segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Radicais islâmicos atacam escola na Nigéria

Militantes do grupo ultrarradical Boko Haram teriam invadido um centro de ensino nigeriano, e matado a tiros alunos que dormiam nos dormitórios da instituição
Em um dos mais sangrentos massacres da história recente da Nigéria, cerca de 50 estudantes de um centro de ensino agrícola, no nordeste do país, foram assassinados a tiros, aparentemente enquanto dormiam. Suspeita-se que os radicais islâmicos do Boko Haram, que travam uma violenta insurgência nessa região, tenham sido os responsáveis pela chacina.

O ataque ocorreu nos dormitórios da escola de Gubja, na Província de Yobe, e teve início por volta da 1 hora, segundo o diretor da instituição, Idi Mato. "Nossos estudantes foram atacados enquanto dormiam. Eles abriram fogo contra eles", disse Mato à Associated Press. A maior parte das vítimas tem entre 18 e 22 anos.
O nordeste da Nigéria vive em estado de emergência, em meio à luta entre forças do governo, liderado pelo presidente Goodluck Jonathan, e militantes do Boko Haram. A campanha insurgente para impor um Estado islâmico - em um país onde metade da população é cristã - já matou mais de 1.700 pessoas desde 2010 e obrigou 30 mil a fugirem, principalmente para Camarões e Chade. O Boko Haram é contra a influência e a "educação ocidental" na língua haussá, idioma nativo africano com o maior número de falantes, ao lado do suaíli.
As Forças Armadas nigerianas já recuperaram 42 corpos e levaram 18 feridos para um hospital da região, segundo um oficial de inteligência que falou em condição de anonimato. Segundo um político local, ouvido pela BBC, e o próprio diretor da escola, o número de cadáveres encontrados chegou a 50 e deve aumentar.
Em entrevista ontem à noite, o presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, comparou o massacre ao ataque no shopping de Nairobi, na semana passada, que matou 67 civis. Um estudante que sobreviveu ao massacre, Ibrahim Mohamed, afirmou que os terroristas chegaram ao local em duas picapes de cabine dupla e motocicletas. Alguns supostamente vestiam roupas com a mesma camuflagem que a usada por militares nigerianos.
Ainda de acordo com o estudante, os militantes pareciam conhecer o local e atacaram os quatro dormitórios masculinos, mas evitaram o único exclusivo para mulheres. Mohamed disse ter sobrevivido pois conseguiu "correr para o mato".
Outro aluno, Adamu Usman, afirmou que quase todas as vítimas, assim como a maioria dos estudantes do local, são muçulmanos. Usman ajudou a socorrer os colegas e a levá-los para o hospital após os militantes irem embora.
Parentes de alunos lotaram um necrotério para onde eram levados os cadáveres das vítimas, tentando buscar informações. Eles faziam fila no lado de fora aguardando o momento de entrar para ver se identificavam algum dos corpos.
Segundo o diretor Mato, cerca de mil estudantes conseguiram fugir a tempo do massacre. Ele afirmou que a escola não tinha recebido nenhum tipo de proteção das forças de segurança nigerianas, embora o governo tivesse prometido enviar soldados e policiais. Há duas semanas, o comissário para educação da região, Mohamed Lamin, havia convocado uma entrevista coletiva na qual exortou todas as escolas da província a reabrir, garantindo que sua proteção seria mantida pelas Forças Armadas e policiais.
A maior parte das escolas e demais centros de ensino havia decidido fechar as portas após 29 alunos e um professor terem sido assassinados por militantes, em julho. Algumas das vítimas foram queimadas vivas.
FonteO Estado de S. Paulo e AP

O drama de refugiadas norte-coreanas na China

Ela não tinha nenhum dinheiro, nenhuma comida, nenhum futuro. Quando uma senhora sino-coreana que viajava pela Coreia do Norte disse a Hye* que ela poderia ganhar muito dinheiro na China, parecia uma oferta irrecusável
Hye e outras poucas senhoras atravessaram o rio frio da fronteira no meio da noite. Do outro lado, alguns homens fortes esperavam por elas. Quando bateram-se as portas da van por trás delas, Hye sabia que algo estava terrivelmente errado. Como 50 mil outras norte-coreanas atualmente escondidas na China, ela tinha sido enganada por traficantes humanos.

As pessoas da van quase não falavam. Não havia como dizer para onde o carro iria. Elas foram levadas para um prédio, algum tipo de escritório, e trancadas até serem vendidas, uma a uma, para os chineses.

“Eu chorei cada dia dos três primeiros anos que fiquei na China”, disse Hye recentemente a Portas Abertas. “O homem que se dizia meu esposo me surrava terrivelmente. Ele também me engravidou e tivemos uma criança. Chegou um ponto em que eu não aguentava mais as surras e fugi. Agora, estou me escondendo dele. Uma vizinha, que também é uma refugiada ilegal da Coreia do Norte, traz meu filho de vez em quando, para que eu possa passar um tempo com ele”.

Logo após Hye deixar seu marido, foi apresentada a um dos grupos secretos para refugiadas da Portas Abertas na China e se tornou cristã. A obreira Sun-Hi incentivou-a a voltar para seu marido e tentar fazer as pazes com ele: “Tenho visto muitos milagres nos casamentos de maridos chineses e esposas norte-coreanas. Deus pode fazer isso, mas, algumas vezes, elas precisam suportar um pouco mais. Entendo que é fácil falar, mas, repetidamente, Deus tem provado que é capaz de restaurar esses relacionamentos e torná-los muito melhor para o casal e para seus filhos”.

Hye se recusou a voltar. “As surras eram muito duras. Era horrível. Agora meu marido já comprou uma esposa nova”.

Destino fatalAs histórias de outras refugiadas norte-coreanas são similares e igualmente complexas. Atraídas para longe de suas famílias e seu país, elas se acham presas em bordeis ou por maridos abusivos.

Frequentemente, as mulheres são “compartilhadas” por diferentes membros das famílias.  As sogras tendem a tratá-las como escravas. Muitas deixaram maridos e filhos na Coreia do Norte na esperança de conseguir sustento para eles. “O único motivo pelo qual não tirei minha vida é porque, pelo menos, eu posso sustentar minha família na Coreia do Norte”, dizem as refugiadas frequentemente.

Há muitos obstáculos emfugir para a China (pense na falta de dinheiro, nenhum contato, nenhuma identidade e nenhum documento de viagem), e há muitas consequências. Ainda que elas consigam evitar a prisão, fugir para a China significa perder todas as ligações com seus parentes na Coreia do Norte.  
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoGetúlio A. Cidade

domingo, 29 de setembro de 2013

O Egito após Tahrir

A queda do regime de Mubarak em fevereiro de 2011 desencadeou uma onda imensa e contagiante de otimismo. Imagens de cristãos e muçulmanos de mãos dadas na praça Tahrir foram transmitidas por todo o mundo e deram credibilidade à narrativa de que um novo Egito, mais liberal e democrático, estava nascendo
Para melhor entendimento do texto abaixo, leia A Igreja no Egito: os desafios da perseguição ao longo do tempo.

A chegada de MubarakHosni Mubarak substituiu Sadat no comando do Egito em 1981. Sua tarefa imediata era desativar a bomba que seu antecessor havia armado com as prisões em massa dos opositores em todo o espectro político, e lidar com a rebelião islâmica que sucedeu o assassinato de Sadat. Os problemas dos coptas ocupavam o fim de sua lista de prioridades, se é que constava dela.

A rebelião islâmica no sul do Egito durante a década de 1990 ultrapassou em muito qualquer outra ameaça a que os coptas tenham sido submetidos em tempos modernos. Como o governo perdeu o controle efetivo do sul, coptas foram deixados à mercê de grupos islâmicos. Embora despercebida na época, a gravidade dos ataques levou a uma emigração maciça copta do sul para os subúrbios e favelas do Cairo. Alguns conseguiram escapar para mais longe: o ocidente.

O governo enfrentou a rebelião com violência em massa. Centenas de rebeldes foram mortos e milhares presos e torturados. Enquanto a rebelião islâmica estava sendo derrotada pela força, o aumento da violência popular de cidadãos comuns despontava como o maior problema para os coptas. O aumento da participação de seus vizinhos e colegas de trabalho em ataques violentos foi o que mais os alarmou.

Um massacre em El Kosheh em 2 de janeiro de 2000, que deixou 21 coptas mortos depois de três dias de violência popular, foi um excelente exemplo. Ataques populares geralmente iniciavam após rumores diversos: a construção de uma igreja, uma relação sexual entre um cristão e uma muçulmana, um suposto insulto ao islamismo. Os detalhes de cada ataque variavam, mas o resultado final, não. Eles resultavam em casas queimadas, lojas saqueadas e a polícia forçando uma sessão de conciliação, o que significava que os autores nunca seriam levados a julgamento e punidos. A multidão tinha boas razões para acreditar que poderia atacar os coptas sem que houvesse represálias.

Com o maior controle da rebelião islâmica, Mubarak estava disposto a ser mais complacente com os coptas. Em 2000, concedeu licenças a 35 novas igrejas e renovou a permissão de 200. Em 2005, Mubarak delegou aos governadores a autoridade para lidar com petições de renovação, mas mantendo para si a autoridade de decidir sobre a construção de novas igrejas. Essa decisão ajudou a aliviar a situação dos coptas em algumas províncias sua, ao passo que o fanatismo das autoridades de outras províncias não permitia que muito fosse feito para resolver o problema. Em 2002, Mubarak agiu em favor dos coptas devolvendo a maioria de suas terras confiscadas para doação e declarando o Natal Copta como um feriado nacional.

Apesar disso, os coptas continuavam a ser sub-representados em todos os cargos eletivos e governamentais. Não havia coptas entre os reitores de universidades, decanos de departamentos ou dirigentes de empresas públicas. A representação copta na força militar e policial foi limitada a um mínimo.

Os últimos anos do governo de Mubarak testemunharam uma abertura significativa das esferas políticas e meios de comunicação no país. Tal abertura ajudou evidenciou ao mundo os problemas dos coptas e a discriminação que sofriam. Entretanto, a divulgação não resultou em soluções práticas. O Estado egípcio insistia em que os coptas não enfrentavam dificuldade — ideia essa compartilhada pelos muçulmanos, que sustentavam que os coptas eram a minoria mais sortuda do mundo.

Os próprios membros da elite copta continuaram a negar a existência do problema, consolando-se com a ideia de que a discriminação e a perseguição existiam apenas em aldeias distantes, e esperando que sua negação pudesse ajudá-los a viver em paz. Suas fantasias eram de pouca ajuda, uma vez que os ataques continuavam, e cada vez mais perto deles.

Os protestos na praça Tahir
As promessas de fevereiro logo deram lugar à realidade de maio, quando as igrejas de Imbaba foram atacadas, e de outubro, época do massacre de Maspero. O completo colapso da polícia e do aparelho de repressão do Estado liberou os muçulmanos de quaisquer constrangimentos. Em nível nacional, eles logo venceram as eleições e dominaram a esfera política; em nível local, os islamitas, muito mais encorajados pelo aumento de seus irmãos por todo o país e pelo colapso da polícia, afirmaram o seu poder nas ruas egípcias e aldeias e aplicaram suas visões.

Os padrões de perseguição continuaram e foram reforçados após a revolução. O número e o alcance dos ataques cresceram drasticamente, e não se limitavam mais às aldeias escuras ou favelas, mas se espalhavam pelas ruas do Cairo e em frente à sede da televisão oficial. Edifícios da igreja foram atacados e queimados, a violência popular contra os coptas crescia a cada dia e o novo terror de evacuações forçadas de aldeias estava se tornando mais comum. Acusações de blasfêmia e de insulto à religião aumentaram, tendo os coptas como alvos principais. O aspecto mais preocupante para os coptas continuava a ser o fato de serem atacados por vizinhos, colegas de trabalho e pessoas com quem haviam crescido.

Em nível nacional, a situação também era sombria. A Irmandade Muçulmana fez belos discursos a respeito das preocupações dos coptas e do ocidente antes de sua ascensão ao poder, prometendo igualdade e liberdade para todos; contudo, essas promessas foram esquecidas. A nova Constituição egípcia, aprovada em dezembro de 2012, consagrou ainda mais a natureza islâmica do Estado e assim comum o status de segunda classe dos coptas.

A Igreja Copta por um fioAs perspectivas para os coptas no Egito são, no mínimo, desoladoras. Diferentemente dos emigrantes judeus que escaparam do Egito nos anos 40 e 50, não existe um Israel para onde os coptas expulsos de sua pátria-mãe possam escapar. Nem mesmo a sua percentagem total no Egito lhes permite desempenhar um papel relevante na formação de seu futuro. A única opção é fazer as malas e ir embora, pondo fim a dois mil anos de cristianismo no Egito.

Uma nova onda de emigração copta já começou e é imensa. A maior parte dos emigrantes está se dirigindo para os países onde seus irmãos se estabeleceram em décadas passadas. A triste realidade, no entanto, é que nem todos poderão fugir. Não há espaço no ocidente para milhões de imigrantes coptas. No fim das contas, os coptas com um melhor inglês e mais habilidades conseguirão escapar, deixando seus irmãos mais pobres para trás. A comunidade vai perder os seus melhores elementos, aqueles que oferecem postos de trabalho para seus irmãos, aqueles que fazem doações para a igreja, o que vai aumentar ainda mais a sua miséria.

A saída dos coptas dos Egito não significa apenas uma perda para seu povo e sua Igreja. O país vai perder parte de sua identidade e história. A história copta tem sido uma narrativa interminável de declínio e desespero, mas também de sobrevivência, de resistência em face de perseguição e de coragem; o sangue dos mártires é a semente da Igreja. A perseguição deixou suas marcas sobre a Igreja e sobre os coptas. Mas a história copta é também de triunfo em meio ao desespero e de proteção do Senhor ao seu povo.

O êxodo copta do Egito representa um desafio colossal para a Igreja Copta. Hoje, a Igreja Copta tem mais de 550 igrejas fora do Egito. Em um futuro não tão distante, o centro de gravidade da Igreja Copta não será mais dentro das fronteiras do Egito.

Adaptado de “The Coptic Church in peril: The Islamization of Egypt and the end of Egyptian Christianity”, de Samuel Tadros (Australian Broadcasting Company, 15 de setembro de 2013).
Conheça e participe da campanha Ajude o Egito, Agora!
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoDaniela Cunha

A Igreja no Egito: os desafios da perseguição ao longo do tempo

Quando olhamos para a Igreja no Egito hoje, suas limitações e desafios, somos levados a crer que, há séculos, ela é uma minoria oprimida dentro de um grande país islâmico. No entanto, nem sempre foi assim. A Igreja egípcia que vemos hoje, bem como a perseguição que ela sofre, foi moldada ao longo de décadas de revoluções e mudanças sociais
As mudanças mais significativas começaram na década de 1970, quando Anwar El Sadat assumiu a presidência do Egito, sucedendo a Gamal Abdel Nasser. Nasser havia governado por cerca de 20 anos. Ele aboliu os partidos políticos, abraçou o nacionalismo e adotou uma política considerada socialista por alguns. Durante seu governo, o êxodo da comunidade copta do Egito começou a emigrar.

Na segunda metade da década de 1950, ocorreu a primeira onda de emigração para o ocidente, composta por profissionais altamente qualificados que buscavam um futuro melhor. Em 1961, uma segunda onda de coptas, composta por membros da classe média-alta e classe alta, partia para se juntar à primeira leva de emigrantes.

Após esmagar seus oponentes internos em maio 1971, Sadat enfrentou um enorme desafio: encontrar uma maneira de tirar o Egito da situação humilhante em que ficou após a derrota por Israel em 1967, na Guerra dos Seis Dias. Depois de hesitar, o líder resolveu dar um passo, atacando Israel em 6 de outubro de 1973. O êxito inicial obtido na guerra trouxe ao Egito um novo sentimento de orgulho, e a tão necessária legitimidade ao seu líder.

Embora Sadat não fosse fã da democracia, ele se comprometeu a promover abertura na esfera política. O sistema de partido único foi abolido e os partidos políticos tiveram permissão para atuar. Sua decisão mais importante em âmbito nacional foi a liberdade concedida para a formação de grupos islâmicos.

Com Sadat, a religião estava cada vez mais substituindo o nacionalismo como alicerce do país. A fim de combater o predomínio nasserista e a dominação esquerdista nos campi universitários, Sadat permitiu e, em alguns casos, encorajou a expansão das correntes islâmicas nos campi e fora deles. Mais religioso e conservador que seu antecessor, Sadat percebeu tarde demais que havia desencadeado uma tempestade que iria destruí-lo.

Nascimento do extremismo islâmico no EgitoA revista da Irmandade Muçulmana El Daawa publicava longos artigos contra os coptas. Segundo o periódico, os coptas eram a minoria mais feliz do mundo e não tinham nenhum motivo para reclamar. Os coptas deviam se dar por satisfeitos com seu status privilegiado de dhimmis (cidadãos não muçulmanos de um país islâmico) até que, é claro, finalmente vissem a luz e se convertessem ao islã.

Na verdade, os coptas não estavam sendo discriminados no Egito, mas sim favorecidos pelo Estado. Para eles, os coptas estavam tentando mudar a cara do Egito construindo mais igrejas do que o necessário. Eles eram tidos como um grupo que visava subverter o país. Espalharam-se rumores de que mantinham um estoque de armamentos.

Em 1972, foi divulgado um relatório de uma suposta reunião realizada entre o papa copta Shenouda e sacerdotes. De acordo com o relatório, o papa teria dito que o Egito seria recristianizado assim como acontecera na Espanha. Os coptas deviam ter muitos filhos, certificando-se de uma queda na taxa de fertilidade das mulheres muçulmanas.

Essas teorias de conspiração resultaram na discriminação dos coptas no campo da ginecologia. Outros departamentos universitários não foram poupados. Estava se tornando impossível para qualquer cristão a obtenção das notas necessárias para ser nomeado professor em uma universidade. A discriminação contra os coptas em cooperativas do governo e nos setores burocráticos tornou-se generalizada. Quase nenhum copta era eleito para o parlamento egípcio ou para ocupar as posições superiores no governo.

Em 1977, a Universidade de al-Azhar propôs uma lei para que a sharia — um código de leis civis baseado no Alcorão — fosse implementada no país. A proposta incluía a pena de morte para os apóstatas.

Em 21 de março de 1977, decidiu-se que a sharia deveria ser aplicada em relação aos coptas quanto ao seu estado civil, permitindo aos homens o casamento com quatro mulheres e a obtenção de divórcio.

O cristianismo era diariamente ridicularizado na imprensa. Como era de se esperar, tal postura acabou por alienar coptas, que temiam o futuro diariamente. Nos campi universitários, grupos islâmicos começaram a atacar os estudantes cristãos. Logo começaram os confrontos. Um cenário ainda mais violento era apenas uma questão de tempo.

O alvo de alguns ataques eram edifícios utilizados pelos cristãos para orações, os quais não tinham obtido a aprovação necessária do governo. Em 6 de novembro de 1972, um edifício desses foi atacado na cidade de El Khanka. Irritado, o recém-empossado Papa Shenouda III (1971-2012) ordenou que alguns bispos e sacerdotes marchassem até o local e celebrassem uma missa. Tal marcha foi interpretada como uma provocação pelos muçulmanos, e o edifício foi atacado novamente. A comissão parlamentar encarregada de investigar o ataque verificou que dos 1.442 templos no Egito, apenas 500 tinham a licença necessária.

O número de ataques foi aumentando. Em 1979, uma igreja no Cairo foi incendiada. Em janeiro de 1980, sacerdotes que estavam em ascensão foram atacados e diversas igrejas em Alexandria foram bombardeadas. Grupos islâmicos obtiveram um fatwa (pronunciamento legal) de um  líder religioso determinando que qualquer copta que doasse dinheiro para as igrejas seria um alvo legítimo de roubos. Os confrontos sectários tiveram seu ápice em junho de 1981 no distrito de El Zawya El Hamra, no Cairo: a matança seguiu por três dias, enquanto a polícia fazia tímidos esforços para acabar com a violência. O evento deixou 81 coptas mortos. Ainda em 1981, um bombardeio em outra igreja no dia 4 de agosto deixou três mortos.

Em 14 de maio de 1980, Sadat fez um discurso ardente ao Parlamento Egípcio. Ele acusou o papa de tentar estabelecer um Estado cristão em Assiut, no sul do Egito. Criticou o que chamou de “uma tentativa da Igreja de ser um Estado dentro do Estado”, acusou os coptas de provocar potências estrangeiras contra o Egito e de receber armas e treinamento dos falangistas no Líbano. Ele concluiu seu discurso com palavras ameaçadoras: "Sou um presidente muçulmano de um país islâmico".

Resposta dos coptas à oposição
A ascensão islâmica na década de 1970 causou uma terceira emigração de coptas, a fim de escapar de um Egito que lhes parecia estranho. Os emigrantes da terceira onda eram mais diversificados quanto à formação e situação econômica e social, incluindo muitas famílias mais pobres. A vida dos que permaneceram no Egito girava em torno das igrejas.

Diante da crescente discriminação na esfera pública, os coptas corriam para a igreja em busca de uma vida entre seus muros. Confrontados com a ascensão dos muçulmanos no Egito e com a crescente exclusão dos coptas, corriam para a igreja buscando consolo.

Era uma via de mão dupla — a Igreja expandia seus serviços para suprir a comunidade cristã e a comunidade exigia que a Igreja suprisse suas necessidades crescentes. Os coptas recorriam aos seus líderes para pedir conselhos e orientação sobre tudo em suas vidas, fazendo da instituição a única representante da comunidade copta. As portas que se abriram aos cristãos nos serviços das igrejas deram-lhes oportunidades de crescimento pessoal e profissional.

Os coptas a quem foram negadas posições de liderança em seu país encontraram oportunidades para ocupar cargos de liderança em suas igrejas. Diante de uma esfera pública que os suprimiu e humilhou, esperando que agissem como dhimmis felizes, a Igreja deu-lhes autoestima e os ajudou a recuperar a confiança perdida.

No entanto, não se tratava apenas do crescimento da Igreja e de uma comunidade que corria para ela por medo do mundo exterior. O reavivamento e crescimento da Igreja copta decorrem de motivos internos, como o movimento da escola dominical, sendo mais um reavivamento espiritual e religioso do que uma reação às ameaças externas.

Adaptado de “The Coptic Church in peril: The Islamization of Egypt and the end of Egyptian Christianity”, de Samuel Tadros (Australian Broadcasting Company, 15 de setembro de 2013).
Amanhã (29), leia o que aconteceu no Egito após a chegada e a queda do regime Murabak.

Conheça e participe da campanha Ajude o Egito, Agora! 
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoDaniela Cunha

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

União Batista perde terreno utilizado em acampamentos

No dia 20 de setembro, o Tribunal Econômico da cidade de Tashkent decidiu que um terreno pertencente à União de Igrejas Batistas do Uzbequistão fosse devolvido ao Estado. Apesar das provas contrárias, Tribunal decidiu em favor do governo uzbeque
O caso teve início em junho, quando o Departamento de Privatização de Propriedades (DPP) da cidade de Tashkent abriu um processo contra a União Batista por causa de um terreno que os membros dela usavam em acampamentos e atividades recreativas.

O DPP afirmou que o terreno fora adquirido ilegalmente em 2000, e deveria ser devolvido ao Estado.

Na audiência de 10 de setembro, a União Batista refutou a acusação do DPP com documentos comprovando que o terreno havia sido comprado de maneira legal.

Em contrapartida, o DPP apresentou um abaixo-assinado de 2004, supostamente feito pelos vizinhos do acampamento batista, que se opunham ao uso daquela propriedade. No entanto, como apontou o advogado da União Batista, o documento não continha “o primeiro nome dos assinantes, além de outras informações importantes como data de nascimento e endereço. Fora isso, a maior parte das assinaturas era de indivíduos cazaques, que não conhecem o idioma uzbeque, e que talvez não tenham redigido nem firmado pessoalmente o abaixo-assinado”.

Problemas legais como esse são uma fonte de opressão à Igreja em toda a Ásia Central, que enfrenta dificuldades para legalizar seus templos e suas propriedades.

No mês de outubro, o pastor Kubã, do Cazaquistão, outro país da Ásia Central, estará visitando igrejas brasileiras. Confira a agenda de visitas e não perca esta oportunidade de conhecê-lo!
FontePortas Abertas Internacional e Forum18
TraduçãoDaila Fanny

Grupos de direitos humanos criticam contínuas violações no Sudão

Um bispo sudanês escreveu ao presidente Barack Obama pedindo ações imediatas para salvar as vidas nas Montanhas Nuba e nas regiões de Darfur e do Nilo Azul. O rev. Andudu Adam Elnail pediu duras ações contra o regime sudanês. Ele lembrou os líderes mundiais de não se concentrarem somente no conflito sírio, mas para prestarem mais atenção à guerra que ocorre em várias partes do Sudão
De acordo com o rev. Andudu, seu país é assolado por “crimes contra a humanidade patrocinados pelo governo” que merecem a atenção de Obama.

“Como vítima e sobrevivente de um genocídio, gostaria de lembrar o seu respeitável gabinete que é necessário grande esforço para acabar com as mortes e com as pessoas desabrigadas, restaurando a paz em nossa comunidade que tem sofrido por tantos anos”, escreveu Andudu em carta publicada no jornal Sudan Tribune. “Nosso povo se sente como se o mundo tivesse se esquecido dele. Nós nos perguntamos por que vocês não agiram para acabar com o sofrimento de nosso povo ou do povo de Darfur, que ainda sofre e cuja condição está piorando”. 

“Continuamos a ser atacados diariamente. Bombas caem em fazendas e escolas, igrejas e mesquitas, clínicas e mercados. Civis inocentes, mulheres e crianças são mortos durantes seus afazeres diários. Aqueles que sobreviveram, passaram a conviver com um medo constante e, por dois anos, têm morado em cavernas nas montanhas”. 

O bispo também lastima as condições do povo que vive nos territórios sudaneses afetados pela guerra, citando as condições de fome nas regiões de Kao Nyaro e Warni, nas Montanhas Nuba. “Se a situação política não for tratada e não houver ajuda humanitária para o povo imediatamente, a catástrofe aumentará até que seja tarde demais”.

Andudu também instou com Donald Booth, enviado dos EUA recém-designado ao Sudão e Sudão do Sul, para que desenvolva uma nova pró-democracia e uma política orientada para a proteção dos civis no Sudão. 

Barrado pelas autoridades
Na semana passada, o pedido de visto do presidente do Sudão, Hassan Omer al-Bashir, para comparecer à Assembleia Geral das Nações Unidas virou manchete internacional. À luz da acusação de Hassan pela Corte Penal Internacional por crimes em Darfur, seu pedido foi negado. Uma porta-voz do Departamento de Estado dos EUA não deu indícios de se o visto seria concedido, mas disse: “Nós condenamos qualquer esforço em potencial” de Hassan al-Bashir em comparecer ao encontro das Nações Unidas.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoGetúlio A. Cidade

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Colaborador da Portas Abertas fala sobre ataque terrorista no Quênia

Nesta terça-feira (24), o presidente Uhuru Kenyatta anunciou o fim o cerco de quatro dias ao shopping Westgate, em Nairóbi, invadido por militantes islâmicos no último sábado (21). Confrontos violentos e chamadas de secessão têm causado crescente inquietação entre os cristãos e missionários nos municípios do Norte e da Costa do Quênia. Leia o que um colaborador da Portas Abertas no Quênia tem a dizer sobre o caso
Como líder da equipe de colaboradores da Portas Abertas na Região dos Lagos, incluindo o Quênia, qual é a sua visão do ataque ao Westgate?Este é, de fato, um evento muito triste que condenamos veementemente. Convocamos nossos parceiros ao redor do mundo a orar por esta nação e, particularmente, por todos aqueles que foram afetados por esse ato terrível.

Muitas pessoas conhecem o Quênia como um famoso destino turístico e estão surpresas pelo rumo dos acontecimentos.

Embora estejamos amedrontados pelo ataque, não estamos nem um pouco surpresos com isso. O [grupo terrorista] Al-Shabab sempre ameaçou invadir Nairóbi. No passado, aconteceram outros ataques.

Além disso, temos de levar em consideração que o Quênia é vizinho de países onde conflitos armados alimentaram a proliferação de armas na região. Os terroristas consideram o Quênia um alvo fácil por conta da simplicidade que encontram para contrabandear armas.

O país também abriga alvos primordiais para terroristas, como propriedades e negócios dos Estados Unidos e de Israel.

No seu ponto de vista, o ataque foi mais do que uma mera vingança à intervenção do Quênia à Somália?
Sim, cremos que sim. O ataque deve ser visto a partir de uma análise do contexto político e religioso regional. A campanha da Força de Defesa do Quênia na Somália teve início com o objetivo de proteger a Província do Nordeste do caos que tomava conta da fronteira. A campanha também tinha como objetivo turistas ou agentes humanitários depois de casos de sequestro e morte de turistas.

Em termos de uma agenda geopolítica mais ampla, o Al-Shabab está entre os somalis que acreditam que a Província do Nordeste pertence a eles, e está promovendo uma tática de guerrilha na região. Eles tentam trazer à tona ressentimentos históricos contra o governo queniano. Seu objetivo é que essa área seja separada do Quênia e acrescida ao território da Somália.

Além dos motivos geopolíticos, o Al-Shabab tem também interesses religiosos. O grupo tem promovido uma guerra contra os cristãos e o cristianismo na Somália e no Quênia. Sua agenda está alinhada com a agenda jihadista mundial de transformar a África na “casa do islã”. Semelhantemente, ataques a igrejas em Garissa, Wajir e Mandera têm como objetivo acabar com a presença do cristianismo no nordeste.

Temos dito há algum tempo que a atmosfera religiosa no Quênia está mudando, e para nós o ataque ao Westgate é outro claro indício de uma nova e profunda perseguição que se disfarça de terrorismo e conflito tribal.

Porque o Westgate?
Sheikh Abulaziz Abu Muscab, porta-voz das operações militares do Al-Shabab disse à rede de TV Al-Jazeera: “[Westgate] é um lugar em que turistas do mundo inteiro vêm fazer compras e onde diplomatas se reúnem. É onde as lideranças do Quênia vêm para se encontrar e relaxar. É um lugar em que há lojas judaicas e norte-americanas. Então, temos de atacá-lo”.

O que esse ataque significa em termos de liberdade religiosa no Quênia?
Estamos preocupados com os aspectos religiosos desse conflito. A reivindicação do grupo conta com o apoio de muitos. Infelizmente, discursos como este causam profundas divisões religiosas. Se este aspecto não for cuidadosamente gerenciado pode levar o país a um precipício.

Os cristãos estão cansados das mortes sem sentido. Temos medo de novos confrontos. Precisamos orar pelo país. Orar para que a Igreja se mantenha no amor de Cristo e que não se esqueçam de sua missão de compartilhar esse amor aos muçulmanos.

Como estes eventos influenciam as atividades da Portas Abertas no Quênia?
Nós, da Portas Abertas, continuaremos a socorrer a Igreja com uma resposta bíblica à perseguição. Também vamos continuar a ajudar as igrejas, equipando seus membros na divulgação do evangelho em suas comunidades através de uma abordagem dinâmica e contextual.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoMarcelo Peixoto

Como a Igreja no Egito está sendo socorrida?

Através da mobilização da Igreja no Brasil e ao redor do mundo, cristãos egípcios têm recebido recursos para reconstruir suas vidas após os conflitos recentes no país. A campanha Ajude o Egito, Agora tem gerado resultados importantes. Ainda dá tempo de participar!
Relatos de cristãos locais revelam que os últimos meses foram realmente tensos no Egito. Uma série de ataques extremistas destruiu igrejas e casas de cristãos. Muitos fundamentalistas acreditavam que os cristãos eram culpados pelas mudanças no governo e, por isso, se vingaram, atacando suas propriedades.
Nesse contexto, a Portas Abertas Brasil está promovendo a campanha Ajude o Egito, Agora!, que tem por objetivo mobilizar os brasileiros em prol dos cristãos egípcios. As doações arrecadadas irão beneficiar irmãos egípcios que precisam reabrir seus negócios, auxiliar aqueles em situação de emergência financeira, além de apoiar espiritualmente a Igreja como um todo.
O que já tem sido feito
Os recursos levantados já ajudaram 68 famílias que perderam suas casas ou lojas e tiveram seus meios de sobrevivência tirados abruptamente. Além disso, 120 crianças receberam novas roupas e material escolar (já que os seus próprios foram queimados).

Outras 100 moças que apoiavam suas famílias através do trabalho foram ajudadas financeiramente, já que, durante esses tempos difíceis, elas não puderam trabalhar e, por isso, não tinham como comprar comida. 

Ontem (25), mais 10 famílias foram ajudadas na cidade de Minya, uma das mais afetadas.
Para a próxima semana, há mais 15 famílias que precisam ser socorridas de maneira urgente , assim como outras 100 moças e suas famílias, que não têm o que comer.
Ajude o Egito, Agora!
Você pode socorrer esses irmãos para que continuem firmes em sua fé, apesar de toda a opressão, e recebam recursos em meio à necessidade extrema. Ore, doe e engaje-se nessa causa. Envolva seus amigos e sua igreja:www.portasabertas.org.br/egito  
FontePortas Abertas

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Presidente do Quênia anuncia três dias de luto

Uhuru Kenyatta anunciou nesta terça-feira que chegou ao fim o cerco de quatro dias ao shopping Westgate, em Nairóbi, invadido por militantes islâmicos no último sábado (21)
O presidente confirmou a morte de 61 civis e seis soldados. As forças de segurança quenianas mataram cinco rebeldes e levaram 11 suspeitos em custódia. O governo decretou três dias de luto, de quarta a sexta-feira, em respeito às vidas perdidas.

Confrontos violentos e chamadas de secessão têm causado crescente inquietação entre os cristãos e missionários nos municípios do Norte e da Costa do Quênia. Membros da Igreja e missionários dizem que as ações fazem parte de um plano mais amplo para introduzir a sharia (lei islâmica) nas cidades predominantemente muçulmanas da região. Junte-se a nós em oração pelo Quênia.

Pedidos de oração• Dê graças ao Senhor pelo fim dessa situação.
• Ore por consolo de Deus para todos aqueles que perderam entes queridos.
• Peça por sabedoria para o governo em sua gestão da crise, para que se evitem novas divisões religiosas, o que seria muito prejudicial para o país.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoAna Luíza Vastag

O Egito depois da tempestade

Líderes da Igreja egípcia em Delga refletem após o restabelecimento do controle militar no país, ocorrido em 3 de julho desse ano. No início de setembro, o governo interino do Egito prorrogou por mais dois meses o estado de emergência. Na prática, a medida se estenderá até o fim de novembro
Poucos dias após o exército egípcio reassumir o controle sobre Delga, uma cidade cristã na província de Minya, os cristãos estão avaliando a extensão dos danos que sofreram nas mãos de partidários do ex-presidente Mohamed Morsi.

Delga, uma vila remota localizada no Alto Egito, a cerca de 150 quilômetros ao sul do Cairo, foi uma das mais afetadas quando militantes pró-Morsi culparam os cristãos pela saída da Irmandade Muçulmana do poder, e os atacaram.

Estimativas apontam que, dos aproximadamente 120 mil habitantes da vila, mais de um terço é cristão. Desde o dia 14 de agosto, quando uma onda de violência se espalhou pelo Egito, os cristãos de Delga têm compartilhado que foram abandonados pela polícia e pelas forças de segurança do governo.

Muitas de suas igrejas e negócios foram incendiados; suas casas foram marcadas com um “X” vermelho. Aqueles que não fugiram, se escondiam à medida do possível.

Abraam Abu El-Yameen, clérigo que lidera o monastério incendiado de Santa Maria e Abraão, de mais de 1.600 anos, contou à agência de notícias World Watch Monitorque mais de 150 famílias cristãs abandonaram a vila. Além disso, aqueles que permaneceram estão amedrontados. “Apesar da presença militar e da prisão de mais de 100 membros da Irmandade Muçulmana, os cristãos estão com medo porque receberam muitas ameaças”, ele disse.

“A despeito da intervenção das forças de segurança em Delga, os cristãos ainda são hostilizados por alguns fanáticos; eles atiram pedras nos cristãos dizendo: ‘O exército e a policia não podem protegê-los de nós’”, narrou ele.

O líder cristão disse que são necessárias mais forças de segurança nas ruas de Delga. Comentou também que os cristãos sofreram prejuízos de milhões de libras egípcias, incluindo a profanação de todas as igrejas do vilarejo. 

Ayoub Youssef, líder religioso, falou em entrevista à MBC Egito que a vida finalmente “voltou ao normal” para muitos cristãos. Contudo, a contínua presença da polícia fez-se necessária para que os cristãos fossem compensados por suas perdas. Youssef disse ainda que algumas casas ainda não foram restauradas porque “foram totalmente destruídas”.

Ele pediu às autoridades uma investigação pelo assassinato de dois cristãos, Hani Iskandar Thomas e Shafik Zakher. O jornal The Guardian relatou que o corpo de Thomas foi arrastado pela cidade por um trator antes que alguns amigos muçulmanos o enterrassem. Contudo, seu corpo foi desenterrado, e ameaças de morte foram feitas contra qualquer um que quisesse enterrá-lo novamente. No final, a família pagou a alguns vizinhos muçulmanos para que o sepultassem.

O bispo Anba Macarius, responsável pela região de Minya, advertiu em um comunicado que as consequências dos confrontos sectários teriam efeitos duradouros. Em particular, ele advertiu os estudantes cristãos que retornavam às aulas para que se guardassem de possíveis conflitos com seus vizinhos.

“Nós não deixaremos o Egito porque o amamos e somos parte desta terra”, ele disse. “Devemos aconselhar nossos filhos a não lutar e nem revidar contra qualquer ação inimiga. Deus permite que isso aconteça para o nosso bem, ele nos ama e transformará tudo isso em bênção”, concluiu Macarius.

Ajude o Egito, Agora!
A Igreja no Egito passa por dias difíceis. Muitos acreditam que os cristãos foram culpados pelas mudanças no governo e, por isso, têm se vingado, atacando propriedades de cristãos. Você pode socorrer esses irmãos para que continuem firmes em sua fé apesar de toda a opressão. Ore, doe e engaje-se nessa causa. Envolva seus amigos, sua comunidade e sua igreja. Sua doação irá beneficiar cristãos egípcios que precisam reabrir seus negócios, auxiliará aqueles em situação de emergência financeira, além de apoiar espiritualmente a Igreja como um todo.
FonteWorld Watch Monitor
TraduçãoMarcelo Peixoto

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Ataque no Quênia soma 69 mortos e 63 desaparecidos

As vítimas do ataque terrorista em Nairóbi, no Quênia, no último sábado (21), chegam a 69. Outras 63 pessoas estão desaparecidas, segundo informações da Cruz Vermelha. Ontem (23), as Forças de Defesa do Quênia (KDF, sigla em inglês) estimavam que cerca de dez pessoas ainda eram mantidas como reféns no interior do shopping Westgate Mall
Confrontos violentos e chamadas de secessão têm causado crescente inquietação entre os cristãos e missionários nos municípios do Norte e da Costa do Quênia. Membros da Igreja e missionários dizem que as ações fazem parte de um plano mais amplo para introduzir a sharia (lei islâmica) nas cidades predominantemente muçulmanas da região.

Islamitas afirmaram nessa manhã (24), ainda manter reféns no shopping. Há relatos de que tiros foram disparados dentro do complexo nesta terça.

A polícia queniana anunciou no Twitter que estava desativando explosivos colocados pelos islamitas durante seu ataque. Segundo a agência EFE um comandante relatou nas primeiras horas da manhã que a operação não está concluída. A agência Reuters noticiou que militares mataram seis rebeldes dentro do shopping.

Segunda-feira (23/09)
Forças de segurança do país fizeram várias tentativas de entrar no centro comercial, mas foram forçadas a se retirar. Segundo autoridades quenianas, militares israelenses e norte-americanos também estão participando da operação.

A área próxima ao setor comercial está isolada e ocupada por forças de segurança, mas há pessoas se reunindo no local com o objetivo de ajudar as vítimas. Estima-se que já tenha sido arrecadado cerca de US$ 250 mil. No início da manhã de ontem (23), a KDF informou que a situação deverá ser controlada em breve.

Entre as vítimas estão três cidadãos britânicos, dois franceses, dois indianos, um sul-africano, uma chinesa, um médico peruano que trabalha no Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e no Banco Mundial, um ganês e um sobrinho do presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, segundo confirmaram os governos de cada um dos países.

*Com informações da Agência Itar-Tass.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Igreja sofre ataque à bomba; 78 pessoas morrem

Este é um exemplo trágico de como é perigoso ser cristão e expressar pacificamente sua fé no Paquistão, assim como em muitos países ao redor do mundo. Ore pelas vítimas inocentes de mais esse ataque violento, suas famílias e os membros da igreja
De acordo com a agência de notícias Reuters, no último domingo (22/09), ocorreu um duplo ataque suicida na saída de uma tradicional igreja anglicana – de 130 anos de existência –, matando pelo menos 78 pessoas no pior levante contra os cristãos no país.
Segundo informações da Reuters, as explosões atingiram a histórica igreja, localizada na cidade de Peshawar, ferindo centenas de fiéis, muitos deles mulheres e crianças. O jornal A Folha de S. Paulo publicou imagens fortes dos feridos e registrou a emoção de parentes e amigos ao se deparar com a morte de familiares. Estima-se que 100 pessoas ficaram feridas. O grupo militante ligado ao Talibã, TTP Jundullah, assumiu a responsabilidade do ataque poucas horas depois do ocorrido.

O Paquistão está no 14º lugar da Classificação de países por perseguição, um ranking anual dos 50 países onde ser cristão é mais difícil. Noventa e seis por cento da população é muçulmana. A Constituição estabelece o islamismo como a religião do Estado, declarando, porém, que as minorias religiosas devem ter condições para professar e praticar sua religião em segurança. Apesar disso, o governo limita a liberdade religiosa por meio da lei de blasfêmia. Saiba mais aqui.
Leia outros casos de perseguição religiosa no PaquistãoPastor é acusado de blasfêmia40 famílias cristãs paquistanesas enfrentam fome
Clérigo que acusou a cristã Rimsha Masih é absolvidoAsia Bibi continua à espera de justiça
Portas Abertas entrevista uma cristã do Paquistão
Multidão muçulmana incendeia 178 casas cristãs no Paquistão

Uma família de árabes e judeus

Em uma área que tem sofrido tanta violência ao longo dos anos Deus está unindo a Igreja de maneira poderosa apesar da tensão que paira sobre a região. A seguir, um relato surpreendente de como um grupo de adolescentes cristãos da Palestina e Israel têm compartilhado a luz de Cristo com a sua comunidade
Todos na plateia sorriam enquanto observavam Esther dançar. A judia de 13 anos dançava apaixonadamente ao som de uma canção árabe de adoração. Seus braços balançavam para a direita e depois para a esquerda, até que ela caiu de joelhos. Ao fundo, um rapaz árabe de 18 anos chamado Nasheed cantarolava junto com a música.

O espetáculo "Crianças do Rei" está em turnê com o apoio da Portas Abertas. Os adolescentes – cinco cristãos árabes e quatro judeus messiânicos – se apresentam normalmente em Israel; e usam a dança para difundir o evangelho. Mas neste trimestre, eles farão uma turnê no exterior. Esses adolescentes têm um coração voltado para Deus e para a unidade da Igreja na sua região. "Sem Deus, nós não conseguiríamos fazer isso juntos", compartilharam eles.

"Nós formamos uma família incrível", conta Nasheed. "Todos nós queremos viver para Deus e é isso que nos une".

"Árabes e judeus se dando tão bem assim é algo muito especial", explica Achi-Noam, de 16 anos, que mora em Jerusalém. "Há muito ódio entre judeus e árabes em Israel. Mas nós vamos contra a corrente, optamos por não participar desse ódio oferecendo amor".

Pedido de oração
  • Ore por esses adolescentes, para que eles continuem a agir em unidade, compartilhando a luz de Cristo com todos ao seu redor.
FontePortas Abertas EUA
TraduçãoAna Luíza Vastag