domingo, 30 de novembro de 2014

#ViagemparaFilipinas 3

Khalil* mora na cidade de Zamboanga. Um ano atrás, em 9 de setembro, a facção renegada da Frente de Libertação Nacional Moro (FMLN, sigla em inglês), um grupo separatista islâmico, colocou a cidade sob ameaça. Em 28 de setembro o governo filipino declarou o fim do conflito. Em seu terceiro e último relato, Khalil examina se a batalha realmente terminou
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A cidade de Zamboanga ainda recupera-se da enorme devastação provocada pelo cerco dos rebeldes no ano passado. Muitas famílias deslocadas internamente não querem se mudar para os locais temporários. Elas exigem que o governo lhes permita voltar para suas casas e vilas. O problema é que a prefeita Maria Isabelle Clímaco-Salazar tem outros planos.

O governo da cidade revelou o Roteiro para a Recuperação e Reconstrução de Zamboanga ou o Plano Z3R. Algumas áreas nas aldeias seriam transformadas em reflorestamentos de manguezais e uma parte em destacamento militar para evitar quaisquer futuros ataques. Isso forçará muitos moradores a encontrarem outras vilas para se estabelecerem.

Como a maioria das famílias deslocadas, algumas das quais eu conheço pessoalmente, são de pescadores e vendedores de peixe, encontrar uma nova fonte de renda tem sido um desafio. O governo lançou muitos programas de alfabetização e treinamentos de meios de subsistência, mas os efeitos ainda não têm sido vistos.

Em agosto de 2014, o escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou que 158 pessoas morreram de várias doenças devido às condições miseráveis nos centros de evacuação. A desnutrição é elevada entre as crianças que vivem em muitos locais de reabilitação. As agências governamentais e organizações não governamentais lançaram missões e programas de alimentação e médico-odontológico. O número de pessoas que morrem após o conflito pode superar as perdas durante o conflito se a situação não melhorar nos centros de evacuação e de reabilitação.

A necessidade de ajuda humanitária foi avaliada em 7 ou 8 milhões de dólares, mas o governo recebeu apenas uma pequena fração deste valor. Poucas semanas após o cerco, um terremoto abalou a região Visayas Centrais e o Tufão Haiyan inundou o conjunto de ilhas Eastern Visayas, nas Filipinas. O país inteiro estava em choque e a cidade de Zamboanga se transformou em uma crise esquecida.

Residentes indiretamente afetados ainda estão em estado de alerta, já que rumores de um segundo ataque do MNLF estão se espalhando por meio de mensagens de texto. O governo pediu ao público para parar de encaminhar essas mensagens, dizendo que elas apenas semeiam o medo entre os moradores. As autoridades também asseguraram ao público que mantêm a situação sob controle e que a polícia e os militares estão verificando os rumores.

Eu oro para que a cidade de Zamboanga possa renascer das cinzas e da fumaça da guerra. O governo local lançou uma campanha para reavivar os espíritos – cristãos e muçulmanos – e até mesmo as pessoas de fora. A campanha de “reconstruir uma melhor Zamboanga” promete trazer esperança para a cidade que foi dilacerada pelos conflitos. As famílias deslocadas internamente estão ansiosas para verem suas casas recém-construídas onde podem recomeçar sua vida. Todos esperam pelo dia em que poderão dormir e acordar em paz novamente.

A esperança não está perdida. Eu vi brilhos dela mesmo nas áreas mais difíceis. O povo de Deus – sua Igreja – compartilha do pão e do tempo, mesmo que tenha passado pelos mesmos horrores, a mesma luta diária e a mesma dor persistente. Eu os vejo investir tempo em conversas com os mais aflitos e despertar neles a vontade de viver. Eles os guiam à verdadeira fonte de esperança e de paz, continuam a apontar a cidade de Zamboanga para o Príncipe da Paz, Jesus Cristo.

*Nome alterado por motivos de segurança.

Leia também
#ViagemparaFilipinas 1
#ViagemparaFilipinas 2
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoTamires Marques

sábado, 29 de novembro de 2014

#ViagemparaFilipinas 2

Em seu segundo relato, Khalil* continua compartilhando reflexões sobre o cerco à cidade de Zamboanga, ao sul das Filipinas, no qual muitas pessoas morreram. Um ano depois, ele se lembra das pessoas chaves frequentemente mencionadas na imprensa local enquanto as tropas do governo confrontavam os militantes
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Alguns suspeitos estão ligados à crise que se abateu sobre a minha cidade no ano passado. Há um homem supostamente por trás de tudo, mas ele ainda nega seu envolvimento. Seu braço direito relatou ter sido afastado do grupo, mas rumores dizem que ele ainda permanece. E há o líder da cidade que está sob pressão para reestabelecer a paz e o progresso em Zamboanga.


O “cabeça”
Acredita-se que o presidente fundador da Frente Nacional de Libertação Moro (FMLN, sigla em inglês) Nur Misuari tenha sido o mentor do confronto inicial. Depois de expressar sua desaprovação sobre o acordo do governo filipino com o grupo rival Frente Islâmica de Libertação Moro (MILF, sigla em inglês), ele declarou o renascimento da luta pela independência, com a criação da Organização das Nações dos Estados Federados da República de Bangsamoro ou simplesmente República de Bangsamoro.

Misuari planejou uma série de “marchas pela paz” nas principais cidades de Mindanao, como Davao e Cagayan de Oro. Em setembro de 2013, os militantes do MNLF chegaram em Zamboanga, mas as autoridades locais negaram seu pedido para organizar uma manifestação e içar a sua bandeira em frente à prefeitura. Isto levou ao combate entre as forças governamentais e os combatentes do MNLF. Misuari foi contatado por funcionários, incluindo o vice-presidente Jejomar Binay, mas as negociações foram infrutíferas. O grupo do MNLF não disse explicitamente que o cerco estava sob ordem de Misuari, mas outros subcomandantes do MNLF que lideraram os rebeldes tinham dito que estavam na cidade de Zamboanga sob o comando dele.

Pelo que ouvi, Misuari está atualmente em uma área reservada em Sulu. As autoridades o acusaram de rebelião por instigar o cerco sangrento. Em 29 de agosto do ano passado, Misuari supostamente ressurgiu na remota aldeia de Lampayag, perto da cidade de Panamao,  para comemorar o aniversário da declaração de independência da República de Bangsamoro.

O governo prometeu levá-lo à justiça.

O braço direito
Ustadz Habier Malik é o líder do Comando Revolucionário do estado Sulu. Ele reconhece o presidente fundador do MNLF, Nur Misuari, como o legítimo líder da organização separatista. Após a queda política de Misuari em 2001, o MNLF se dividiu em três grupos: o Conselho Islâmico de Comando (ICC), o Conselho dos 15, e a facção liderada por Misuari.

Juntamente com outros quatro subcomandantes do MNLF, o terceiro grupo MNLF assumiu o controle de quatro aldeias na cidade de Zamboanga em 9 de setembro do ano passado, forçando os moradores a fugirem da área. O cerco custou a vida de cerca de 200 pessoas.

O militar afirma que Malik estava entre aqueles que não sobreviveram. No entanto, o porta-voz do MNLF, Atty Emmanuel Fontanilla, afirma que Malik escapou do cordão militar e fugiu para Sulu. No entanto, até agora, Malik nunca ressurgiu para provar a alegação de Fontanilla. Eu me pergunto o que aconteceu com ele.

A prefeita da cidade
Maria Isabelle Clímaco-Salazar é a atual prefeita da cidade de Zamboanga. Inicialmente, ela liderou o comitê de crise aberto imediatamente após o conflito ter eclodido. Quando a crise se arrastou por uma semana e um nível de alerta 4 foi levantado, o presidente Benigno Aquino III assumiu o comando da comissão.

A prefeita foi consignada a controlar a crise humanitária que estava chegando ao ponto de ebulição nos centros de evacuação ao redor da cidade. O número de pessoas deslocadas aumentou para cerca de 110 mil, quase um décimo da população da cidade, que foi forçada a uma paralisação enquanto voos eram cancelados e portos fechados. Postos policiais foram colocados especialmente em pontos de entrada e saída para interceptar quaisquer forças adicionais para os rebeldes. Alguns subcomandantes do MNLF disseram que estão de prontidão para apoiar os seus companheiros de luta.

Depois da crise de Zamboanga ser declarada como “resolvida” pelo governo em 28 de setembro, Clímaco dirigiu os esforços da reabilitação para os moradores afetados. Ela também supervisionou a gestão do acampamento nos centros de evacuação. A partir de agora, vários locais transitórios foram distribuídos em várias aldeias. A reconstrução dos lugares devastados está em andamento. No entanto, cerca de 14 mil ainda estão nos centros de evacuação.

Seu governo estabeleceu um prazo para concluir todos os esforços de reconstrução até dezembro deste ano. Mas com o enorme volume de trabalho que ainda precisa ser feito, os otimistas são tentados a perguntar: será que ela vai ser capaz de cumprir? 


*Nome alterado por motivos de segurança.

Confira a última parte desse relato amanhã.

Leia também

#ViagemparaFilipinas 1
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoTamires Marques

#ViagemparaFilipinas 1

Khalil* é um colaborador da Portas Abertas na cidade de Zamboanga, nas Filipinas. Ele testemunhou em primeira mão a crise que atingiu a sua cidade natal, quando a perigosa facção da Frente Nacional de Libertação Moro (FMLN, sigla em inglês) a cercou em 9 de setembro de 2013. Um ano depois, pouca coisa mudou. É o que ele relata a seguir
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A crise deixou pelo menos 100 mil filipinos deslocados e desabrigados. Khalil tem sido instrumento fundamental para a Portas Abertas como fonte de notícias e atualizações no auge da situação em Zamboanga. Este é o primeiro de seus três relatos refletindo, um ano depois, sobre tudo o que viveu e ainda vive.

Um impasse sangrento aconteceu em minha cidade em 9 de setembro de 2013. O que ocorreu naquele conflito permanece em minha mente até hoje. Eu ainda posso ouvir os tiros e granadas explodindo; os gritos de crianças à procura de suas mães; o grito das mães que perderam seus filhos no caminho; e a sirene ensurdecedora da ambulância correndo para atender soldados e civis feridos. Eu ainda posso sentir o calor e o cheiro das chamas das casas de muitas pessoas reduzidas a cinzas enquanto a luta se seguia.

Tudo isso podem ser memórias do passado, mas que memórias vivas! O confronto deixou 38 civis e militares mortos. Os rebeldes sofreram uma perda de 158 homens.  A cidade de Zamboanga ainda sofre com as consequências da luta entre irmãos – e tudo devido à ganância por dinheiro e poder.

Cerca de 3.168 famílias vivem em condições ainda mais difíceis nas arquibancadas da cidade que viraram centro de evacuação. Aqueles que conseguiram se mudar para locais temporários se perguntam quando tudo voltará ao normal. Aqueles que foram indiretamente afetados têm ficado impacientes com relação à demora da justiça. A população ainda fica insegura quando avista homens armados, pois teme que um segundo ataque aconteça a qualquer momento. Todos vivem cautelosos enquanto rumores se espalham por meio de conversas e mensagens de texto.

Eu me pergunto quando é que esse sofrimento vai acabar.  Quando voltaremos para nossas casas? Quando vamos experimentar a verdadeira paz e ver a justiça ser feita? Quando é que os rumores cessarão e veremos um progresso real? Quando alcançaremos nosso sonho de uma vida tranquila?

Enquanto Zamboanga espera e procura por respostas, o restante das Filipinas ainda está se perguntando o que realmente aconteceu na madrugada de 9 de setembro. Quem estava envolvido? O que foi feito com aqueles que perturbaram a vida, outrora pacífica, do povo de Zamboanga? 


*Nome alterado por motivos de segurança.

Confira a segunda parte desse relato amanhã.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoTamires Marques

Casal é acusado por possuir materiais cristãos

Nos últimos meses, aconteceram pelo menos quatro casos de batidas policiais em apartamentos e casas de cristãos em diferentes partes do Uzbequistão, 15º país mais opressor ao cristianismo. Na próxima semana, um casal cristão seja julgado em tribunal
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No final de outubro, a Portas Abertas informou que a casa do irmão Aziz* foi invadida pela polícia do Uzbequistão. Recentemente, as autoridades iniciaram o processo criminal contra Aziz e sua esposa, Madina*.
O casal foi acusado de distribuir materiais cristãos proibidos. Os oficiais encontraram anotações com lições da Bíblia em sua casa; essa foi a causa das acusações feitas contra ambos.
Na próxima semana, eles devem comparecer no tribunal. Aziz e Madina são pais de quatro filhos. Ore por essa família e sua igreja.
*Nomes alterados por motivos de segurança.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoAna Luíza Vastag

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Advogados de Asia Bibi apresentam o último apelo da sentença

Uma semana depois de o marido de Asia Bibi, Ashiq Masih, pedir a libertação de sua esposa ao presidente do Paquistão, os advogados da cristã dão um passo importante na expectativa de novidades positivas sobre o caso
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Asia Bibi, a cristã condenada à morte no Paquistão por blasfêmia, apelou para o único tribunal do país que pode salvá-la. Um dos advogados de Bibi, Saiful Malook, entrou com o recurso perante a Suprema Corte do Paquistão, em 24 de novembro, pedindo que reconsidere a existência de deficiências no caso.
Anterior a isso, ocorreu uma audiência no tribunal de apelações em Lahore, e a equipe legal responsável pelo caso não conseguiu reverter a condenação, apesar de uma brecha legal no julgamento. Em sua primeira entrevista após a audiência em Lahore, o conselheiro de Asia, Naeem Shakir, disse à agência de notícias World Watch Monitor que a justiça para o caso "está cada vez mais nas mãos dos extremistas".
A cristã de 50 anos, mãe de cinco filhos, foi condenada à forca após ser sentenciada a quatro anos de prisão por insultar o profeta Maomé durante uma discussão com mulheres muçulmanas sobre uma bacia de água.
"Nós esperamos uma audiência inicial do recurso e espero que o processo acabe em um ano", disse Malook. Ore pelas próximas atualizações em relação ao caso.
FonteDaily Mail
TraduçãoAna Luíza Vastag

A Igreja unida em tempos de crise

O Oriente Médio está em tumulto. A guerra civil na Síria, uma batalha contra o Estado Islâmico em partes do Iraque e da Síria, os refugiados que inundam o Líbano e a Jordânia, famílias que fogem para áreas mais seguras. Esse é o lado negativo, mas o outro lado com certeza mais  positivo: os muçulmanos têm encontrado Jesus em todos esses países
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Nas igrejas da Síria e do Líbano cenas incríveis têm ocorrido. Em uma recente manhã de domingo, em uma igreja libanesa, aconteceu uma transformação. No início do dia, um ônibus parou em frente ao edifício. Grupos de refugiados sírios saíram e caminharam para dentro do prédio. O número era tão grande que o pastor passou a organizar um segundo culto nas manhãs de domingo para ter espaço suficiente para acomodar os refugiados e os próprios membros da igreja em cada um dos horários.
Nos cultos, mulheres cantaram louvores a Deus. Pouco tempo depois, seus filhos cantaram duas músicas, fazendo gestos, e a alegria tomou conta do coração dos presentes e fez com que muitos sorrisos surgissem nos rostos dos pais.
Verdadeiro milagre
Anteriormente, muitos cristãos libaneses eram contrários à vinda dos sírios para o seu país por causa das ações da Síria durante a ocupação do Líbano menos de uma década atrás. Agora, muitos deles se abraçam e louvam juntos a Deus.
Muitos ex-muçulmanos se refugiaram em prédios de igrejas em países vizinhos da Síria. Recentemente, uma jovem cristã síria disse: “Graças a Deus que nós já passamos por esta crise. A Igreja tornou-se mais forte por causa disso”.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoAna Luíza Vastag

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

“Eu acredito em Jesus e quero mostrá-lo ao mundo inteiro”

Dia de festa, celebração e gratidão a Deus: 10 crianças foram batizadas durante um acampamento da Portas Abertas, na Colômbia
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Durante o acampamento anual da Portas Abertas na Colômbia 4 meninos e 6 meninas foram batizados. Para eles, foi um momento especial, como uma das meninas compartilha: "Eu acredito em Jesus e quero mostrá-lo ao mundo inteiro".
O próprio Jesus chamou a si as crianças e disse: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas.”
Junte-se a nós em ação de graças e oração por estas crianças para que cresçam em seu relacionamento com Jesus e permaneçam firmes na fé. Que elas sejam colunas da Igreja na Colômbia e perseverem na pregação da Palavra de Deus em seu país.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoJunia Vasconcellos

Ore pelos cristãos no Egito

Já se passaram dois meses desde que os cristãos coptas em uma aldeia no Alto Egito sofreram uma sequência traumática de eventos que terminaram em abuso policial
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As vítimas ainda não receberam qualquer justiça por parte das autoridades de segurança do Estado que infringiram a lei e violaram os direitos humanos de seus cidadãos.

Em 16 de setembro, na aldeia de Deir al-Gabal Teir, forças de segurança egípcias emboscaram várias casas coptas no meio da noite. Eles roubaram e destruiram pertences das famílias antes de arrastar e agredir dezenas de moradores.  Ações policiais como essas fazem com que os cristãos egípcios sofram perseguição não apenas da população civil local.

A ação das forças de segurança puniram coletivamente os aldeões em resposta a uma manifestação iniciada por um grupo de coptas no dia anterior. Eles protestaram do lado de fora da estação na intenção de pressionar a polícia para investigar o desaparecimento que, ocorrera quase duas semanas antes, da cristã Iman Morqos Saroufim, de 39 anos. Após duas semanas de procuras infrutíferas por parte da família e de autoridades, centenas de coptas se manifestaram em frente à delegacia, protesto se que tornou violento. A partir dessa noite, a polícia passou a atacar e perseguir aldeões que participaram do manifesto.

No final de setembro, Saroufim voltou à família, relatando que havia fugido de seu cativeiro e que havia sido sequestrada por um muçulmano que a obrigara a mudar de religião.

Em uma reunião entre o ministro do Interior, Mohamed Ibrahim e uma delegação copta da governadoria Minya, Ibrahim prometeu compensar os proprietários das casas por quaisquer danos.
FonteCharisma News
TraduçãoJunia Vasconcellos

Enquanto cristãos são libertados, outros são condenados à prisão no Irã

A Igreja iraniana agradece pelas orações de irmãos ao redor do mundo que têm intercedido por cristãos mantidos na prisão em seu país. Eles se alegram que foi concedida a liberdade condicional a Homayoun Shokouhi (foto), no dia 10 de novembro, mas pedem oração por Masoud Rezai, que foi condenado, em 9 de novembro, a cumprir uma pena de cinco anos
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Homayoun, sua esposa e filho, Fariba Nima, estavam entre os sete cristãos presos em Shiraz, em 8 de fevereiro de 2012, quando uma reunião de oração foi invadida. Na ocasião, um membro da igreja também foi detido. Em junho de 2012, os oito foram considerados culpados de "participar de uma igreja doméstica, difundir o cristianismo, ter contato com ministérios estrangeiros, fazer propaganda contra o regime e prejudicar a segurança nacional." Homayoun e outros três cristãos foram condenados a 3 anos e 8 meses de prisão. Um deles, Mohammad-Reza, conseguiu liberdade condicional em 18 de maio desse ano.

Na sequência de um apelo sobre sua sentença, apresentado pela família ao tribunal de Shiraz, Homayoun foi libertado no dia 10 de novembro, depois de cumprir dois anos e oito meses na prisão Adel-Abad. Mojtaba e Vahid permanecem detidos.

Em outro momento, nove membros da Igreja do Irã foram presos em Shiraz, em outubro de 2012, quando uma reunião de oração foi invadida. Um dos detidos foi libertado pouco tempo depois; os outros foram formalmente condenados a sentenças que variam de um ano para seis anos de prisão (apesar da condenação ter sido posteriormente derrubada). Um recurso foi rejeitado em 29 de março de 2014 e, posteriormente, quatro desses condenados – Shahin, Mohammad, Suroush e Mehdi – iniciaram o cumprimento de suas sentenças.

No dia 9 de novembro, Masoud também foi levado à prisão Adel Abad, para cumprir a sua pena de cinco anos. Os outros dois, Eskander e Bijan, estão à espera de serem convocados em breve para cumprir suas sentenças.
FonteMiddle East Concern
TraduçãoAna Luíza Vastag

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Cristãos sírios escolhem ficar no país

Apesar de todas as dificuldades, perseguição e provações, muitos jovens cristãos sírios permanecem em seu país e em sua comunidade, porque sabem que existe ainda muito trabalho em suas igrejas
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Jovens como Gloria do leste da Síria; ou Kefas, de Aleppo (os nomes foram trocados por motivo de segurança). Kefas disse recentemente: “Eu fiquei, sim. As pessoas precisam de nós. Se sairmos, quem vai ajudar, quem vai compartilhar o evangelho?”.
“Eu não me esqueço de como nossas vidas eram antes da guerra. Eu não conseguia entender como o apóstolo Paulo, relata na Bíblia, poder se alegrar em situações difíceis. Agora eu sei. Eu sinto a alegria do Senhor, na situação em que estamos”.
O jovem ainda afirma que, apesar do medo, ele assume o risco e a responsabilidade de ser Igreja. “É claro que eu estou com medo, eu sou humano. Mas a Igreja não existe para ‘nada’, a igreja tem um propósito, temos uma responsabilidade. De certa forma, somos como a primeira Igreja, ela foi perseguida também”.

Gloria se diz emocionada quando sabe que pessoas em todo o mundo oram pela Síria. “Isso incentiva e me toca. Precisamos disso, é bom saber que o mundo está preocupado conosco e intercede por nós. É difícil. Vivemos em uma situação perigosa e há muito que fazer”. 
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoRegina Andrade

Sistema de educação pública turco oferece aula sobre cristianismo

O sistema de educação pública da Turquia está se preparando para oferecer um curso optativo sobre o cristianismo. O novo currículo foi criado em uma colaboração inédita entre líderes cristãos em Istambul que representam diferentes comunidades
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O comitê de criação é composto por nove membros do clero com base grega, armênia e de sírio ortodoxos, assim como católicos e protestantes.
O pastor Behnan Konutgan, da Casa da Bíblia em Istambul, informou que o Ministério da Educação autorizou a comissão de autoria a continuar desenvolvendo o currículo de religião cristã deste mês. A comissão já preparou um projeto de livros didáticos para as crianças das quarta e quinta séries, com idade entre nove e onze anos. A comissão está organizando as apostilas para os alunos da oitava e nona séries.
A criação deste novo currículo levanta muitas perguntas sobre a sua execução, tais como e onde as aulas serão ministradas. "Há mais perguntas do que respostas", afirmou a especialista em liberdade religiosa, Mina Yildirim. "Se o Ministério da Educação não está disposto e pronto para se tornar flexível, esse curso não passará de discurso, nunca entrando na prática". Uma das propostas de flexibilidade envolve a união de alunos de diferentes escolas a fim de completar a cota de doze alunos por turma, exigência para o início das turmas. Yildirim disse ainda que o Ministério da Educação também pode considerar a realização de classes com menos alunos, possibilitando que o currículo atenda às necessidades da comunidade cristã.
Segundo um cristão ortodoxo que pediu que sua identidade fosse preservada, toda a sua educação primária e secundária ocorreu em escolas públicas de Istambul. Ele disse que havia geralmente até três cristãos em sala, e durante a aula de religião, eles se sentavam juntos na cantina da escola. Ele pensou que o cristianismo como disciplina pudesse ser uma proposta muito difícil de ser implementada em escolas turcas, públicas ou privadas.
Uma das preocupações, levantada pelo administrador escolar, Garo Paylan, é qual a especialidade e o grau de conhecimento de professores para ministrarem esse curso nas escolas públicas. Outras preocupações também surgiram. O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (CEDH), do qual a Turquia é uma das signatárias, decidiu que as aulas de religião obrigatórias não parecem de aplicação justa para os alunos que não seguem a religião, em um país de maioria islâmica sunita. Eles ainda pedem ao governo turco que os alunos que não queiram participar das aulas, sejam dispensados a pedido dos pais, sem que precisem divulgar suas crenças religiosas.  O anúncio do governo sobre a oferta de uma disciplina eletiva de cristianismo veio logo após a decisão do TEDH.
FonteWorld Watch Monitor
TraduçãoRegina Andrade

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Tribunal Federal ouve cristãos acusados injustamente

Após se converterem ao cristianismo, ex-muçulmanos são presos sob suspeita de tráfico de entorpecentes
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Obsa Ogeto, 32 anos, e Soka Araro, 31 anos, compareceram na última semana perante o Tribunal Federal da Etiópia, sob acusação de tráfico de entorpecentes, crime punível com até sete anos de prisão. Os homens foram presos pela polícia etíope em agosto deste ano, após sua conversão ao cristianismo ser reconhecida por amigos e familiares. Um dos acusados pagou fiança e foi liberado, enquanto o outro aguardou o julgamento detido.

Familiares dos cristãos detidos e a equipe da Portas Abertas na região acreditam que as prisões foram feitas com provas plantadas por muçulmanos liderados por membros das próprias famílias dos acusados. De acordo com o advogado voluntário da Portas Abertas, responsável pela defesa, os dois homens foram falsamente acusados pelas comunidades e autoridades locais como punição por deixar o Islã, religião dominante na região.
Como aconteceu
Uma testemunha ocular, que não pode ser identificada por motivo de segurança, afirmou que os muçulmanos ameaçaram entregar os dois homens à polícia, caso não recusassem o cristianismo e voltassem ao islamismo. Com a recusa, foram plantadas falsas provas na casa que os acusados dividiam, e a polícia foi chamada pelo mesmo grupo que os ameaçou.
Reincidência
A detenção ilícita de cristãos em áreas de maioria muçulmana em toda a Etiópia está se tornando um problema cada vez mais proeminente. Ao longo do mês passado, quatro idosos cristãos, envolvidos em uma batalha legal sobre os direitos de propriedade sobre a terra em que sua igreja é construída, foram presos e detidos por três dias em Dalocha sem direito a fiança. Um evangelista cristão em Shashemene foi preso enquanto pregava publicamente e detido durante 30 horas, sem sequer conhecer a acusação.
FonteInternational Christian Concern
TraduçãoRegina Andrade

Família ameaça irmão por conversão ao cristianismo

Na Argélia, 32º país mais opressor aos cristãos, a lei proíbe a conversão de muçulmanos a outras religiões. A Constituição atual não permite reuniões públicas que promovam outra fé além do islã, e as igrejas geralmente não recebem a autorização necessária para funcionar
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Ore por dois cristãos argelinos de origem muçulmana. Labib* recentemente se converteu ao Senhor Jesus. Ele ainda vive com sua família e eles estão furiosos. Ele vive sob muita pressão em casa.
Há algumas semanas, ele disse que queria morar em outro lugar, porém, seus irmãos disseram que iam queimar sua loja. Eles também ameaçaram atacar Hamim*, o homem que pregou o evangelho para Labib. Por causa disso, Hamim decidiu vender o seu negócio e agora vive em outra cidade.
Peça para que os dois cristãos tenham comunhão com outros irmãos, para que o Senhor os conforte e ajude a permanecer firmes em sua fé.
DIP: servindo cristãos perseguidos no mundo muçulmano
Há muitos irmãos que enfrentam perseguição dentro de casa, assim como Labib. Muitos praticam sua fé de maneira secreta por estarem sujeitos a hostilidades e ameaças de extremistas religiosos. No dia 31 de maio, realize o Domingo da Igreja Perseguida em sua própria igreja e ajude-nos a mobilizar mais irmãos que orem e contribuem com a causa dos cristãos perseguidos. Saiba mais aqui.
*Nomes trocados por motivos de segurança.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoAna Luíza Vastag

Marido de Asia Bibi pede a libertação da esposa ao presidente do Paquistão

Ashiq Masih, o marido da cristã Asia Bibi, escreveu uma carta aberta ao presidente do Paquistão pedindo a libertação de sua esposa. Em outubro, a condenação por blasfêmia que levou à sentença de morte de Asia foi confirmada pela Alta Corte de Lahore
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Masih escreveu uma carta aberta ao presidente paquistanês Mamnoon Hussain na segunda-feira (17). Asia Bibi é uma cristã paquistanesa que foi condenada por blasfêmia em 2010 e, em audiência recente, foi sentenciada à pena de morte.
"Desde que a Asia foi acusada, em novembro de 2010, por beber um copo d’água em nossa aldeia, minha família vive em constante medo e sob ameaças de morte", escreveu Masih na carta, de acordo com o jornal Guardian.
“Eu vivo me escondendo com meus cinco filhos e tento ficar perto de Asia tanto quanto é possível. Ela precisa de nós, da nossa ajuda, para manter-se viva, para levá-la remédios e comida quando está doente.”
As mulheres muçulmanas da aldeia de Asia Bibi sentiram-se ofendidas quando ela bebeu da mesma água que elas e, após uma discussão, acusaram-na de insultar o profeta Maomé.
O caso de Asia ganhou atenção internacional depois dos assassinatos, em 2011, do ministro do Paquistão, Shahbaz Bhatti, e do governador Salmaan Taseer, ligados à defesa da cristã.
"Nós somos cristãos, mas respeitamos o islã", escreveu Masih. "Estamos tentando o nosso melhor para apresentar o caso final à Suprema Corte antes de 4 de Dezembro." Ele acredita que sua esposa só poderá ser salva de ser enforcada se o presidente Mammon Hussain conceder-lhe perdão. "Ninguém deve ser morto por beber um copo de água”, atesta Masih.
FonteChristian Today
TraduçãoAna Luíza Vastag