quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Fotógrafa clica sapatos de africanos que caminharam um mês para escapar de guerra

Na última quinta-feira (24), a Portas Abertas noticiou a história de africanos que arriscam suas vidas para fugir da guerra e da perseguição. Ontem (30), mostramos a reação da Igreja na Eritreia após uma tragédia recente que pelo menos 350 eritreus e somalis imigrantes morreram. O que está acontecendo?
Talvez essa pergunta surja em sua mente pouco depois de outras duas questões: Por que as pessoas se arriscariam em uma jornada perigosa para sair da Eritreia? O que faz com que o número de imigrantes que morreram enquanto tentavam chegar às fronteiras da Europa nos últimos 25 anos aumentasse para quase 20 mil? 

A Portas Abertas discutiu esses temas em: Africanos arriscam suas vidas para fugir da guerra e da perseguição e A Igreja está de joelhos, rogando a intervenção de Deus. Hoje, colocamos em pauta outro viés desse mesmo assunto.
Para representar a jornada de 30 mil homens, mulheres e crianças que fugiram de uma guerra no estado do Nilo Azul, no Sudão, cruzando a fronteira com o Estado vizinho a pé, a fotógrafa Shannon Jensen adotou uma abordagem diferente. Ela clicou os sapatos – ou o que sobrou deles – dos refugiados, que, em alguns casos, caminharam um mês para escapar dos conflitos entre muçulmanos e cristãos. Veja aqui.

Você sabia que no Sudão, quem se declara cristão, é considerado criminoso? É isso mesmo. As contínuas violações dos direitos humanos no país foram comentadas em um relatório da ONU e condenadas por organizações que trabalham com essa temática. Há também o conflito religioso em Núbia, no sul do Sudão.

A boa notícia é que a perseguição tende a estar relacionada com o crescimento e o testemunho, e normalmente refina e fortalece a fé dos cristãos, não o oposto. Por isso, em geral, o aumento das pressões contra o cristianismo mostra que a Igreja está crescendo.
FontePortas Abertas Internacional e Catraca Livre

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Cristãos são obrigados a abandonar a Síria

Não há futuro para os cristãos - ou quaisquer outros que não queiram viver de acordo com a lei islâmica. Todos que queiram viver na Síria, e que concordem em viver de acordo com as leis da Sharia e do Corão, são bem-vindos ao país. Todos os outros têm de ir embora
"Alguns dias depois de ter fugido da Síria para a Turquia, uma colega enviou-me a seguinte mensagem:
‘Querido Nuri, foi instaurado, hoje, um tribunal composto por extremistas em minha cidade, Lattakia, na aldeia [síria] de Kansabba. Este tribunal islâmico faz uso da Lei de acordo com a religião. Todas as pessoas são obrigadas a adotar o islamismo. Veja a imagem na foto que lhe envio.’
Agora, minha colega está esperando por contrabandistas que a levarão, clandestinamente, para a Suécia.
No mesmo dia, no qual ela me enviou a mensagem, a luta entre facções rivais da oposição síria e 12 grupos islâmicos que haviam deixado o Exército Sírio Livre se intensificou. Esse fato assustou todos os não-muçulmanos.
As notícias eram de fato assustadoras. Ao abrir minha conta no Facebook, vi que um amigo, Nicholas Al-Jeloo, havia postado notícias sobre o assassinato de um jovem de 26 anos, chamado Ninar Odisho – em 21 de setembro em Tabqa, na província de al-Raqqah na Síria.
Peguei o telefone e liguei para Al-Jeloo. Ele é um assírio nascido na Austrália com Ph.D. em estudos sobre a Assíria atual e tem visitado o Oriente Médio desde 2002, em pesquisas de campo entre os assírios. Meu amigo fôra para a Síria muitas vezes para se conectar com outros membros da família em Jazira, uma ilha entre dois rios no norte da Síria, e na província de al-Raqqah.
Eu queria saber mais sobre o assassinato. Por que a morte daquele jovem era tão importante? É uma guerra e muitas pessoas morrem todos os dias na Síria.
‘É sobre o futuro dos cristãos que, tal como está, parece sombrio se nada for feito para proteger as minorias vulneráveis ​​do país’, disse ele para mim, em assírio. "Por isso, os assassinatos que estão relacionados com religião e etnia precisam ser divulgados.
Antes da guerra civil da Síria, mais de 200 famílias cristãs assírias, 1.000 pessoas, viviam em Tabqa. Hoje, quase todos eles deixaram o país e agora vivem no Líbano. Alguns foram para a Alemanha. Outros estão espalhados em todo o mundo, abandonados por traficantes que não conseguiram levá-los para a Europa.
Três famílias permaneceram em Tabqa. Os rebeldes disseram que eles não seriam prejudicados. Eles não tinham mais para onde ir e estavam com muito medo de sair porque há muito perigo nas estradas. Eles eram pobres e estavam tentando manter o pouco que tinham. Um membro destas famílias era Ninar Odisho.
Ninar foi morto pelos rebeldes, porque ele era um cristão. Eles ainda queimaram uma cruz em seu rosto. Aparentemente, os rebeldes não queriam mostrar abertamente que são contra não-muçulmanos, para que seus patrocinadores não parassem de enviar armas e ajuda. Assim, eles permitiram que alguns cristãos permanecessem em áreas que eles assumiram, depois matavam um a um, fazendo com que o resto fugisse voluntariamente, assim não parecia que eles estavam cometendo um massacre. As últimas três famílias em Tabqa, desde então, fugiram, gravemente traumatizadas’. Al-Jeloo falara com alguns deles.
Minha amiga jornalista, esperando na Turquia para ir para a Suécia, confirmou o que Al-Jeloo me dissera. Ela contou que nos lugares onde os fundamentalistas estabeleceram tribunais islâmicos, não há futuro para os cristãos - ou quaisquer outros que não queiram viver de acordo com a lei islâmica. Ela disse que eu iria até encontrar jihadistas no YouTube, pregando a Sharia na Síria, em sueco. Levei apenas dois minutos para encontrar vários.
Com a ajuda de um palestino que vive na Suécia, cujo caso de asilo eu acompanhei há 10 anos, eu entrei em contato com um dos jihadistas suecos.
‘Todos que queiram viver na Síria, e que concordem em viver de acordo com as leis da Sharia e do Corão, são bem-vindos ao país’, diz ele. ‘Todos os outros têm de ir embora. É nosso dever pregar a palavra do profeta Maomé. Se não fizermos isso e não forçarmos as pessoas a seguir suas palavras, nós mesmos seremos punidos.’ Pedi ao jihadista se ele podia me dar o seu nome.’Eu não posso’, disse ele, não querendo expor sua família na Suécia, revelando sua identidade.
No dia seguinte, percorrendo o Facebook, vi que minha amiga jornalista síria também estava on-line. Eu enviei- lhe uma mensagem sobre a entrevista que fiz com o jihadista. ‘Eu encontrei centenas de jovens barbudos como ele, de todo o mundo, nas ruas de minha cidade natal', ela me respondeu. ‘Foi por esta razão que fui embora’."
Foto: Tribunal da Sharia instalado em um edifício em Kansabba, Síria. O texto à esquerda diz: "Julgue as pessoas de acordo com as palavras de Allah; ao centro: "Tribunal da Sharia"; à direita: "Não há deus senão Alá". Foto cedida por Nuri Kino.

Redação: Nuri Kino é sueco, escritor, cineasta. Atualmente trabalha como repórter investigativo independente. Ele é também um analista de direitos humanos no Oriente Médio. Seu relatório, intitulado ‘The Camp’, que examinou o funcionamento de um campo de refugiados em massa, para cristãos sírios, dentro da Turquia, foi divulgado, em 5 de maio, pela World Watch Monitor.
FonteWorld Watch Monitor
TraduçãoCláudia Veloso

A Igreja está de joelhos, rogando a intervenção de Deus

A Igreja na Eritreia não está se juntando a um coro de crítica contra seus líderes, expressando desejo para que o mal venha sobre eles ou orando, em primeiro lugar, para que eles sejam substituídos. Em vez disso, a Igreja está de joelhos, rogando a intervenção espiritual de Deus na vida dos líderes do país, pedindo sabedoria para responder às circunstâncias e por graça para sempre estar disposta e capaz de oferecer às pessoas a esperança de Cristo
A reportagem mostrou três fileiras de caixões castanhos claros e escuros alinhados a quase 30 metros de profundidade, cada um deles com uma única rosa vermelha. A câmera então se volta para quatro caixões brancos menores com números claramente visíveis no fundo branco: 92, 93, 94, 95... Esses são os caixões das crianças que morreram em 3 de outubro, juntamente com pelo menos 350 outros eritreus e somalis imigrantes que tentavam chegar à ilha de Lampedusa. E, enquanto mergulhadores trabalham para içar mais corpos do naufrágio no leito do mar, outros 33 imigrantes da Eritreia, Somália e Síria morrem uma semana mais tarde quando outro barco emborca na tentativa de alcançar a ilha.

Assim, por enquanto, as circunstâncias repressivas que a Eritreia enfrenta gozam da atenção do mundo.

Estima-se que 3 mil eritreus tentem deixar o país a cada mês a despeito dos riscos imensos que sua luta implica. Aqueles que sobrevivem à ordem de tiro para matar do lado eritreu enfrentam uma perigosa jornada através do deserto para chegar às cidades como Cartum e Tel Aviv. Somente os afortunados escapam de sequestro por resgate ou de assassinato para retirada de órgãos. 

Por que as pessoas se arriscariam em uma jornada perigosa para sair da Eritreia?

As circunstâncias dos eritreus estão descritas na resolução da Assembleia Geral da ONU adotada em junho deste ano. Entre outras coisas, o documento condena:

• A violação contínua e sistemática dos direitos humanos e das liberdades fundamentais pelas autoridades eritreias, incluindo casos de arbitrariedade e execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados, uso de tortura, detenção incomunicável e arbitrária sem recurso à justiça, e detenção em condições degradantes e sub-humanas;

• Restrições severas de liberdade de opinião e expressão, liberdade de informação, liberdade de pensamento, consciência e religião, e liberdade de associação e reunião pacífica, incluindo a detenção de jornalistas, defensores de direitos humanos, atores políticos, líderes religiosos e praticantes na Eritreia;

• A conscrição forçada de cidadãos por períodos indefinidos de serviço nacional, um sistema que equivale ao trabalho forçado, a prática obrigatória de todas as crianças que estão no último ano da escola em um acampamento de treinamento militar, assim como a intimidação e detenção de membros da família dos que são suspeitos de se evadirem do serviço nacional na Eritreia;

• As severas restrições de liberdade de movimento, incluindo a detenção arbitrária de pessoas pegas tentando fugir do país ou suspeitas de ter a intenção de fazê-lo;

• As violações dos direitos da criança, incluindo, mas não limitando, a conscrição militar forçada de crianças;

• O uso generalizado de tortura e outros tratamentos degradantes, desumanos e crueis ou punições e uso de lugares de detenção que estão muito aquém dos padrões internacionais, incluindo celas subterrâneas e contêineres de metal;

• A prática de atirar para matar empregada nas fronteiras da Eritreia para impedir cidadãos eritreus de fugir do país;

• Qualquer violação do governo da Eritreia de suas obrigações para com os direitos humanos internacionais em relação à coleta de impostos de seus cidadãos fora do país;

• A falta de cooperação com mecanismos de direitos humanos regionais e internacionais pela Eritreia.

Desde a independência, em 1993, os eritreus têm visto muito pouco da liberdade pela qual lutaram tão duramente. Ao mesmo tempo, o governo persiste em reprimir o povo.

Respondendo sobre as tragédias dos barcos, Zemede Tekle Woldetatios, embaixador eritreu na Itália, chamou o incidente de triste. Quando perguntado sobre o motivo de tantas pessoas saírem da Eritreia, ele disse que os jovens foram vítimas de tráfico humano, o qual deve ser combatido coletivamente. Ele deu a entender que as hostilidades etíopes são a causa do recrutamento indefinido de jovens eritreus. A resposta é consistente com a minimização contínua do sofrimento do povo eritreu por parte do governo.

Pedidos de oração
• Ore pelas muitas famílias enlutadas neste momento. Ore para que o Senhor trabalhe em suas vidas através do Espírito Santo, consolando os corações partidos.
• Junte-se a nós em oração para que o Senhor traga mudança à Eritreia a seu tempo e do seu modo.
• Juntemo-nos à Igreja eritreia para orar por uma virada espiritual profunda para os líderes do país.
• Ore para que o Senhor cumpra Seus propósitos para a Eritreia. Ore para que, no meio das dificuldades enfrentadas pelos eritreus, muitos sejam atraídos a Cristo. Ore para que a Igreja esteja bem equipada para oferecer a todos que perguntarem um motivo sobre a esperança que têm em Cristo.
• Ore pelos cristãos eritreus e pelos líderes da Igreja enquanto respondem às dificuldades descritas pela ONU e por outros. Ore para que eles sejam encorajados e fortalecidos para suportarem seu fardo de forma a trazer a glória para Cristo.

Leia também
Africanos arriscam suas vidas para fugir da guerra e da perseguição 
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoGetúlio A. Cidade

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Irã 'abusa' dos direitos nacionais e internacionais dos cristãos

Pelo menos 300 cristãos foram presos nos últimos três anos no Irã. As acusações mais comuns são ações contra a segurança pública e propaganda contra o regime. Muitos destes cristãos foram presos por fazer parte de "igrejas domésticas", pequenas reuniões de cristãos que se encontram para adorar e orar juntos
Os contínuos maus tratos do Irã à sua minoria cristã foi um dos temas levantados em reunião recente do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Attieh Fard, uma advogada especializada em direitos humanos, pediu ao presidente Hassan Rouhani para cumprir suas promessas feitas às Nações Unidas, em Nova York, libertando os 42 cristãos presos e os 45 que aguardam julgamento.
Fard disse que esses números representam apenas os casos conhecidos. O número real é muito maior, levando-se em conta que muitos têm permanecido em silêncio devido às ameaças do governo. Ao fazer isso, afirmou em seu relatório de 24 de setembro, o governo viola as suas obrigações legais nacionais e internacionais.
"Ao fazer essas acusações contra os cristãos, tanto o governo como o Judiciário cometeram um erro fatual porque as reuniões cristãs em casas ou igrejas são formadas, principalmente, para os cristãos adorarem e estudarem a Bíblia juntos, e não para mudarem o regime. Elas não têm qualquer objetivo político. Portanto, estes julgamentos são errados", disse Fard.
Fard acrescentou que encontros semelhantes eram realizados por muçulmanos xiitas, que se reúnem em grupos para estudar o Alcorão e orar. Mas essas reuniões não foram consideradas uma ameaça à segurança nacional. Alguns cristãos presos são obrigados a ouvir o Alcorão e "bastante pressionados" a se converter ao islamismo. Ela disse que muitos deles são torturados e têm seus bens confiscados. Então, depois de serem libertados, perdem geralmente o direito à educação ou emprego.
O artigo 26 da Constituição iraniana concede o direito a minorias religiosas, incluindo os cristãos, de formar sociedades e se reunir. Como tal, igrejas domésticas são entidades legítimas. Segundo Fard, muitos pastores têm sido presos e mesmo aqueles que são libertados são frequentemente mantidos sob um tipo de prisão domiciliar. O Rev. Robert Asseriyan, que foi preso no início deste ano, é um exemplo. Desde que foi solto, Asseriyan foi impedido de falar com qualquer outro cristão, disse ela.
"Alguns líderes da igreja que não estão presos têm sofrido ameaças do governo dizendo que, se não cessarem as suas atividades ou deixarem de ir às igrejas, serão prejudicados eles próprios ou os membros de suas famílias - mortos, fisicamente atacados ou estuprados", disse ela.
O Irã anunciou que está comprometido com o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, incluindo o artigo 18, que garante o direito de qualquer pessoa a mudar de religião. No entanto, Fard disse que o governo tem "repetidamente prendido cristãos que se converteram do Islamismo, confiscando suas propriedades e os forçando a abandonar seu trabalho ou seus empregadores a demiti-los".
Fard compartilhou o exemplo de um professor que trabalhava para o Ministério da Educação há 30 anos. Depois de descobrirem que ele era um cristão, foi demitido.
Algumas mulheres cristãs perderam a custódia de seus filhos depois de seu divórcio de homens muçulmanos, uma vez que eram tidas como cristãs que abriram mão de seus direitos. Em um caso, o juiz disse à mãe de uma menina de dois anos que ela poderia manter a custódia de sua filha caso se tornasse muçulmana. Enquanto isso, muitos cristãos são forçados a casar-se em cerimônias muçulmanas e realizar funerais islâmicos para os membros cristãos da família.
A recente soltura de duas mulheres cristãs pelo governo foi bem recebida, disse Fard, mas ela pediu ao governo para "libertar todos os prisioneiros cristãos e proteger os seus direitos de cidadania quando forem soltos". Fard também mencionou o fechamento das igrejas de língua persa por parte do governo, acrescentando que não só os cristãos estão impedidos de convidar os não-cristãos a participar como também estão impedidos de aceitar qualquer não-cristão que queira participar.
A solicitação do governo a todas as igrejas para fornecer os detalhes do cartão nacional de identidade de todos os membros e para instalar câmeras de vigilância nas igrejas é contra o artigo 23 da Constituição do Irã, que proíbe o governo de exigir detalhes da religião ou crença de uma pessoa.
Fard concluiu: "É óbvio que o governo islâmico do Irã tem tomado medidas para impedir o acesso de cristãos e do público a sociedades cristãs, igrejas, literatura e a religião cristã, não levando em conta os direitos constitucionais dos cristãos, nacionais e internacionais. Agora que o Irã se diz comprometido com suas obrigações internacionais, deve começar de fato a tomar medidas para proteger estes direitos constitucionais".
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoDaniela Cunha

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Uma trágica volta para casa

"Estamos na All Saints Church, todos morreram, amigo", um dos meus amigos de Peshawar me contou, chorando. "Decidi que precisava voltar para casa e ver o que eu poderia fazer"

A notícia do ataque a cristãos paquistaneses com maior número de mortos de todos os tempos, ocorrido no domingo passado, me deprimiu profundamente. Foi pessoal. Vídeos mostravam na TV meus amigos de infância ajudando cristãos feridos. Enquanto eu via as imagens congeladas em minha televisão, recebi um telefonema inesperado que deixou tudo isso ainda mais doloroso.
Peshawar, a capital de Khyber Pakhthunkhwa, era uma cidade diferente quando minha família morava lá, há 14 anos. Nossos parentes costumavam visitar nossa casa quando vinham fazer compras em nossa pequena e relativamente pacífica cidade, que era famosa por suas roupas, louças e artigos eletrônicos mais baratos, contrabandeados do vizinho Afeganistão. Meu pai costumava me buscar na escola Edwardes em sua motocicleta Yamaha, em frente à All Saints Church. A escola, por motivo de luto foi fechada por três dias. Um portão automático foi instalado na sua entrada, que permanece agora vigiada por dois policiais.
O caminho para a All Saints Church, localizada em um mercado de roupas, tinha sido bloqueado com arame farpado. Um grupo de paroquianos estava checando todos os pedestres. Minha mochila foi verificada quatro vezes antes que eu entrasse na igreja em forma de mesquita, a única de seu tipo no país. "Perdoem-nos, mas não confiamos em ninguém agora", disseram-me.
Uma enorme tenda amarela foi erguida no complexo da igreja e se tornou um ponto de encontro para visitantes, membros da imprensa e autoridades governamentais. Mulheres choravam continuamente em meio à atmosfera triste do complexo, que com seus tijolos maculados de sangue e suas paredes mostrava as marcas dos rolamentos de esferas pulverizadas das bombas detonadas.
Oramos dentro da igreja, e também examinamos a estrutura danificada de 130 anos de idade. Mais tarde, visitamos os feridos no Hospital Lady Reading. Na mesma noite, revisitei a igreja, onde os sapatos dos cristãos mortos ainda estavam empilhados perto das entradas. Vi até mesmo alguns livros e um cantil entre eles. Alguém tinha colocado buquês sob cruzes de madeira perto das portas da igreja. Naquela noite, ela havia se transformado em um pequeno memorial iluminado por centenas de velas.
Também encontrei alguns dos meus amigos de infância que me mostraram fotos tiradas em seus celulares momentos após a explosão. "Primeiramente, vimos dedos entre as pilhas de sapatos. Oramos para que as vítimas tivessem sido levadas para o hospital, mas não foi o caso", disseram-me. "Nunca tínhamos visto tanto sangue e tantos corpos mutilados. Os comerciantes ajudaram a cobrir os corpos, muitos deles nus".
Por último, visitei um dos meus tios, que pertence ao coro da igreja. Seu pulmão esquerdo foi rompido quando um rolamento de esferas atravessou seu peito. Mesmo após a cirurgia na caixa torácica, um rolamento de esferas ainda permanece em seu pulso esquerdo. Peço que orem por sua rápida recuperação.

Redação: Kamran Choudhry, diretor de comunicações, Caritas Paquistan
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoDaniela Cunha

Cristãos indianos condenados à prisão perpétua são inocentes

As igrejas entraram com recurso contra a prisão perpétua declarada no dia 3 de outubro a sete homens condenados pelo assassinato de um importante líder hindu em 2008. Advogados dizem que as condenações baseiam-se em provas ‘circunstanciais’
"Os sete cristãos são inocentes", disse o Rev. Charles Irudayam, secretário-executivo do Gabinete de Justiça, Paz e Desenvolvimento, participante de uma conferência de bispos na Índia. "A decisão é claramente errada e injusta. Exigimos a libertação dos sete inocentes, condenados sem provas", disse através de um comunicado emitido à Agência Fides.
Um oitavo réu, Pulari Rama Rao, líder do movimento naxalita comunista da Índia, também foi condenado à prisão perpétua.
Os oito estão entre os 14 suspeitos, pelo governo, de realizar em agosto de 2008 o assassinato de Swami Laxmanananda Saraswati. Outros quatro foram acusados de invadir seu refúgio no coração rural do estado de Orissa. Saraswati era um monge hindu e ativista pelo bem-estar dos muitos indígenas e tribos carentes da Índia. Uma multidão de cerca de 50 pessoas cercaram seu refúgio e abriram fogo.
As mortes desencadearam uma onda de violência em grande parte dirigida a cristãos, tidos por muitos hindus enfurecidos como os responsáveis. Orissa, um dos estados do lado oriental da Índia, é o coração do movimento naxalita comunista que tem atraído muitos cristãos das castas mais baixas da Índia. Saraswati foi uma figura de destaque no Viœva Hindu Pariṣad ou VHP, um partido político nacionalista hindu, conhecido por agir com severidade contra os cristãos que tentavam converter os hindus.
A violência que se seguiu ao assassinato de Saraswati deixou cerca de 40 mortos, alguns dos quais foram arrastados para fora de suas casas e queimados. Milhares de cristãos fugiram de suas aldeias. Lares, igrejas e um orfanato cristãos foram incendiados.
Os oito réus, cansados, foram condenados em um tribunal distrital na cidade rural de Phulbani no dia 30 de setembro por assassinato, conspiração criminal, reunião ilegal e tumultos. Dois deles também foram considerados culpados de violar as leis de porte de armas.
"O juiz os condenou apenas com base em provas circunstanciais e depoimentos de testemunhas", disse Mohanty ao serviço de notícias.
A promotoria pediu a pena de morte. Em vez disso, o distrito suplementar e as sessões judiciais de Kandhamal, Rajendra Kumar Tosh, regendo a partir de uma corte na capital de Orissa, Bhubaneswar, declarou sentenças de prisão perpétua.
O advogado dos sete disse ao Times of India "que certamente vai recorrer" quanto às condenações e sentenças ao Supremo Tribunal de Orissa.
"Não há provas contra os meus clientes e eu os aconselharia a recorrer ao Supremo Tribunal de Orissa", disse o advogado Bijay Mishra ao Times.
Os defensores cristãos dizem que as condenações são compatíveis com um padrão maior de pressão sobre os cristãos.
"É realmente uma comovente história da Índia moderna", disse Sajan George, presidente do Conselho Global de Cristãos Indianos, à Fides. "Sete pessoas já perderam cinco preciosos anos de suas vidas, na prisão, sem um julgamento justo. E milhares de outros que sobreviveram à onda mais brutal de ataques a cristãos que já tivemos, ainda vivem com medo. Promotores e juízes têm atrasado propositalmente o julgamento". Ele disse que "o Judiciário é influenciado por grupos hindus nacionalistas e extremistas".
Seis dias depois que as sentenças foram declaradas, o mesmo tribunal Phulbani, alegando falta de provas, absolveu cinco réus acusados de incendiar uma casa durante a onda de violência que se seguiu ao assassinato de Saraswati em 2008. George disse ao site católico de notícias Asia News, que a decisão, vindo logo após a condenação dos sete homens cristãos, serve para ilustrar o que ele chama, de um raio de justiça sobre a minoria cristã da Índia.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoDaniela Cunha

domingo, 27 de outubro de 2013

Esperança para mãe e filha – Parte 2

Uma colaborador da Portas Abertas compartilha momentos passados com Ina Pote (foto) e Ka Maria, ex-muçulmanas envolvidas no Projeto Mat Kaholatan em Zamboanga, sul das Filipinas. O projeto é uma iniciativa que visa capacitar cristãos carentes da etnia sama por meio do trabalho artesanal feito com pandan, uma planta tropical de folhas flexíveis e resistentes. Leia a primeira parte da história aqui
"Como eu era a única almasihin (cristã) na minha família, eles me perseguiam", contou Maria. "Meus parentes me chamaram de louca quando me viram carregando a Bíblia. Eu lhes disse que ia ficar com o que era verdadeiro. ‘Apesar de vocês dizerem que eu mudei, de acharem que eu estou louca, vou ficar com a Bíblia’, respondi".
"Quando ouviram isso, ficaram muito bravos comigo. Meus primos pegaram meu cabelo e me arrastaram para dentro de casa pelo cabelo. Minha mãe viu, mas não fez nada. Ela não conhecia Isa Almasih. Eu não podia culpá-la", explicou Maria.
"Eu cresci adorando o ombo-ombo", conta Ina Pote. "É um busto. Um ídolo de madeira. Nosso imames (sacerdotes ito por dslâmicos) fazia-nos ofertar alimentos ao ombo-ombo. Tínhamos medo de que se não déssemos ofertas, traríamos má sorte para casa".
"Quando ouvi um pastor daqui falar sobre Isa Almasih, não acreditei logo de cara," Ina Pote acrescentou. "O tempo passou, e eu finalmente cri em Isa, mas pensei que seria bom continuar adorando o ombo-ombo".
"Minha mãe achava que Isa era como qualquer outro deus", Maria interrompeu. "Ela só começou a entender a diferença quando estudamos a Bíblia juntas, porque lá dizia que ele era o Caminho, a Verdade e a Vida".
"Minha mudança aconteceu quando fui ao funeral do meu primo em Capu", Ina Pote recordou. "Havia muita comida lá, a maioria delas oferecidas ao ombo-ombo. Peguei um bolo típico, um pedaço de panyalang, e dei algumas mordidas".
"Quando cheguei em casa, estava enjoada. O panyalang não me caiu bem, e então me lembrei de que era oferecido a um ídolo", disse. "Lembrei-me do que Maria me contou sobre Isa ser o único Deus. Agora, só Isa está no meu coração", disse Ina Pote. "Ele me dá forças".
"Estou contente por Maria ler a Bíblia para mim", continuou. "Maria agora lidera o estudo bíblico em uma igreja doméstica".
"Minha mãe não tem um endereço fixo", brincou Maria. "Ela participa de quase todas as reuniões nas casas dos vizinhos, o estudo bíblico e o culto. Ela diz que faz isso porque Isa está em todos esses encontros. Isa está em todo lugar".
Esperança recém-achadaQuando perguntei sobre o seu envolvimento no Projeto Mat Kaholatan, Ina Pote levantou-se, olhou para o trabalho, tomou um gole de Coca-Cola e tentou se lembrar. "Entramos no Kaholatan há cinco anos", disse ela. "Agora, tecemos tapetes e os vendemos de 400 a 700 pesos (entre 20 a 35 reais), dependendo da largura".
"Fico feliz quando as pessoas compram nossos tapetes, porque temos uma fonte de renda", continuou. "Deus está usando o Kaholatan para prover as necessidades da minha família. Agora temos dinheiro suficiente para comprar comida e água. Não temos mais que comprar fiado nas lojas das proximidades".
Maria também produz, a partir das esteira de Ina Pote, porta-passaportes, carteiras e chinelos. Ela acrescentou que Isa tem usado este empreendimento para ajudar na educação de seus filhos.
"Antigamente, o meu sonho era que meus filhos chegassem à sexta série, porque eu não tinha dinheiro para mandá-los para a escola". compartilhou. "Estou admirada com o fato de que agora eles estão na escola. Sei que isso vem do Senhor".
"Oro para que, apesar de obstáculos da vida, Deus me mantenha no Kaholatan", acrescentou. "Oro para que Deus também permita que meus filhos terminem seus estudos. Orem para que eu também persevere neste ministério, que eu seja fiel na produção de produtos excelentes".
Pedidos de oração
  • Louve ao Senhor por ele ter tocado a vida de Ina Pote e Ka Maria pelo Projeto Mat Kaholatan. Ore para que elas continuem a buscá-lo e para que ele abençoe o trabalho de suas mãos.
  • Ina Pote e Ka Maria estão entre os samas afetadas pelo cerco Zamboanga. Ore por sua segurança.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoDaniela Cunha

sábado, 26 de outubro de 2013

Esperança para mãe e filha – Parte 1

Um colaborador da Portas Abertas compartilha momentos passados com Ina Pote (foto) e Ka Maria, ex-muçulmanas envolvidas no Projeto Mat Kaholatan em Zamboanga, sul das Filipinas. O projeto é uma iniciativa que visa capacitar cristãos carentes da etnia sama por meio do trabalho artesanal feito com pandan, uma planta tropical de folhas flexíveis e resistentes. "Kaholatan" significa "esperança" no dialeto local do povo sama
Conheci Ina Pote em um sábado. Ela estava colhendo folhas de pandan com sua filha de 41 anos, Maria, o neto Bonji e a vizinha Agassi. Trajava um macacão marrom. Tinha os cabelos grisalhos presos num coque bagunçado, empunhando uma foice um pouco enferrujada na mão. Provavelmente na casa dos 80, Ina Pote me disse, mais tarde, que não sabia quantos anos tinha. "Quando eu era mais jovem, não acompanhávamos essas coisas", disse ela, sorrindo. "Estou simplesmente velha".
Embora idosa, a idade não a impede de trabalhar duro. Ina Pote cortava num instante os altas ramos de pandan, automaticamente empilhando folha após folha. Ela executava a tarefa com tanta facilidade e indiferença que, em pouco tempo, já tinha os maços amarrados. Fiquei impressionado com sua eficiência. Ela era incrivelmente ágil, cortando as longas folhas lancetadas com força e determinação estampadas em seu rosto.
Pote Ina pertence à tribo sama, do centro de Mindanao. "Éramos moradores do mar", conta. Ela passou sua infância coletando conchas e assistindo a seu pai pescar em Basilan. Por volta dos 20 anos, casou-se com um belo pescador chamado Sadlani. Eles tiveram sete filhos, cinco dos quais morreram quase imediatamente após o nascimento. "Eu tive buwaya-buwaya", explicou Ina Pote. "É uma doença, uma maldição que causou a morte dos meus bebês".
Considerada a tribo mais pobre da região, a maioria dos samas, como Ina Pote, nunca recebeu uma educação adequada. Formalidades, como idade e saúde, tornaram-se importantes apenas recentemente. Durante décadas, os samas foram discriminados por sua etnia. Ser um sama é ser pobre, oprimido, maltratado e explorado. É não ter autoestima. É, por si só, ser perseguido. Por suas raízes islâmicas e animistas, ser um sama e seguidor de Jesus ao mesmo tempo é duas vezes mais difícil.
Na casa das tecelãsTive um vislumbre da realidade de Ina Pote quando visitei sua casa. Ela mora em uma pequena cabana de bambu em uma comunidade sama. Depois de me receberam, Iná e Maria acomodaram-se no chão e seus dedos começaram a dançar, tecendo mechas azuis e verdes de pandan em um tapete primorosamente projetado.
"Minha mãe me ensinou a tecer quando eu era apenas uma garotinha", compartilhou Maria. "Eu era a mais velha. Ela sentava-se comigo e me mostrava como fazer estampas".
Ina Pote pegou então algumas tiras e tentou me ensinar como juntá-las ordenada e artisticamente. Eu tentei, mas meus dedos se atrapalharam. E vendo a obra semi-pronta de Ina Pote no chão, percebi quanto tempo, paciência e habilidade eram necessárias para criar algo razoavelmente bonito.
"Maria foi realmente a primeira da família a seguir Isa (Jesus)", disse Ina Pote, sem tirar os olhos e as mãos de seu ofício. "A princípio, fui contra".
"Ouvi um pastor pregar sobre Isa em uma igreja em Lumbayao", Maria compartilhou. "Fiquei curiosa. Comecei então a ouvir o sermão pela janela da igreja. Eu era muito cínica. Minha mente estava em coisas diferentes. Mas depois de ouvir, tive de me perguntar: ‘Sou realmente assim?'".
"Naquele mesmo dia, falei com Isa", Maria continuou. "Senhor, é realmente isso o que você disse? É verdade o que eu ouvi do pastor? Orei a Isa, e ele abriu meus olhos. Disse que tudo aquilo era verdade".
FonteDaniela Cunha
TraduçãoDaniela Cunha

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Cristãos sírios lidam com a perda e o trauma

Cristãos sírios viajaram da Síria para um país vizinho, para participar de um curso de apoio ao trauma, promovido pela Portas Abertas que, desde 2008, está envolvida no apoio à Igreja síria
Uma longa lista de perdas e traumas revela o que os 18 participantes do grupo estão sofrendo ou o que eles têm testemunhado em sua vizinhança. Vítimas de ataques violentos, eles sentem com medo do futuro, fracos na fé e já não são capazes de pensar e expressar seus sentimentos.
"No primeiro dia eu me senti realmente muito seguro por estar aqui", disse Hadi * um jovem de 23 anos, "mas, no meio do dia, meu irmão me ligou e me falou de um morteiro que havia caído muito perto de sua casa. Então eu comecei a me preocupar e me sentir culpado por estar aqui e não com eles."
Além do trabalho de assistência social e distribuição de cestas básicas, a Portas Abertas também apoia a Igreja síria com suporte espiritual para lidar com o trauma. O objetivo deste curso é capacitar os participantes, de modo que isso os ajude em sua situação pessoal, e no possível, aplicar as lições aprendidas em conjunto com outros cristãos em suas igrejas ou nos pequenos grupos, quando voltarem para casa.
Durante o primeiro dia, Amran expressa suas preocupações e compartilha: "Eu me pergunto se é conveniente levar as pessoas para fora do país, para um ambiente seguro e então enviá-las de volta. Porque eu sei que vou ser enviado de volta para o perigo em poucos dias. Isso poderia criar um trauma ainda maior para mim."
A maioria do grupo parece discordar de Amran. "Eu já fiz dois deste tipo de treinamento", diz Ihram, um participante com cinquenta anos de idade, "e pode parecer terrível voltar em poucos dias, mas eu tenho certeza de que você agradecerá por esses poucos dias e por ter sido aliviado de todo o estresse. Aproveite esses dias e respire livremente".
Uma jovem, de 19 anos, confirma isso: "Nossa igreja, às vezes, proporciona às pessoas irem para uma aldeia distante dos arredores de Damasco onde ainda é seguro. Eu sei que tenho de voltar para casa, mas ainda assim, eu me sinto revigorada por poder participar. É um momento para, de fato, esquecer a guerra e pensar em coisas normais de novo".
Durante o curso, o discipulador traçou paralelos com a história de José, da Bíblia. "A vida de José estava cheia de decepções. Ele quase perdeu sua vida, foi traído por seus irmãos, perdeu sua liberdade, perdeu sua nação, perdeu sua família, perdeu sua reputação por causa da esposa de Potífar, foi esquecido por seus amigos da prisão. Mas Deus restaurou tudo na vida de José. José diz: "Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem", Deus está no negóciopara mudar as coisas da escuridão para a luz e para restaurar a nossa vida".
Ghaffar, de vinte e poucos anos, diz: "Uma coisa que eu aprendi é que muitas pessoas têm algum tipo de trauma. Eu tinha a ideia de que somente quando alguém perdesse um membro da família é que ficaria traumatizado, mas todos os que vivem em uma zona de guerra sofrem de traumas em diferentes níveis e necessitam de cura de alguma forma."
Em uma situação de perda e trauma, um sentimento de amargura ou vingança está à espreita. O discipulador explica sobre Jesus que é o maior exemplo de perdão e diz: "Embora humanamente seja muito difícil perdoar, o perdão libera o agir de Deus em sua vida. O castigo e a vingança pertencem a Deus que sabe o que é melhor. O perdão não quer dizer que a ofensa não tenha importância ou que você não tenha sido ferido. O perdão não significa que a confiança seja restaurada e não garante que a ofensa não aconteça novamente".
Durante o curso os participantes também foram desafiados a expressar seus sentimentos de esperança para a Síria, de forma criativa. Com meios limitados os formandos criaram belas obras de arte, transmitindo as situações atuais em que vivem, mas também a esperança que eles têm para o futuro de seu país. As fotos e legendas falam por si.
Ihram: "Nós aprendemos como manter a esperança interior e aprendemos comodesenvolver uma boa conversa e também a ouvir as outras pessoas." Alguém acrescenta: "Eu trabalho muito com crianças, mas eu não sabia como trabalhar com elas e lidar com estas questões. Eu aprendi muito agora, embora eu sinta que poderia aprender muito mais, ainda, sobre como lidar com crianças e jovens traumatizados".
"Um dia, havia um homem-bomba em nosso banco. Todo mundo entrou em pânico, mas pela graça de Deus, eu pude permanecer calma", diz Hasna, uma mulher de 30 anos. "Embora, agora, eu me sinta mais preparada para lidar com estas situações eu sei que eu tenho de ouvir mais as pessoas e não impedi-las de falar."
Também Amran, que expressou suas preocupações anteriormente, está feliz porque teve a chance de participar. "Há tantas maneiras de aprender a lidar com pessoas que têm trauma, espero aprender ainda mais formas, isso é muito útil."
*Os nomes utilizados neste artigo não são reais para proteger a identidade dos participantes.
FontePortas Abertas Internacional