciar esse homem que escolheu servir a Deus acima de todas as coisas.

Um sermão por semana
Toda semana, o pastor Lam frequenta quatro cultos diferentes. Há muitas pessoas em cada dia. “Eu já não prego mais em todos os cultos, só uma vez por semana ", diz ele. Para isso, ele se senta em uma das pequenas salas no piso superior do complexo. Nos outros quartos, que estão cheios de parede a parede com bancos de madeira, há telas de televisão em que o sermão pode ser seguido.

Preparado para a perseguição
Lam consegue ver claramente como a China mudou nas últimas décadas e como foi concedida mais liberdade aos cristãos. Ainda assim, ele quer ter certeza de que nada de ruim acontecerá aos cristãos. "Devemos estar preparados para sofrer. Devemos estar preparados para o fato de que podemos ser presos. Antes de ser enviado para a prisão, eu já havia preparado uma mala com algumas roupas, sapatos e uma escova de dentes. Quando eu tivesse que ir para a delegacia de polícia, eu poderia simplesmente pegá-la e sair. Eu estava pronto. As pessoas ainda estão sendo presas. Você não sabe o que vai acontecer amanhã. Hoje, as autoridades não estão nos incomodando. Mas amanhã as coisas podem ser diferentes. Oro para que recebamos força para nos mantermos  firmes até o final”, concluiu ele. 
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoTamires Marques

Por que orar pela Igreja no mundo muçulmano?

Em 1990, enquanto todo o mundo celebrava o fim do comunismo, simbolizado pela queda do muro de Berlim no ano anterior, o Irmão André alertava: "O desafio do islamismo é ainda maior do que o do comunismo. A questão não é mais ‘Deus existe?’, e sim ‘Quem é o seu Deus?’"
"O islamismo está zelosamente determinado a fazer que o mundo inteiro seja muçulmano. Seus líderes usam todos os meios disponíveis – como recompensar financeiramente as pessoas ou lhe dar bons empregos – para premiar quem se torna muçulmano. Eles têm discriminado os não muçulmanos e pregado sua mensagem vigorosamente. Mas deixe-me ser claro. A Portas Abertas não está combatendo o comunismo ou o islamismo. A Portas Abertas suporta a Igreja onde ela sofre opressão ou perseguição, seja pelas mãos de comunistas ou muçulmanos, não faz diferença. Ainda assim, é verdade que os cristãos em países muçulmanos têm um destino ainda mais duro do que seus irmãos em países comunistas", afirmou o fundador da Portas Abertas. 
Com essa visão em mente, o ministério internacional da Portas Abertas lançava, pouco tempo depois, a campanha "Dez anos de oração pelo mundo muçulmano".Vinte e três anos depois da fala do Irmão André, pouca coisa mudou. O islamismo vem ganhando força. Mais cristãos têm sofrido. E a Portas Abertas continua ao lado deles. Mas isso significa que os dez anos de oração não causaram mudança? De forma alguma.

Um missionário brasileiro radicado no Oriente Médio comentou recentemente sobre essa campanha: "O resultado da campanha de dez anos de oração é evidente no mundo muçulmano. A Igreja secreta, formada em sua maioria por ex-muçulmanos convertidos, cresceu de forma estável e significativa. Tivemos conversões de figuras importantes dentro do islamismo. Uma geração de líderes locais se formou, e estes, em muitos países, lideram a evangelização sem ajuda missionária. A Igreja secreta cresceu e assumiu sua responsabilidade de cumprir a missão deixada a nós pelo nosso Senhor Jesus."
Durante o mês de julho, a Portas Abertas vai promover uma campanha de oração pela Igreja no mundo muçulmano. A cada dia, um testemunho diferente, com pedidos de oração. Comecemos com 31 dias, até que essa oração se torne uma prática diária: "Senhor, abençoe sua Igreja no mundo muçulmano".
FontePortas Abertas Brasil

Adolescente etíope, vítima de ataque, fala sobre o ocorrido

“Meu nome é Ashmelash. Tenho 16 anos. Venho de uma região da Etiópia em que tradições gerais são mais importantes do que o evangelho. Muitas pessoas da minha comunidade não gostam do que minha igreja está fazendo. Eles não gostam que ajudemos os jovens a entenderem a mensagem da Bíblia. Acham que a igreja está roubando seus jovens”
“No domingo (28 de abril), estava caminhando com outros jovens para uma conferência da igreja. Estávamos muito entusiasmados com a conferência, porque Deus estava fazendo coisas maravilhosas lá: no dia anterior, dez pessoas decidiram seguir a Jesus Cristo.

Em nosso grupo haviam crianças de até 8 anos, algumas novas convertidas, e outras pessoas que estavam indo à igreja pela primeira vez.

No momento seguinte, um grupo grande de pessoas nos pararam. Eles pareciam bravos e estavam carregando paus e pedras. Em poucos minutos, eles começaram a nos bater. Tudo aconteceu muito rápido. Nós tentamos escapar, mas não conseguimos.

Não estou certo de quanto tempo exatamente durou o ataque. Mas, depois do acontecido, a única coisa que sabia é que Getu (8), Hannah (14), Sara (12) e eu estávamos em uma clínica. Nós tivemos muitas contusões e feridas em nossas cabeças e corpos. Outros quatro também tiveram feridas, mas eles não precisaram ir para o hospital. Acredito que foi um milagre não termos nos machucado mais gravemente.

Os líderes de nossa igreja nos ajudaram muito após o ataque. Falamos sempre sobre o que aconteceu e oramos juntos. Isso nos fortalece e traz cura.

Nossos líderes reportaram o ataque à polícia, que não fez nada. Agora os líderes tradicionais acusam os líderes da igreja de invadirem e roubarem suas propriedades. Os líderes da igreja, na verdade, não estão surpresos porque esse tipo de situação sempre ocorre.

Estamos muitos felizes com a visita de colaboradores da Portas Abertas. Eles vieram assim que souberam o que tinha acontecido com a gente. Obrigado por vir para a nossa cidade para orar com a gente e nos encorajar.

Por favor, continue orando por nós. Ore para que mais pessoas decidam seguir a Cristo. Ore para que não tenhamos medo e paremos em nossa fé – especialmente os mais jovens. Por favor, interceda também por todas as pessoas de nossa comunidade, para que elas percebam a verdade, os líderes da igreja não roubaram nada.”
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoJaqueline Góes

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Como orar e o que pedir?

“Orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos” (Mt 6.7)
O estudo bíblico de hoje foi desenvolvido a partir do artigo O Pai-Nosso e as bem-aventuranças para hoje, do professor Paul Freston, publicado na edição 330 da revista Ultimato.

COMO ORAR E O QUE PEDIR?
Texto básico
Mt 6.5-13; 5.1-12
Textos de apoio
Mt 6.25-34
Mt 6.19-21, 24
I Tm 6.6-10, 17-19
I Jo 2.15-17
I Jo 3.18
Mq 6.6-8
Introdução
No “Pai-Nosso” (Mt 6.9-13), a prioridade é orar pela vinda do Reino do Deus celestial e pela realização da sua justiça (9, 10), confiando que as necessidades terrenas serão supridas, nos âmbitos físico (11), emocional (12) e espiritual (13a). Nas “Bem-Aventuranças” (Mt 5.3-12), o Reino dos céus também recebe a primazia (3), sendo os sofrimentos transitórios advindos da ação motivada por justiça (6, 10) suportados pela alegria da glória eterna proposta (12).
Portanto, Jesus nos ensina a buscarmos em primeiro lugar, tanto em oração quanto em ação, o Reino de Deus e a sua justiça, certos de que o Pai nos céus nos acrescentará o necessário para o “hoje” nesta terra (Mt 6.33, 34). Se nos submeteremos ou não ao seu ensino será uma conseqüência do nosso coração e do senhor a quem este amará: se a Deus, com seus tesouros perpétuos, ou ao príncipe deste mundo, com seus tesouros efêmeros (Mt 6.19-21, 24).
Para entender o que a Bíblia fala (Discussão)
a) Os pagãos pensavam que a falta de repetição dos pedidos em oração faria com que não fossem ouvidos por seus deuses, o que é rejeitado por Jesus em relação a Deus, o Pai (Mt 6.7, 8). De acordo com a Bíblia (e.g. Is 1.15-20; Tg 4.1-10), o que realmente faz com que orações não sejam atendidas pelo SENHOR?
b) Como as ordenanças relativas ao maná (Êx 16.14-26) e a noção de “pão” em Is 55.2a enriquecem a compreensão do sentido do pedido pela dádiva cotidiana do pão de cada dia (Mt 6.11)?O que se deseja evitar ao se fazer o pedido dessa forma (Pv 30.8, 9; Lc 12.15-21; Tg 4.13-16)? Como devemos lidar com as dádivas recebidas de Deus (Jr 9.23, 24; Et 4.14; Jó 1.21, 22; 2.9, 10)?
c) O que o salmo 131 nos ensina a este respeito, considerando que quem o escreveu foi o sábio, poderoso e rico Rei Davi?
d) Nas bem-aventuranças, Jesus nos ensina que, tendo fome pela justiça, seremos satisfeitos. Nesse contexto, compare o sonho de Salomão e sua concretização (I Re 3.5-15; 4.29) com a história de Amnom e Tamar (II Sm 13.1-15). Como esses textos ilustram a relação entre justiça e satisfação?
Hora de avançar
“Não se deixem mais distrair, cobiçando vaidades.”
Para pensar
Nossas orações e ações refletirão o que está no nosso coração (Lc 6.45; Mc 7.21, 22), se formos sinceros, não usando de hipocrisia (Mt 15.7-9). Nesse caso, o conteúdo e a forma do nosso falar e agir para com Deus e o próximo indicarão a essência dos nossos pensamentos e sentimentos e, mais profundamente, o objeto do nosso amor (I Jo 2.15-17). Orações ponderadas e submissas somadas ao zelo pela justiça evidenciarão um coração humilde, efetivamente constrangido pelo amor de Deus. Orações levianamente repetitivas e jactanciosas acompanhadas pela prática da iniqüidade revelarão corações orgulhosos, apaixonados pelos tesouros passageiros e incertos deste mundo. O convite da Bíblia é para que, acima de tudo (Pv 4.23), nosso coração esteja voltado para Deus e o próximo (Mt 22.34-40) e que nossas orações e ações reflitam, para fora, essa realidade interna irradiante.
O que disseram
“Eu vim a compreender o significado central do ‘coração’, repetidamente proclamado nas Santas Escrituras como sendo a raiz religiosa da existência humana.” (Dooyeweerd, Herman. A New Critique of Theoretical Thought. Amsterdam/Philadelphia: Uitgeverij H. J. Paris, Presbyterian and Reformed, 1953, Vol I, Foreword.)
“Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás.” (Sl 51.17.)
Para responder
O que o conteúdo e a forma de suas orações indicam sobre o seu coração?
O que suas ações evidenciam sobre suas motivações?
A que(m) você tem servido e amado, tomando por base seu falar e agir?
Buscar conhecer a vontade de Deus e viver em conformidade a ela tem sido sua prioridade cotidiana?
Eu e Deus
Viva na terra, orientado para os céus! Que suas orações e ações reflitam um coração que, depositado na eternidade celestial, vivencia com simplicidade e fé a peregrinação neste mundo.
Autor do Estudo Bíblico: Jonathan Simões Freitas

Filhos de pastor sofrem ataque na República Centro-Africana

"Ao chegar à casa do pastor Seguele, meu coração se compadeceu junto aos de tantas pessoas que lotavam o lugar. Sua esposa estava com os olhos inchados e vermelhos de tanto chorar"
Um colaborador da Portas Abertas relatou: "Uma semana antes de nosso encontro, o casal se tornou mais uma família cristã vitimada por rebeldes que ainda aterrorizam Bangui [capital da República Centro-Africana]".
O pastor Seguele e sua esposa estavam na igreja quando a invasão aconteceu. O casal entrou na casa da família, onde os seus três filhos, uma adolescente de 16 anos e dois meninos de 9 e 7 anos, estavam, sob os cuidados de uma empregada.
"Eles bateram na minha filha, além de intimidarem indecente e humilhantemente para que ela os levasse onde era guardado o nosso dinheiro. Ela não sabia nem se tínhamos dinheiro. O seu queixo ainda está inchado da surra."
Os rebeldes são conhecidos por sua brutalidade contra civis, e o casal é grato pela situação não ter acabado de maneira bem pior. Porém o medo que eles têm vivido é ainda muito forte e permanecerá por algum tempo.
A família precisará de tempo para se recuperar da perda de material que eles sofreram. "Nossa casa ficou de cabeça para baixo, por conta da busca pelo dinheiro. Nossos pertences - a TV, utensílios de cozinha, freezer, tapetes, gás, fogão e muitos outros aparelhos foram levados. Eles foram de cômodo em cômodo levando roupas pessoais e roupas de cama."
No complexo que é todo cercado, onde a casa está situada, estava o carro do pastor Seguele. Lá, alguns de seus amigos também estacionaram seus carros na tentativa de escondê-los dos rebeldes. A tentativa de roubar o veículo foi sem sucesso, mas com grandes prejuízos.
Conforme narrou ao colaborador da Portas Abertas, o pastor Seguele acredita que o ataque foi direcionado: "Alguém mandou que viessem até nós, principalmente porque ninguém mais foi saqueado."
Embora a população em geral sofra com a ilegalidade dos rebeldes, as instituições governamentais e os cristãos têm suportado o peso disso. Antes da crise, os cristãos na República Central da África gozavam de relativa liberdade. No entanto, desde o início da marcha dos rebeldes em Bangui, no início do ano, os cristãos têm enfrentado grande incerteza. A Portas Abertas informou sobre uma carta em que a Igreja Católica pediu ao presidente Djotodia, um ex-líder rebelde, para que ele se declarasse contra estupros, saques, extorsão e roubo, e para que explicasse a existência de uma carta onde ele mostra o desejo de transformar a República Central Africana numa república islâmica.
Pedidos de oração
  • Ore pela recuperação completa dos traumas dos filhos do pastor Seguele.

  • Interceda pela esposa do pastor Seguele que está fortemente abalada por tudo o que aconteceu. Peça para que Deus supra as necessidades por causa da enorme perda material que sofreram

  • Apresente ao Senhor o pastor Seguele e a igreja local, para que eles permaneçam firmes e fortes em sua fé em Cristo.

FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoCarla Priscilla

O conflito em Núbia

A população da Núbia (região situada no vale do rio Nilo, atualmente partilhada pelo Egito e pelo Sudão) é formada por pouco mais de 90 tribos pequenas. Embora o recorte ocidental do território tenha sido islamizado, existe uma forte presença cristã e uma Igreja vibrante ao leste da Núbia
Núbia tem um povo resiliente que lutou ao lado do Sul do Sudão pela independência. Quando as fronteiras entre o Norte e Sul foram criadas e implementadas pelo Acordo de Paz Global (Comprehensive Peace Agreement – CPA), Núbia caiu com o Norte. Agora, o povo africano de Núbia encontra-se dominado pelo árabe mulçumano do Norte do Sudão. Rebeldes SPLM-N viram na luta armada a oportunidade para sua autoafirmação. O governo de Cartum respondeu com violência.
Porém, essa não é, de maneira alguma, uma guerra convencional. Em sua tentativa de extirpar os rebeldes SPLM-N, Cartum tem travado uma guerra contra os civis. Bombardeios aéreos permanecem diariamente. Ofensivas terrestres estão operando mais de 60 bombas por dia; estas são descartadas de forma aleatória em mercados, escolas e outras áreas civis – muitas vezes à noite.
No início, a Força Aérea do Sudão (SAF, sigla em inglês) usava aeronaves modelo Antonov (soviético) e helicópteros para o bombardeio. Mas, agora, eles têm implantado mísseis de longo alcance (mísseis Uishi) e, mais recentemente, bombas incendiárias para queimar edifícios, gramas e plantas. O município de Heiban tem sido o mais afetado, com uma estimativa de quebra de safra de 80%.
Esse bombardeio indiscriminado de aldeias, queimando os escassos suprimentos de alimentos, a dispersão das pessoas e a prevenção dos agricultores para semear estão causando grande ruptura na vida e sofrimento imenso para os civis.
Até o final de 2012, cerca de 57 mil civis de Núbia fizeram a pé a árdua jornada até o Sul do Sudão, principalmente para o campo IDP em Yida. Muitas dificuldades no campo foram causadas por tensões com o povo local de Dinka, a respeito de recursos. Em março, foi reportado que pessoas estavam fugindo do campo, depois que confrontos violentos eclodiram.
Apesar disso, milhares de pessoas optaram por permanecer em Núbia, na esperança de receberem ajuda humanitária. Essas atrocidades que os civis enfrentam são, muitas vezes, mães que precisam encontrar um jeito de alimentar seus filhos e idosos que foram deixados sob seus próprios cuidados. Em alguns pontos, 80% da população está sobrevivendo com somente uma refeição ao dia, que geralmente consiste em raízes que colheram ou folhas e frutas com quase nenhum valor nutricional. Problemas gastrointestinais são frequentes.
Em julho de 2012, Cartum "aceitou" a proposta para acesso humanitário dentro das áreas de conflito de Núbia, Abyei e Nilo Azul – porém, até agora, todo auxílio tem sido evitado. A impressão é que o acordo acabou fazendo mais mal do que bem, porque antes as pessoas podiam ao menos realizar a jornada até o Sul do Sudão. O acordo trouxe esperança – eles esperaram por meses pelos escassos suprimentos de comida. Quando finalmente decidiram se movimentar, muitos já estavam exaustos demais para transportarem as crianças e fazerem a jornada para o Sul.
O povo de Núbia sente-se esquecido não apenas pela comunidade internacional, mas também pela comunidade cristã. Os líderes da Igreja e da comunidade pediram à Portas Abertas para falar em seus nomes com a comunidade internacional. Eles querem paz, estabilidade e querem ser reconhecidos como pessoas e cidadãos do Sudão. Eles querem ver uma mudança na lei – querem que a Sharia seja removida.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoJaqueline Góes

terça-feira, 25 de junho de 2013

A liberdade de religião no Irã

O Irã falha em cumprir um número de leis estabelecidas na Convenção Internacional de Direitos Civis e Políticos, de acordo com a Campanha Internacional pelos Direitos Humanos no Irã (CIDHI), incluindo o Artigo 18, que obriga todos os países a salvaguardarem a liberdade de religião
Num discurso para marcar o lançamento do relatório Foreign & Commonwealth Office (FCO) do Reino Unido, em abril, o ministro de relações exteriores William Hague disse que todos os cidadãos possuem certos "direitos inalienáveis" que são "universais", que não significam, necessariamente, uma tentativa de disseminar valores ocidentais. Estes direitos, ele disse, incluem a liberdade de religião.
O relatório afirma que esta liberdade é "ampla" e "compreende não só a liberdade de se professar uma crença, mas também a liberdade de compartilhá-la".
A apreciação do Irã a esta liberdade está sob análise não só no relatório FCO, como também no documento"Uma Crise Crescente: O Impacto das Sanções e da Política do Regime na Economia e nos Direitos Humanos do Irã", da CIDHI, através de um número de cristãos no Irã que têm sido presos e detidos, "frequentemente sem julgamento justo ou representação legal" (FCO).
A libertação, em setembro passado, do Pr. Yousef Nadarkhani, que tinha sido sentenciado à morte por apostasia em 2010, é aclamada no relatório FCO como um "resultado positivo raro seguindo uma constante pressão da comunidade internacional".
Contudo, Alistair Burt, ministro do FCO responsável pelo Irã, disse que a prisão "não deveria ter acontecido" e conclama o Irã a "respeitar a liberdade religiosa de seus cidadãos".
O Pr. Nadarkhani foi preso novamente no Dia de Natal, mas posteriormente solto em 7 de janeiro. Em março, fotografias de um homem enforcado foram atribuídas como evidências da morte do pastor, mas isto foi, mais tarde, refutado.
Outros cristãos iranianos permanecem no que o FCO do Reino Unido rotula como "condições precárias" na prisão, incluindo o Pr. Behnam Irani, que está com a saúde debilitada; Farshid Fathi, que após 15 meses de detenção foi sentenciado a seis anos de prisão, no ano passado; e Saeed Abedini, um pastor americano, nascido no Irã, que em janeiro completou oito anos de prisão.
Após seu encarceramento, a esposa de Abedini, Naghmeh Shariat Panahi contou ao World Watch Monitor que tinha medo de não poder ouvir a voz do seu marido durante sua prisão, a menos que a comunidade internacional lutasse pela sua libertação.
Em janeiro, a CIDHI lançou outro relatório, denominado "O custo da fé: perseguição de cristãos protestantes e convertidos no Irã", que argumenta que grande parte das prisões de cristãos iranianos são "arbitrárias" e políticas, em vez de serem por conta de algum crime cometido.
As acusações mais comuns, segundo o relatório, incluem "propaganda contra o regime", "ação contra a segurança nacional", "contato com inimigo estrangeiro ou grupo anti-regime" e "conspiração com inimigos estrangeiros".

Leia mais
O preço da fé no Irã

Cristãos iranianos enfrentam "perseguições e acusações sistemáticas"

Hassan Rohani é eleito presidente do Irã
FonteWorld Watch Monitor
TraduçãoJorge Alberto

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Uma decisão em busca da verdade

Nascida em uma família muçulmana, Erna* cresceu na Java Oriental (Indonésia), aprendendo o Alcorão. "Desde que eu estava na escola primária, eu lia o Alcorão para que pudesse entender melhor a religião", afirma ela. Seus professores ensinaram que o Islã é a religião perfeita, ensinada em árabe, e que muçulmanos não são autorizados a aprender sobre outras religiões. No entanto, à medida que crescia, sua curiosidade em relação a religiões não islâmicas começou a aumentar
Depois de terminar o Nível Médio, em 1995, Erna se inscreveu em uma universidade de Jacarta. Mudou-se para a capital a fim de prosseguir os estudos e foi morar em uma pensão perto do Campus. Com a nova liberdade encontrada ao estar longe de casa, Erna decidiu comprar uma Bíblia e ler o livro inteiro. Quanto mais lia a Bíblia, mais sua compreensão sobre o livro sagrado aumentava. Então Erna decidiu se juntar a seus amigos cristãos em uma reunião semanal de comunhão no Campus e, com o incentivo de seus amigos, começou a frequentar a igreja. "Eu nunca tive medo de perguntar aos meus amigos cristãos sobre as coisas que leio na Bíblia. Foram eles que me incentivaram a me juntar a esse grupo e frequentar a igreja", contou ela.
Não demorou muito para que Erna reconhecesse que ali estava a verdade pela qual ela procurara o tempo todo. Erna decidiu continuar a estudar a Bíblia, mas esperar um pouco mais para seguir a fé cristã. Quando a família descobriu seu interesse pelo cristianismo, deu-lhe um grande exemplar do Alcorão e insistiu para que ela o lesse, na esperança de que isso a trouxesse de volta ao Islã. Ela, no entanto, já tinha tomado sua decisão de abandonar o Islã. Considerada então desgraçada, ela foi expulsa da casa de sua família.
Alguns anos mais tarde, a jovem decidiu entregar sua vida ao Senhor e foi batizada. Ela diz que ainda tenta manter contato com sua família, mas sem sucesso. "Eu acredito que a minha família sabe sobre o meu batismo. Nós não temos nos falado há muito tempo. Até hoje tento me comunicar com eles, mas até agora eles sempre me ignoram. Eu procuro compreender que esse é o preço que tenho que pagar", diz, sorridente.
Erna agora é casada e mãe de dois filhos; trabalha com o marido na evangelização de muçulmanos. Ela também está muito envolvida com o ministério de mulheres, com o intuito de auxiliar ex-muçulmanas e cristãs a interagirem com a comunidade.

*Nome alterado para a segurança da cristã.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoDomitila Madureira

É o tempo da Igreja

Em entrevista cedida à Portas Abertas em 2 de abril de 2013, o pastor sírio Edward Awabdeh, da Igreja Aliança em Damasco, comenta sobre a situação em que se encontra a comunidade e como a Igreja procura ajudar. Leia a primeira e a segunda parte dessa entrevista
"A igreja está muito bem. Muitos estão envolvidos no ministério e há um grande comprometimento. Mas por outro lado muitos têm deixado de ir àreuniões por causa dos riscos e da falta de segurança. Perdemos algumas pessoas, o que nos deixou muito tristes, partiu nossos corações. Eles são carne da nossa carne, eram pessoas muito eficazes. Até o momento cerca de 30% das pessoas foram embora; dois em cada cinco eram idosos, três em cada sete eram ministros de louvor, três em cada cinco eram líderes de jovens.
Há explosões, tudo é muito imprevisível. Ao dirigir pela cidade você corre um alto risco. As estradas estão fechadas. Durante 24 horas por dia há tiros e bombardeios. Mas para nós cristãos não é a mesma coisa, nós somos guiados por um GPS diferente. Somos gratos a Deus por sua presença em nossas vidas, por sua mão, por sua paz. Deus realmente repousa sua mão sobre nós
É obvio que Deus está fazendo algo. Temos ouvido pessoas que veem à nossa igreja dizendo: Embora tenhamos perdido tudo, nós ganhamos Cristo.
Este é o momento da Igreja, sentimos que esta é a nossa hora. É tempo de ajudar, tempo de apoiar os refugiados, de a Igreja fazer o seu papel. Quem mais pode levar esperança, pode espalhar a paz além do Senhor? Humanamente falando não é fácil encontrar a paz. Na noite passada os edifícios foram abalados por causa das bombas. Honestamente, a paz que eu e minha esposa sentimos é maravilhosa, não há explicação para isso, se não Deus.
Temos tido umxperiência maravilhosa ao pastorear as pessoas, caminhar lado a lado com elas e encorajá-las. Nossa presença também é uma mensagem: nós devemos ficar, temos que confiar na proteção de Deus. Não temos vivido ansiosos; o Senhor tem nos dado um tempo maravilhoso.
Estamos profundamente ligados à Síria. Deus quer um futuro melhor para as pessoas, mesmo aquelas que têm permitido ser usadas pelo diabo. Deus mudou o coração das pessoas no passado, como no caso do "terrorista" Saulo a caminho de Damasco há quase dois mil anos. Deus pode fazer isso de novo.
Nosso trabalho não se baseia em nossa bondade, em nossa habilidade, mas em Deus. Queremos ser como as pessoas da "torre de vigia", que oram sem cessar. O grupo de oração começou no templo de nossa igreja, por causa da situação o momento de oração agora é feito nas casas dos membros.
Somos uma minoria, não temos poder militar, a milícia nos protege. Agradecemos a Deus por que os fanáticos religiosos não controlam áreas cristãs. A Síria era um Estado secular. Agora está mais polarizado, há duas facções e para eles não existe neutralidade. A situação obriga a escolher um dos lados, o que deixa as coisas ainda mais assustadoras. Mas os cristãos não são alvo por serem cristãos. Às vezes individualmente sim, mas de forma geral não.
Por que os cristãos devem permanecer na Síria? Porque precisam cumprir a missão que Deus deu a eles. Quando isso acontecer, então, eles assumirão os riscos. O que podemos fazer é valoriza-los, dizer a eles que apreciamos seu trabalho, reuni-los em grupos para orar e para que recebam o encorajamento do Espirito Santo. Podemos pregar sobre o papel da igreja na sociedade, esperamos que ouçam o chamado de Deus."
Trabalhar ao lado de pastores perseguidos no serviço a suas igrejas e comunidade é uma das formas de a Portas Abertas servir à Igreja Perseguida. Para apoiar o trabalho de irmãos como o pastor Edward Awabdeh, você pode contribuir e orar pelos projetos de campo da Portas Abertas. Clique aqui para saber mais.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoMarcelo Peixoto