sábado, 31 de agosto de 2013

Quantos cristãos vivem hoje no Oriente Médio?

É impossível obter um número exato, mas o autor do novo relatório sobre emigração cristã do Oriente Médio, Markus Tozman, diz que buscar a precisão é importante porque o destino da população cristã no Oriente Médio afeta os direitos humanos na região, bem como as estruturas de poder em todo o mundo árabe
"O número real dos cristãos no Oriente Médio, altamente contestado, faz parte de um debate em curso. Ele flutua em função do grupo que apresenta os números e, portanto, depende das intenções do respectivo grupo", diz o relatório.

Tozman é um estudante de Oriente Médio na Universidade Johns Hopkins, e ex-assistente de Tweede Kamer der Staten-Generaal, um membro do Parlamento holandês cujo portfólio no Conselho da Europa inclui a proteção das minorias no Oriente Médio. Tozman colaborou na produção de um livro em 2012 que documenta o desaparecimento gradual dos cristãos siríacos ortodoxos da Turquia.

O relatório é parte da Classificação de países por perseguição, o ranking anual da Portas Abertas que apresenta os 50 países onde os cristãos estão sob maior perseguição devido à sua fé. Tozman afirma: “Registrar a ausência de pessoas é muito complicado. A tarefa se torna mais difícil por conta do censo em toda a região que, quando conduzido até o fim, tende a ser irregular e seus documentos são privados do acesso público”.

Novas contagens apontam regularmente que a população cristã do Egito representa cerca de 10%, ou 8 milhões, dos 82 milhões de habitantes do país. O registro mais confiável é um estudo realizado pela Arab West Report, que estima que o número verdadeiro seja de cerca de 4 milhões.

Outro número amplamente divulgado, os 100 mil coptas que supostamente deixaram o Egito desde a revolução de 2011, também tem a sua própria fraqueza. Segundo Tozman, “o número foi estabelecido por Najib Jabrail, um copta que é advogado de direitos humanos. No entanto, ele nunca foi capaz de explicar como chegou a esse resultado".

Em todos os cinco países abrangidos no relatório – Egito, Iraque, Síria, Líbano, Turquia – a história é a mesma. Para Tozman, "meras estimativas e análises de fontes primárias e secundárias não são, em muitos casos, suficientes para se obter um retrato completamente preciso". Apenas uma das fontes que Tozman contatou diretamente citou a origem de suas estimativas, não citada por nenhuma fonte na internet.

Outros países também não oferecem muitos registros, observa o relatório. Embora as evidências sugiram que os cristãos no Oriente Médio têm emigrado cada vez mais para países da Europa, América e para a Austrália, nenhum desses países monitora a religião dos recém-chegados.

O número de cristãos, afirma o relatório, muitas vezes é sombreado para cima ou para baixo por razões políticas — inflados pelos cristãos minoritários que querem  manter representantes no governo; deflacionado pela maioria muçulmana para minar reivindicações cristãs por benefícios. Na ausência de precisão, Tozman afirma, a própria aritmética da população torna-se politizada.

O relatório cita: “A questão torna-se ainda mais complicada devido à guerra civil na Síria e à agitação política no Egito. As implicações desses casos mudaram completamente a situação e dinâmica para os cristãos em toda a região", diz Tozman. "Isto é particularmente preocupante, pois o Egito e a Síria (em conjunto com o Líbano) eram o destino da maioria dos cristãos no Oriente Médio. Se estes países estão em desordem , as consequências serão desastrosas. Seria um golpe fatal para o último remanescente de uma comunidade cristã viva no berço do cristianismo. À luz da situação atualmente em desgaste, ninguém pode prever como o número de cristãos no Oriente Médio irá se manter no decorrer dos próximos anos, mas uma redução é altamente provável".

Este tema foi abordado em um debate parlamentar recente em Londres, durante o qual o reverendo Andrew White, pastor de uma igreja anglicana em Bagdá, disse que a população cristã do Iraque tinha diminuído de 1,5 milhão para apenas 200 mil na última década. Ele disse que esta tendência pode ser testemunhada em todo o Oriente Médio.
FonteWorld Watch Monitor
TraduçãoRomulo Moura - ANAJURE

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Cristão é preso na Argélia

Segundo um membro da Igreja Protestante da Argélia (EPA), o cristão Sofiane, da cidade argelina de Biskra, foi preso sexta-feira, 23 de agosto, pelaGendarmerie National (força policial militar), em um ponto de controle localizado cerca de 500 km ao sul de Argel
Sofiane é casado e pai de uma criança. Ele estava no táxi em direção à cidade de Oran (cerca de 300 km a oeste de Argel), quando foi detido por membros da Gendarmerie. A partir daí, o cristão foi levado a Biskra para ser interrogado.

Além disso, "a polícia invadiu a casa da família, levou o computador de Sofiane e outros itens pessoais", disse a fonte. A comunidade cristã na Argélia está preocupada com o fato de Sofiane ainda estar detido. "Quando a esposa dele foi à delegacia para obter informações sobre seu marido, disseram que não poderiam dizer nada".

Na Argélia, 29ª nação na Classificação de países por perseguição, os cristãos evangélicos são vistos como um perigo para a sociedade. O islamismo de tradição sunita é a religião oficial do país e não se permite que os cristãos testemunhem. Em março de 2006, foi aprovado o Decreto 06-03, que restringe cultos não islâmicos.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoAna Luíza Vastag

Testemunho de um ex-visitante de igreja

Geralmente vemos histórias de muçulmanas que se tornam seguidoras de Jesus Cristo por causa do testemunho de conversão de seus maridos. Com Alan*, foi o contrário
Alan nasceu em uma família islâmica de Java Central. Sua religião não o impediu de sentir-se atraído por Nini*, uma cristã que, na época, estudava Teologia e que, mais tarde, tornou-se o amor de sua vida. Firme em sua decisão de se casar com Nini, Alan a levou para Java Central e a apresentou para sua família.

“Quando disse à minha família que Nini era cristã, eles se opuseram ao nosso casamento”, disse Alan. “Eu nem liguei... Eu a amava e iria me casar com ela de qualquer jeito”.

Um visitante agradávelDepois do casamento, numa igreja em Bali, Alan ia à igreja apenas de vez em quando. “Eu só ia aos cultos para agradar minha esposa”, ele admitiu. “Não havia ainda entregado minha vida a Jesus”.

Em 2008, o casal mudou-se para outra localidade em Java Central. Nini se ocupava com as atividades da igreja local ao passo que Alan ficava distante, mantendo a política de visitar a igreja apenas para alegrar a esposa.

“Um dia, enquanto esperava minha mulher sair do culto, ouvi as palavras do pastor”, relata Alan. “De repente, fiquei desesperado para saber mais, e comecei a ir às reuniões de oração com Nini. O pastor reparou na minha presença e começou a puxar papo comigo. Logo aceitei ao Senhor Jesus como meu salvador e fui batizado”.

“Jesus realmente mudou minha vida” Alan acrescenta. “Antes dele, eu fazia apostas, fumava e bebia. Mas quando Jesus entrou em meu coração, parei de fazer essas coisas. Ele fez de mim uma nova pessoa”.

Alan é agora um músico em sua igreja, enquanto Nini serve como professora de escola dominical.

Uma força no trabalho
Alan trabalha vendendo bolinhos de carne na rua. Apesar da pequena renda, ele é grato a Deus por sua providência.

Neste ano, a Portas Abertas disponibilizou a Alan um microcrédito para que ele abrisse uma barraquinha para vender seus quitutes.

“Agradeço a Deus por me ajudar por meio da Portas Abertas”, ele diz. “Vou trabalhar duro para minha família, sem dúvidas, mas a coisa mais importante a fazer é trabalhar para o reino de Deus”.
Pedidos de oração
• Ore para que Alan aumente sua fé em Jesus, a fim de que permaneça firme quando a perseguição chegar.
• Peça a proteção e a provisão de Deus para Alan e sua família.
• Ore pela prosperidade do negócio de Alan, para que este seja uma bênção para a comunidade.

* Os nomes verdadeiros foram alterados por motivos de segurança.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoDaila Fanny

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Autoridades da Eritreia prendem trinta cristãos

Trinta membros da Igreja do Deus Vivo reuniram-se para orar na noite de sábado, 24 de agosto, no subúrbio de Kushet, na capital Asmara. Havia doze mulheres no grupo. Fontes informaram que todos estão detidos no Posto Policial 5, pressionados a negar sua fé
Desde o início do ano, o cenário religioso na Eritreia foi prejudicado por conta da prisão de, pelo menos, 261 cristãos. Organizações de defesa dos direitos humanos, tais como Anistia Internacional e Human Rights Watch, afirmaram que o governo da Eritreia continua encarcerando prisioneiros sob condições sub-humanas.

“A Igreja na Eritreia está profundamente triste por conta do contínuo controle e desconfiança do governo. Por isso, as orações de irmãos e irmãs ao redor do mundo são tão importantes”, comentou um contato da Portas Abertas que não pode ser mencionado por questões de segurança.

As circunstâncias que culminaram na prisão desses trinta cristãos ainda são desconhecidas.

Pedidos de oração• Ore pelos cristãos que foram presos, para que eles sejam cheios da paz de Deus, apesar das circuntâncias difíceis que têm enfrentado. Peça pela proteção de todos, especialmente das mulheres.
• Interceda pela graça e cuidado do Senhor sobre as famílias dos cristãos detidos. Diversas vezes, os familiares não são informados das prisões e, por dias, não sabem onde encontrar seus parentes.
• Continue pedindo pela intervenção do Senhor na Eritreia.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoAna Luíza Vastag

Clérigo que acusou a cristã Rimsha Masih é absolvido

A menina de 14 anos foi presa, suspeita de profanar textos islâmicos. Mais tarde, descobriu-se que o clérigo que a acusou forjou as provas com o intuito de prejudicá-la. O religioso foi então detido. Meses depois, ele foi absolvido de todas as acusações
Para melhor compreensão do texto abaixo, leia “Paquistão: caso Rimsha foi resolvido!”.

O caso contra o clérigo Khalid Jadoon Chishti foi encerrado após a corte julgar que não havia evidências suficientes contra ele. Testemunhas tinham, previamente, feito declarações alegando que haviam plantado páginas queimadas do Alcorão no saco de lixo usado por Rimsha, antes de fazer acusações de blasfêmia contra a garota no alto-falante do mosteiro dele, incitando a violência da multidão. As mesmas testemunhas depois disseram que tinham sido coagidas pela polícia e retiraram suas declarações.

Em outubro passado, em resposta ao Universal Periodic Review (UPR) nas Nações Unidas, o governo paquistanês citou a prisão de Chishti como progresso, quando confrontado com várias críticas relativas à leis de blasfêmia. Foi descrito como enviando “uma forte mensagem a todos aqueles que estão tentando usar indevidamente” as leis, e um “ponto de virada na história do Paquistão”.

Tahir Ashrafi, presidente do Conselho Ulema do Paquistão, uma coalizão de liderança de clérigos islâmicos no Paquistão, expressou seu desapontamento com a decisão. O Conselho virou manchete ano passado ao condenar o uso indevido das leis de blasfêmia no país e pedindo que o caso de Rimsha fosse conduzido justamente.

Rimsha, cuja idade mental foi considerada em torno de 14 anos, foi acusada de profanar o Alcorão sob o artigo 295B do Código Penal Paquistanês (CPP), em agosto de 2012. Seu caso foi encerrado pela Suprema Corte Paquistanesa em janeiro de 2013. Ela e sua família tiveram asilo concedido no Canadá.

Benedict Rogers, diretor jurídico da Christian Solidarity Worldwide (CSW), disse: “A prisão do acusador de Rimsha ano passado foi amplamente louvada como um ponto de virada nos casos de blasfêmia no Paquistão. O colapso do caso é desapontador e reforça a contínua falta de responsabilidade e senso de impunidade que há no coração das falsas alegações de blasfêmia. Isto traz uma mensagem para aqueles que usam indevidamente as leis e permanecem impunes.”
FonteCSW
TraduçãoJorge Alberto

Cristãos são alvo de violência no Egito

Trinta milhões de egípcios se manifestaram pacificamente contra o presidente e seu regime ditador em 30 de junho, o primeiro aniversário de sua eleição. Entre eles havia muitos cristãos e muçulmanos moderados que, juntos, superaram o medo e saíram às ruas para protestar
Como resultado dos protestos que derrubaram o presidente Mohamed Mursi, muçulmanos fanáticos deram início aos violentos ataques por todo o Egito. A Irmandade Muçulmana e outros grupos extremistas atearam fogo e destruíram prédios do governo e postos policiais. Eles também fizeram de seus alvos igrejas, organizações cristãs e casas de cristãos, e se propuseram a matar qualquer um que cruzasse seu caminho. Até o momento, queimaram 73 igrejas, além de dezenas de escolas e instituições cristãs.

Contatos da Portas Abertas no país confirmaram que, particularmente no Alto Egito, os cristãos vivem com medo – especialmente aqueles que vivem na zona rural onde os muçulmanos são a maioria. Eles não saem de casa temendo que, a qualquer momento, esses grupos violentos possam atacá-los e matá-los sem piedade; sejam jovens ou idosos. Um grande número de famílias perdeu tudo e fugiu apenas com a roupa do corpo. Tente imaginar você e sua família nessa situação! É necessário que cristãos de todas as partes possam se mobilizar para orar mais e clamar ao Senhor por seu povo no Alto Egito.

Os números de cristãos afetados são alarmantes. Muitos cristãos foram mortos, agredidos ou sequestrados como resultado da última onda de ataques. Incidentes isolados também foram relatados. 

Desde o início dos acontecimentos violentos da semana passada, que atingiram a comunidade cristã egípcia, a Portas Abertas está trabalhando em parceria com as igrejas locais para ajudar e confortar aqueles que sofreram traumas e perdas inestimáveis.

Equipes de cristãos treinados têm ido visitar e orar com cristãos que tiveram suas igrejas, casas, lojas e terras confiscadas e queimadas em Minia, Assuit, Sohag, Luxor, Suez e Alexandria. Famílias cristãs no Cairo e Alto Egito têm ido fazer a identificação dos corpos de seus entes queridos alvejados e mortos. Outros 17 sequestros foram confirmados.

Residências temporárias e móveis são fornecidos para pastores cujas casas foram queimadas. Em parceria com as igrejas, as equipes têm identificado famílias aldeãs que perderam suas vacas e outros animais, sua principal fonte de renda, nos ataques.

Com a falta de segurança se espalhando pelo país, especialmente no Alto Egito, grande número de eventos e projetos para continuar fortalecendo e treinando igrejas locais, planejados para este mês, serão colocados em prática nas próximas duas ou três semanas. “Assim que possível vamos tentar fazer essas reuniões nas casas”, explicou um contato da Portas Abertas.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoMarcelo Peixoto

O cuidado de cristãos mantém família de Uganda unida

O cristão Francis Namukubalo foi assassinado quando voltava para casa, vindo de um vilarejo próximo. Antes do terrível incidente, ele havia sofrido diversas ameaças de morte por conta de sua fé. 20 suspeitos de cometer o crime foram detidos, mas, misteriosamente, conseguiram pouco a pouco se livrar da acusação. Tudo parecia perdido, até que Deus interveio...
Para melhor compreensão do texto abaixo, leia "O trauma de perder o marido por causa de sua fé".

Em circunstâncias desconhecidas e, em pleno processo de julgamento, o Estado dispensou os agentes de segurança, o magistrado e até mesmo um membro do parlamento, substituindo-os por funcionários do governo de maior integridade. Uma cópia do processo que não tinha sido adulterada também foi descoberta na sede dos "Detetives de Investigações Criminais", em Kampala.
Tão logo o novo diretor de Investigações Criminais reabriu o caso, os 20 suspeitos fugiram da região. Imediatamente cessaram as ameaças de morte às testemunhas e ao pai de Francis. Em maio, os detetives detiveram dois dos suspeitos originais. Eles estão presos aguardando julgamento enquanto a busca pelos outros 18 continua. A Portas Abertas estará acompanhando de perto os desdobramentos.
Um contato da organização em Uganda visitou a família de Francis Namukubalo recentemente e relatou que eles continuam a melhorar após a trágica perda. A víuva Irene e as crianças aparentam estar muito melhor. Irene ganhou algum peso e tem tido um comportamento mais saudável. Todos sorriem com facilidade.
Francis (filho) nasceu após a morte de seu pai e é um garotinho alegre, que corre por todo o lugar. Kevin e Bridget estão no ensino primário. Os três são bons alunos. A filha mais nova, Hannah, irá para a escola no próximo ano.
O pai de Francis (e avô das crianças), Mzee Masolo, expressou sua profunda gratidão pelo apoio de cristãos do mundo inteiro, através da Portas Abertas. "O trabalho que vocês fazem não tem preço! Deus abençoe a Portas Abertas e cada parceiro. As cartas, cartões, incentivo e cuidado que vocês nos deram na hora mais difícil de nossas vidas nos manteve unidos. Que Deus se lembre de cada um que investiu tempo orando, escrevendo, visitando. Sou muito agradecido".
Em uma conversa anterior, Mzee disse que o fato de ter recebido tanto apoio do Corpo de Cristo o ajudou a perdoar os assassinos de seu filho.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoGetúlio A. Cidade

O trauma de perder o marido por causa de sua fé

Em breve, o assassinato brutal de Francis Namukubalo em Mbale, Uganda, completará três anos. Durante esse tempo, a família passou por muitas situações turbulentas. Eles testificaram que o cuidado de Portas Abertas e do Corpo de Cristo no mundo inteiro os ajudou a permanecerem unidos enquanto enfrentavam sua hora mais difícil
Tarde da noite de 21 de setembro de 2010, um grupo de cerca de 20 jovens armaram uma emboscada para Francis, o capturaram e esfaquearam até a morte enquanto ele voltava para casa, após uma visita a seu pai, em um vilarejo próximo. Sua família e um grupo de buscas descobriram seu corpo em um matagal, mutilado, após três dias.
Francis cresceu em um lar muçulmano. Quando seu pai se converteu ao cristianismo no fim da década de 1990, não levou muito tempo para que sua esposa e filhos o seguissem. A família compartilhava uma paixão por evangelismo pela qual enfrentaram uma crescente pressão. Houve muitos parentes muçulmanos e conhecidos que se sentiram ofendidos pelo testemunho de Francis e de seu pai.
A despeito das ameaças, a morte de Francis causou um grande choque em toda a família, mas, particularmente à sua viúva, Irene. Ela ficou sozinha para cuidar de três filhos e estava grávida de dois meses do quarto bebê.
Ao receber a notícia do assassinato de Francis, um colaborador da Portas Abertas visitou a família para confortá-los e encorajá-los. Também ajudou com necessidades imediatas. Desde então, permaneceu em contato próximo com eles. Logo após a primeira visita da Portas Abertas, iniciamos uma campanha de cartas para Irene e seus filhos. Colaboradores de todo o mundo apoiaram a causa e enviaram mais de dez mil cartas e cartões.
Percebendo a necessidade de Irene ter uma renda, a Portas Abertas a ajudou a abrir um pequeno negócio. Ela planeja criar gado e também começou um negócio de vendas de vegetais no mercado local. Quando ficou claro que a família precisaria de assistência jurídica, a Portas Abertas contratou um advogado. Tudo isso só foi possível através da ajuda de pessoas que doaram recursos para que a organização providenciasse toda a assistência necessária à Irene.
Logo após a morte de Francis, as autoridades prenderam cerca de 20 suspeitos. Observadores locais disseram à Portas Abertas que líderes muçulmanos poderosos que, provavelmente, foram os mentores do assassinato de Francis ameaçaram as testemunhas de morte, incluindo o pai de Francis, agentes de segurança e o magistrado responsável pelo caso. As testemunhas se retiraram do caso, uma após a outra, temendo por suas vidas. Ao mesmo tempo, registros de depoimentos cruciais começaram a desaparecer dos arquivos, deixando a acusação muito fraca. Logo, um suspeito após o outro foi liberado sob fiança, ainda que a lei ugandense decrete que os suspeitos de assassinato devam permanecer encarcerados enquanto durar o julgamento.
Mas, felizmente, Deus interveio...
Leia a continuação deste artigo amanhã (28/08).
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoGetúlio A. Cidade

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A perseguição religiosa na República Centro-Africana

Uma fonte da Portas Abertas em Bangui, capital da República Centro-Africana, revelou as realidades terríveis de civis por todo o país e as condições precárias daqueles que escolhem seguir a Cristo. Constantemente, cristãos são alvos de ataques por conta de sua fé
Um exemplo dos perigos que os cristãos têm enfrentado é a circunstância que permeia a prisão “violenta” do presidente da Aliança Evangélica da República Centro-Africana, pastor Nicolas Grekoyame Gbangouon. Sua prisão, em 6 de agosto, foi acompanhada de críticas da opinião pública contra o governo rebelde que comanda o país.

O pastor Grekoyame foi solto sob circunstâncias extraordinárias por volta das 23h no dia de sua prisão. Fontes disseram à Portas Abertas que assim que o arcebispo católico de Bangui ouviu a respeito da prisão, marchou em direção à prisão com uma surpreendente manifestação de unidade e coragem, dizendo aos oficiais que queria ser preso com o pastor e até morrer com ele, se fosse necessário.

Líderes católicos informaram esses acontecimentos imediatamente a Roma, e, logo em seguida, o Ministro do Interior, Adam Noureddine, chegou à prisão para providenciar sua libertação. O Ministro Noureddine desculpou-se com o pastor pelo que ele teve de passar. Não se sabe ao certo se Noureddine agiu por si mesmo ou se foi enviado pelo presidente Djotodia. Houve uma rivalidade política entre ele e Noureddine.

“Louvamos a Deus pela libertação do pastor Grekoyame. Se isso não tivesse acontecido imediatamente, a República Centro-Africana estaria mergulhada em fogo e sangue agora! O objetivo dos muçulmanos era matar o pastor por obstruir seu regime. Na verdade, os soldados Seleka se vingaram em outro pastor na mesma noite”, escreveu o contato da Portas Abertas.

O informante afirmou que os soldados chegaram à casa de um pastor pertencente à denominação do pastor Grekoyame em Bangui na mesma noite, obviamente com má intenção. Como eles não encontraram o líder da igreja ali, assassinaram seu filho Musa, cuja idade é desconhecida até o momento. Os rebeldes também atiraram no braço da esposa do pastor.

• Em junho, rebeldes mataram o pastor Guy Banda da Igreja dos Irmãos, na aldeia de Songbasou, a 60 km de Kaga-Bandoro, cerca de 330 km ao norte da capital Bangui. Os aldeões fugiram antes da aproximação dos rebeldes, mas o pastor decidiu ficar. Ele foi assassinado enquanto os rebeldes saqueavam a aldeia.
• Fontes da Portas Abertas disseram que soldados assassinaram, em julho, outro pastor em Bangassou, quase 600 km a leste de Bangui. Até o momento da publicação, não foi possível confirmar o nome e as circunstâncias em que o assassinato aconteceu.
• Supostos rebeldes Seleka executaram um pastor da igreja Apostólica em Bria, também em julho. Fontes da Portas Abertas estão tentando averiguar os detalhes.
• Rebeldes atacaram a Sociedade Bíblica e destruíram Bíblias.
• Instrumentos de uma Igreja Batista em Sabeke, bairro de Bangui, foram saqueados por rebeldes.
• Por medo de serem atacados durante a noite, muitos cristãos não dormem mais em suas casas.

Julien Bela, jornalista do jornal Centrafic Matin, em um artigo da edição de 22 de julho, comparou os fatos atuais na República Centro-Africana ao que ocorreu no norte de Mali durante a ocupação islâmica. A diferença, em sua opinião, é somente que, no norte de Mali, a ocupação foi declaradamente islâmica, enquanto na República Centro-Africana isto é encoberto, mas igualmente violento.

A jornalista explicou que os rebeldes não têm piedade das pessoas e as tratam pior do que animais. Mutilação de corpos é comum. Famílias enlutadas sequer podem levar os corpos de seus familiares assassinados para o necrotério, uma vez que, em muitos casos, a decomposição dos corpos mutilados está bastante avançada.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoSuzana Barreto

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A história de uma escola secreta no Vietnã

Este é o testemunho de Chinh*, professor da Escola Bíblica Galileia (Galilee Bible School, GBS, em inglês), da Portas Abertas. GBS é um seminário subterrâneo para os cristãos tribais do norte do Vietnã. Apesar das restrições religiosas impostas pelas autoridades locais, professores e alunos do GBS reúnem-se em casas durante a noite para estudar a Palavra de Deus
Os alunos da Escola Bíblica Galileia, GBS (sigla em inglês), submetem-se a dois programas: "A Vida de Jesus" e um nível avançado de estudos bíblicos. Desde 2012, a escola já formou 1.672 alunos para o ministério pastoral e plantou 312 igrejas através de seus graduados.
O milagre da vila
Chinh morava com a esposa e seis filhos em uma pequena aldeia no Planalto Central. Antes de ensinar na Escola Bíblica Galiléia, ele participou de um treinamento de saúde na comunidade e trabalhou para o governo. Atualmente, ele está à espera da ordenação como pastor de sua igreja na vila.
"Você sabia que antes de eu nascer, não havia cristãos na minha aldeia?", perguntou Chinh. "Todos eram revolucionários, que costumavam ser antiamericanos ou anti-franceses, e eles interpretavam mal o cristianismo. Diziam: 'O cristianismo é da América', mas tudo mudou quando a minha mãe entrou em trabalho de parto", explicou.
"Eu era muito fraco no ventre da minha mãe; quase morri. Mas, um evangelista veio à nossa aldeia e orou pela gravidez da minha mãe. Assim, suavizou o coração dela e ela acreditou em Jesus – minha mãe foi a primeira pessoa da aldeia a se converter a Cristo – e o meu pai fez um pacto com o Senhor que, se eu vivesse, ele também iria colocar a sua fé em Cristo."
Chinh nasceu em 1962. "Meu pai, maravilhado com o milagre, entregou sua vida a Jesus. Os outros moradores também ficaram espantados ao ver-me vivo, e abandonaram suas crenças rebeldes para seguirem a Cristo."
A vida de Jesus
Aos 51 anos, Chinh ministrou o curso sobre a vida de Jesus na GBS. Aos alunos, ele expôs sobre o ministério de Jesus, seus milagres e ensinamentos.
"A vida de Jesus é um testemunho muito bom para mim. Tenho a oportunidade de aprender mais e mais sempre que eu ensino sobre sua vinda à terra", compartilhou. "Os alunos realmente amam a Palavra de Deus. Alguns deles tornaram-se diáconos na igreja. Através deste programa, os alunos crescem no seu conhecimento de Jesus e são encorajados a servir ao Senhor."
Chinh continuou: "Antes, somente os maridos participavam das aulas, agora, as mulheres também podem vir. Às vezes, as crianças também. A classe de 2013 é muito especial, temos 35 alunos no total," compartilhou.
Na área onde Chinh mora, as aulas da GBS são realizadas todos os sábados e domingos. "A estrada é muito irregular, por isso é difícil para alguns alunos chegarem às aulas. O terreno pertence à Igreja Católica, que nos foi emprestado por dez anos. Eles têm sido muito bons para nós", disse o cristão.
A falta de um lugar para conduzir as aulas não é a única dificuldade enfrentada pela GBS. Chinh compartilha que os alunos, às vezes, têm dificuldade em seguir as lições por causa de suas diferentes origens étnicas. "Linguagem e educação são um desafio", explicou ele. "A maioria dos alunos moram em áreas remotas, e não foram formalmente educados. A fim de que entendam perfeitamente os conceitos passados, é necessário repetir as lições. Às vezes, eles encontram condições ainda mais difíceis na língua, então, esperam até eu chegar para responder as dúvidas a eles."
"A segurança é outro desafio importante", acrescentou Chinh. "Nossa classe está perto da fronteira. É difícil reunir um grupo grande sem ser notado, então tenho que dividi-los em quatro grupos. Eu delego graduados da GBS para voltarem e ensinarem as lições para esses grupos menores, evitando chamar a atenção da polícia."
Diante da perseguição
"Depois que minha mãe faleceu, fiquei com meu pai e nós dedicamos a nossa casa para os cultos. As autoridades locais souberam disso e me chamaram para a delegacia, para um interrogatório," compartilhou Chinh.
"'Por que você está usando a sua casa para uma finalidade religiosa? - Eles me perguntaram. "Nós vamos enviá-lo para o campo de reeducação por um ano!"
"Respondi a eles que é a minha casa particular, portanto, é meu direito", Chinh continuou. "Eles não irão me levar para a cadeia, apenas estão me avisando para que eu não faça novamente." A igreja da vila de Chinh tem agora 725 pessoas. Dessas, 220 já foram batizadas.
"Desde que começamos a GBS, mais de 300 pessoas foram acrescentadas à igreja. Na comunidade, vimos a mudança nos cristãos na forma como agem, até mesmo na maneira como se vestem", disse. "Eles costumavam beber e brigar muito. Mas agora, eles foram transformados."
Pedidos de oração:
• Louve ao Senhor pelo modo como ele está usando a Escola Bíblica Galileia para impactar aldeias como a de Chinh. Ore para que mais líderes de igrejas e mestres da Palavra sejam levantados por meio da GBS.
• Ore pela classe de Chinh, para que consigam um quadro branco para ajudá-los em suas discussões. Peça para que o Senhor satisfaça as suas necessidades.
• Clame a Deus para que os corações das autoridades sejam mudados. Ore pela proteção de Deus sobre a vida dos professores e alunos da GBS, pois eles continuam a reunir-se em segredo.
*Nome alterado para a segurança do cristão.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoPriscila Slobodticov

Em Mianmar, família é rejeitada por ser cristã

A família esforça-se para se estabelecer em uma vila budista em Sagaing. Em Mianmar, 32ª nação na Classificação de países por perseguição, os cristãos que vivem em áreas rurais são perseguidos com frequência pelos governantes, que se alinham com poderosos grupos budistas e tentam utilizar a religião como forma de controlar a população local
"Os dois filhos pequenos [de Nwin Than*] não podem ir à escola porque eles não têm permissão para se matricular", diz uma fonte que não pode ser identificada por razões de segurança. "Os monges budistas e os vizinhos assinaram uma petição e entregaram ao governo local que acatou a solicitação: quem não for budista não tem autorização para viver na aldeia."

Than mudou-se com a família para a referida aldeia em abril de 2013. Ele era budista antes de tornar-se cristão. "Seu coração clama pela salvação do seu próprio povo", afirma o contato da Portas Abertas. "Ele quer compartilhar acerca de Jesus com eles. O cristão e sua família ainda vivem na aldeia, apesar das dificuldades. Há outras famílias cristãs que atravessam as mesmas lutas. Por favor, interceda por eles. Ore por Than e sua família, especialmente por seus filhos."
*O nome foi alterado para a segurança do cristão
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoAna Luíza Vastag

domingo, 25 de agosto de 2013

“Não posso dizer nada”

No encontro da Portas Abertas com os pastores de Córdoba, na Colômbia, poucos se atreveram a falar. “Não posso dizer nada aqui porque minha vida está em perigo", disse um deles. "Quando eu voltar para casa, serei inquirido sobre o que falei.”
Para melhor compreensão do texto abaixo, leia “Luis: uma voz que ilumina a escuridão da Colômbia”.

Alguns pastores contaram à Portas Abertas que suas mulheres são obrigadas a fazer comida para os paramilitares − facção criminosa de direita −, abrigá-los em suas casas e lavar suas roupas. Há dois anos, um militante armado assassinou vários cristãos do vilarejo La Piedra. A esposa de um dos pastores sobreviventes teve um colapso nervoso e hoje sofre de problemas cardíacos devido ao ataque.

Esses pastores enfrentam graves dificuldades. Filhos de alguns membros da igreja têm se unido a grupos armados ilegais. Com isso, corre-se o risco de que o que é dito na igreja seja sabido lá fora. Os paramilitares obrigam os homens, tanto cristãos como não cristãos a sair de casa para cuidar de suas plantações, deixando as mulheres sozinhas, vulneráveis ao estupro. Pastores relataram que membros de grupos armados ilegais já estupraram duas mulheres.

Outro pastor teve seu pai, irmão e filho torturados; apesar disso, ele continua servindo ao Senhor em uma região onde até mesmo padres e freiras, incapazes de suportar a pressão, fugiram. Ele disse que a Portas Abertas o ajudou através de treinamentos, especialmente o Permanecendo Firme Através da Tempestade. A conclusão a qual chegou é que seu único consolo é a oração e a leitura da Palavra.

Um pastor da Antioquia declarou que dez famílias de sua igreja relataram à polícia a cobrança de vacunas (os famosos pagamentos por meio de extorsão) e as constantes ameaças sofridas. Os oficiais, por sua vez, acusaram as famílias de fazerem parte da facção criminosa, obrigando-as a se deslocarem imediatamente.

Nesta área, além do grupo Aguilas Negras, permanecem resquícios dos Rastrojos(outro grupo paramilitar remanescente) e das FARCs. Cada um desses grupos semeia medo enquanto procura controlar o território. Esta situação fica ainda mais complicada para os cristãos, uma vez que as igrejas estão presentes em todas as comunidades da região.

O líder da denominação Igreja Evangélica do Caribe declarou à  Portas Abertas que os crimes têm aumentado por conta dos grupos armados ilegais. "Quatro igrejas foram desalojadas quase completamente", disse. Além disso, o toque de recolher dos grupos ilegais proíbe a celebração de cultos à noite.

Pedidos de oração• Ore para que o Senhor conforte e fortaleça os pastores e cristãos em Córdoba e Antioquia, para que eles e suas famílias sejam testemunhas de Cristo e possam continuar a obra de Deus em segurança.
• Interceda para que os testemunhos de integridade dos cristãos ajudem os perseguidores a conhecerem o amor de Deus. Suas vidas precisam ser transformadas pelo poder do Espírito Santo.
• Peça a Deus para que ele capacite a Igreja a permanecer firme em meio à perseguição.
• Clame pelo sustento das famílias da região.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoDaniela Cunha