sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Grupo extremista impõe regras aos cristãos na Síria

Um grupo jihadista na Síria exigiu que os cristãos no norte da cidade de Raqqa paguem uma taxa em ouro e aceitem restrições sobre sua fé, caso o contrário, enfrentariam a morte
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A BBC informou ontem (27/02), que o grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS, sigla em inglês) disse que daria "proteção" aos moradores cristãos se eles concordassem com uma lista de condições. O anúncio foi feito em um comunicado publicado online.

Correspondentes da empresa de notícias dizem que o ISIS está tentando implementar uma interpretação extrema da lei islâmica em áreas que controla. A cidade de Raqqa, controlada por membros do ISIS desde o ano passado, foi a primeira capital da província a ficar completamente nas mãos dos rebeldes.

Dentre a série de condições impostas pelos extremistas, os cristãos não devem fazer reformas em suas igrejas, exibir cruzes ou quaisquer outros símbolos religiosos do lado de fora da igreja, tocar sinos ou orar em público.

Os cristãos não devem portar armas, e devem seguir outras regras impostas pelo ISIS (também conhecido como ISIL) em suas vidas diárias.

O documento publicado afirma que o grupo se reuniu com representantes cristãos e ofereceu-lhes três opções: 1) que poderiam se converter ao islamismo, 2) aceitar as condições do ISIS, ou 3) rejeitar as condições e o controle imposto e correrem o risco de serem mortos.

"Se eles rejeitarem, estarão sujeitos a serem alvos legítimos, e nada ficará entre eles e a espada do ISIS", disse o comunicado.

Ore por essa situação, para que a proteção do Senhor esteja sobre a vida desses cristãos e para que os membros desse grupo extremista conheçam a verdade do Evangelho.
FonteBBC
TraduçãoAna Luíza Vastag

Pastor Behnam Irani, preso no Irã, é operado com urgência

Segundo informações da organização Christian Solidarity Worldwilde (CSW, sigla em inglês), o pastor Behnam Irani foi operado com urgência por causa de uma hemorragia grave devido a complicações de úlceras de estômago e cólon
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Fontes da CSW informaram que a operação do pastor Irani foi um sucesso e ele agora está se recuperando no hospital Shahid Madani em Karaj, no Irã. Nesta terça-feira (25/02), ele será levado de volta à prisão Ghezal Hesar.

"Enquanto nós estamos felizes em saber que o pastor Irani está se recuperando no hospital, achamos inaceitável que não lhe foi dado o devido tratamento antes de sua saúde ter piorado. Continuamos pedindo a sua libertação da prisão. Apesar de ter sido condenado por acusações políticas, na verdade, ele está na prisão por causa de sua fé. Seu caso é uma violação da Convenção Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, do qual o Irã é um Estado participante", disse Mervyn Thomas, diretor executivo da CSW.

O pastor iraniano é o líder da Igreja do Irã em Karaj. Ele foi preso inicialmente em dezembro de 2006 e foi condenado em 2011 a seis anos de prisão sob a acusação de "agir contra o Estado" e "ação contra a ordem."

Nos primeiros meses de sua prisão em Ghezal Hesar, o pastor Irani foi mantido incomunicável em uma pequena cela, onde os guardas o acordavam várias vezes como forma de tortura psicológica. Depois foi levado para uma pequena sala onde foi obrigado a dividir o espaço com 40 criminosos, muitos deles violentos. Ele foi submetido à pressão física e psicológica, e sofreu espancamentos regulares por seus companheiros de cela e autoridades da penitenciária, bem como ameaças de morte. Ore por sua recuperação e libertação!

Leia tambémPreso, pastor iraniano Behnam Irani corre risco de vida
FonteCSW

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Um mês após invasão à igreja, doze cristãos ainda estão presos

O pastor protestante Xu Yonghai e onze membros de sua igreja permanecem detidos um mês após a Igreja Holy Love Fellowship ter sido invadida, em 24 de janeiro de 2013
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De acordo com relatos vindos de organizações locais, incluindo a China Change, cerca de 19 cristãos haviam se juntado para estudar a Bíblia na casa de um dos membros em Tongzhou (Pequim), em 24 de janeiro, quando a polícia chegou e deteve 15 membros do grupo na delegacia de polícia local.

Quatro deles, incluindo o pastor Xu Yonghai, foram liberados posteriormente. No entanto, Xu foi preso novamente em 26 de janeiro. Ele e onze membros da igreja encontram-se detidos no Primeiro Centro de Detenção Municipal de Pequim. De acordo com a declaração da polícia em 26 de janeiro, eles estão presos por sua notória participação em manifestações e ajuntamento ilegal.
Dias antes deste incidente, um oficial do Departamento de Assuntos Civis do Distrito veio à outra reunião de estudo bíblico e acusou o grupo de ajuntamento ilegal por não ter registro formal, de acordo com o artigo 12 do Regulamento de Assuntos Religiosos, que estipula que atividades coletivas religiosas devem ser registradas e presididas por equipe religiosa ou outras pessoas qualificadas.
Alguns relatos sugerem que no período do incidente, membros da igreja tentavam visitar um cristão já detido. Também foi mencionado que talvez haja uma conexão entre a invasão e a situação do pastor Xu. Ele tem estado sob vigilância por vários anos, e tem mantido conexão com atividades pró-democracia, bem como apoiado grupos cristãos não registrados.

Anteriormente, ele foi sentenciado a dois anos de reeducação através de trabalhos após assinar uma declaração clamando por democracia, durante o 6º Aniversário do Massacre da Praça da Paz Celestial. Em 2003, ele foi aprisionado por dois anos por auxiliar uma igreja em Anshan. O advogado Liang Xiaojun e outros advogados favoráveis aos direitos humanos estão planejando representar os membros detidos da Igreja Holy Love Fellowship.
FonteCSW
TraduçãoWalkíria de Moraes - ANAJURE

Unicef alerta para risco de 2 mil crianças sírias refugiadas morrerem de fome

Cerca de 2 mil crianças sírias refugiadas no Líbano correm o risco de morrer de fome se não receberem auxílio imediato, informou ontem (25) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A agência da ONU alertou para a iminência de uma crise de desnutrição
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"A desnutrição é uma ameaça nova e silenciosa entre os refugiados no Líbano", disse a representante da Unicef na capital libanesa, Beirute, Annamaria Laurini.
De acordo com ela, o problema está relacionado com a falta de higiene, de água potável, de medidas de imunização eficazes e práticas de alimentação apropriadas para crianças. Aproximadamente 1 milhão de refugiados sírios, incluindo 2 mil crianças, estão refugiados no Líbano.
Com uma população de 4 milhões de pessoas, o Líbano tem visto seus já limitados recursos levados ao limite pelo afluxo de refugiados. Um estudo feito pelo Unicef em outubro e novembro do ano passado mostrou que cerca de 2 mil crianças correm risco de morte e necessitam de tratamento imediato para sobreviver.
Segundo o estudo, as regiões mais afetadas estão no Leste do país, onde os casos de  desnutrição severa duplicaram nos últimos dois anos. O documento também alertou para a chegada de mais refugiados e para o aumento do preço dos alimentos, que poderia deteriorar ainda mais a situação.
De acordo com o representante do Unicef para Saúde e Nutrição, Zeroual Azzedine, crianças com menos de 5 anos são as mais vulneráveis à desnutrição, particularmente aquelas que vivem em condições difíceis nos campos. "A criança que sofre de desnutrição não tem apetite, não quer comer, porque a desnutrição começa por afetar o cérebro. Mesmo que a criança esteja rindo e brincando, a desnutrição a afeta de forma silenciosa", explicou Azzedine.
*Com informações da Agência Lusa
"A situação é difícil, mas temos vivido pela fé"Hanna é uma cristã que mora em Damasco, na Síria, com seu esposo. Eles têm duas filhas jovens. Ela, que trabalha em uma escola, conta como sua rotina foi afetada pela guerra civil que assola o país já há dois anos:

"As aulas recomeçaram, então, voltamos à incerteza. Levantamo-nos muito cedo para orar e jejuar quando nossas filhas não estão em casa. Todo dia quando caminho até a escola em que trabalho, prendo a respiração, pois, a cada minuto, algo pode acontecer. Muitas ruas estão fechadas e, quando você anda, verifica de perto os vestígios da batalha: muitos incêndios por todas as ruas.
Em nossa casa, também vemos os vestígios da guerra: notamos um buraco de bala em nosso quarto de hóspedes, mas, recentemente, também descobri outro buraco no quarto de minhas filhas..."

Continue lendo aqui.
FonteAgência Brasil e Portas Abertas Internacional

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Fechamento de quatro igrejas na Indonésia afeta 500 cristãos

Há quase dois meses, mais de 500 cristãos, entre adultos e crianças, estão impossibilitados de realizar culto em suas igrejas. Em 8 de dezembro de 2013, eles foram forçados por 150 muçulmanos a fechar suas quatro igrejas
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Felizmente, as quatro congregações têm utilizado o espaço de outras três igrejas para prestar o seu culto de adoração a Deus. "Os cristãos ainda estão em um bom estado de espírito, mas a incerteza perdura. Usar os salões de outras igrejas é apenas uma solução temporária. Não sabemos quanto tempo isso pode durar", afirma o pastor Oferlin Hia.

Antes do fechamento, as quatro igrejas ― e outra que conseguiu evitar o fechamento – foram ameaçadas por pelo menos 70 fundamentalistas, que estavam protestando em frente aos templos durante os cultos dominicais dos dias 17 de novembro e 1º de dezembro. Além de ameaças verbais, ocorreu também violência física. Um dos cristãos foi atacado ao tentar tirar fotos dos protestos. Oficiais da polícia estavam presentes, mas pouco fizeram para impedir as tensões. Oficiais da polícia civil foram designados para aplicar as leis locais e ajudar os manifestantes a interditar os edifícios das igrejas. 

Os fundamentalistas demandam que as igrejas obtenham uma permissão para realizar suas reuniões. As igrejas até então operavam em escritórios domésticos ou salas comerciais, cuja atribuição original não era para atividades religiosas. "Nós demos entrada no pedido de permissão, mas os oficiais do governo local não respondem, apesar de termos atendido a todos os requerimentos", explica o pastor Hia. De acordo com as leis do país, uma igreja deve ter pelo menos 90 membros e ganhar o consentimento de pelo menos 60 vizinhos para assegurar uma permissão.
Pastor Hia, que lidera também o Corpo de Cooperação Eclesiástico (BKSAG) de CIanjur, tenta reabrir as igrejas. Ele apresentou um relatório para o Fórum de Harmonia Inter-Religiosa (FKUB) e enviou um pedido para o chefe do governo da região, solicitando deste uma alternativa para as igrejas. No entanto o chefe regional não respondeu até o momento. Até que uma solução seja encontrada, os 500 cristãos devem realizar seus cultos em locais não definitivos.

"Dificuldades podem vir, mas elas só servem como oportunidade para trabalhar mais para o reino e a glória de Deus", acrescentou o pastor.

Pedidos de oração • Ore pela solução desse problema. Que o Senhor possa mover os oficiais do governo a responder rapidamente em favor dos cristãos. Peça também por firmeza e sabedoria enquanto o pastor Hia avança em sua luta para reabrir as igrejas.
• Ore pela proteção das igrejas e para que nenhum outro incidente desse tipo ocorra novamente.
• Ore para que a solidariedade entre as igrejas aumente. Que mais igrejas próximas estejam dispostas a ajudar as congregações em dificuldades.
• Peça a Deus para consolar as quatro congregações. Que eles permaneçam fortes na fé e não sejam enfraquecidos pelos desafios.
• Ore para que a Portas Abertas tenha discernimento ao avaliar essa situação, a fim de prover a assistência mais adequada.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoCecília Padilha

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A situação dos cristãos na América Latina

Mesmo não integrando a Classificação da Perseguição Religiosa, alguns países da América Latina apresentam registros de cristãos que são hostilizados por causa de sua fé. A lista das 50 nações mais opressoras ao cristianismo revela onde a perseguição é mais intensa, porém, há outros lugares onde os cristãos não são bem vistos
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México

Em comparação ao ano anterior, em 2013 a perseguição aos cristãos no México aumentou significativamente.

Há dois motores distintos de perseguição aos cristãos no México. Um deles é o antagonismo tribal. Recentemente, a pressão sobre os cristãos em áreas indígenas tem afetado grandemente a vida de nossos irmãos mexicanos. Especialmente nas pequenas aldeias rurais, nos Estados do sul do país, cristãos são multados, presos, espancados e até mesmo assassinados por causa de sua fé.

O outro mecanismo de perseguição é a corrupção e o crime organizado. Igrejas são vistas como uma ameaça direta ao poder de criminosos, pois ensinam que as questões relacionadas com as drogas não são compatíveis com o evangelho. As igrejas tendem a pedir a lealdade e a fidelidade de seus membros, o que vai contra a perspectiva totalitária de grupos mafiosos.

Cuba
Cuba é um dos poucos regimes comunistas remanescentes no mundo. Há alguns anos, a idade avançada do líder do país, Fidel Castro, exigiu um substituto: seu irmão Raúl Castro. Mas independente da mudança de líder, o regime permaneceu essencialmente o mesmo. Cuba continua isolada do restante do mundo e é fortemente controlada. O mecanismo de perseguição à Igreja é a opressão comunista.

Nos últimos anos, uma série de fatores internos e externos – cujo alcance e impacto ainda não se pode medir – provocou certo grau de mudança política. A perseguição aos cristãos, mais intensa no passado, está mudando lentamente. Antes, os cristãos eram espancados, presos e, por vezes, assassinados; agora, a pressão contra os seguidores de Jesus é, de maneira geral, mais sutil. Ela continua na forma de assédio, vigilância rigorosa e discriminação, incluindo a prisão ocasional de líderes. Cristãos são monitorados, e cultos e eventos da Igreja correm o risco de terem a participação de espiões. Os cristãos também sofrem ameaças e discriminação na escola e no trabalho.

Venezuela
Na Venezuela, a perseguição aos cristãos é quase imperceptível e difícil de compreender claramente. O principal mecanismo de perseguição é a opressão comunista; a Igreja tem sido afetada pela situação política complexa. A ideologia política muitas vezes produz perseguição aos cristãos, embora esta não seja puramente religiosa.

Colômbia (25º na Classificação da Perseguição Religiosa)
A Colômbia é o único país nas Américas em que a perseguição contra a Igreja acontece de forma extensiva. Em 2013, o número de cristãos sequestrados e mortos por rebeldes aumentou. A onda de violência também obriga muitos colombianos – cristãos ou não – a fugir de suas vilas. Por isso, o número de refugiados internos na Colômbia é muito alto, maior até do que o da Síria que, atualmente, atravessa uma guerra civil.

*Cristãos Perseguidos
**Classificação da Perseguição Religiosa
FontePortas Abertas Brasil

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Igreja no norte de Bangladesh é destruída

Esse ano, Bangladesh voltou a integrar a Classificação da Perseguição Religiosa. Os cristãos enfrentam oposição de seus familiares e comunidades e os pastores são vítimas de ameaças e violência

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Por volta das 4h30 da madrugada do dia 19 de fevereiro, um grupo de sete a oito muçulmanos radicais invadiram uma casa de adoração em Bumkarchor, no distrito Lalmonirhat. Eles rasgaram as Bíblias e hinários, quebraram o púlpito da Igreja e a bicicleta que pertencia ao pastor.

O incidente deixou 23 famílias, todos cristãos de origem muçulmana, sem um lugar para se reunir. Seu pastor, Badsha (36), havia sido sequestrado, brutalmente agredido e torturado com choques elétricos em 2 de outubro de 2012. A Portas Abertas ajudou a pagar por seus tratamentos.

O pastor acredita que os mesmos homens foram responsáveis por este ataque recente em sua igreja. "Eles queriam que o pastor Badsha parasse com o seu trabalho de evangelização", disse um contato local. "Os cristãos estão ansiosos. Pedimos por suas orações".
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoAna Luíza Vastag

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Portas Abertas visita família de pastor assassinado em Mombasa

Ibrahim Kithaka, pastor sênior e supervisor distrital da Igreja Pentecostal da África Oriental, foi assassinado no final de outubro, no mesmo dia em que o pastor Charles Mathole também foi morto. O corpo de Kithaka foi abandonado em um matagal próximo ao Centro Comercial Madamani, em Vitengeni
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Cerca de um mês após o trágico incidente, Sarah Kithaka, viúva do pastor Ibrahim, e seus filhos Betty (34), Samuel (30), Paul (24), Mary (22), Rose (19), Emmanuel (16) e Isaac (14), receberam a Portas Abertas em sua casa. Eles ainda estavam tentando lidar com os acontecimentos que mudaram sua vida de forma irreversível.

Naquele dia, o pastor Kithaka precisava cuidar de alguns negócios em sua fazenda; alguém queria comprar cabras. Ele concluiu a negociação rapidamente, mas queria parar no supermercado antes de voltar para casa. Falou brevemente com uma de suas filhas, Mary, por telefone, informando que estava a caminho de casa e avisou que levaria algo para o jantar.

Como ele estava levando mais tempo que o esperado, Mary ligou novamente para ele, ao que ele respondeu que encontrara algumas pessoas que queriam carona e planejava levá-las antes de voltar para casa.

“Aquela foi a última vez que alguém ouviu algo dele”, Samson, irmão mais novo do pastor, que estava apoiando a família, explicou.

Quando anoiteceu, Sarah e Mary tentaram ligar para ele novamente, mas, desta vez, Kithaka não atendeu. Supondo que sua demora se devia ao fato de que era comum que ele fosse parado por alguém para conversar, não se preocuparam muito. Entretanto, quando poucas horas depois, ele ainda não havia retornado e ambos os telefones estavam desligados, a preocupação de sua família transformou-se em aflição.

“Perguntamos aos vizinhos, aos membros da igreja e aos familiares ao redor. Ninguém o havia visto depois que ele deixou o centro comercial com os estranhos. Por fim, chamamos a polícia.”
A busca durou a noite toda.
“Nós o procuramos na fazenda, na igreja, no hospital… Nada! No final do dia seguinte, um amigo ligou. Haviam encontrado a moto de Ibrahim. Mas ele estava longe de ser encontrado. Apressando-nos, começamos a procurá-lo pelos arbustos em volta daquela área.”

Encontraram o corpo do pastor cerca de 300 metros dali, em um matagal. É difícil imaginar quão chocante deve ter sido esta cena para eles. Sarah não hesita em compartilhar os detalhes. “Ele estava deitado de costas. Foi esfaqueado no rosto, e a parte de trás de seu crânio foi esmagada”.
Ninguém sabe por que Kithaka foi assassinado e uma infinidade de perguntas permanece sem resposta. “Seus telefones e sua carteira não foram roubados. Seu relógio ainda estava em seu pulso. Suas roupas estavam intactas. E a moto não foi roubada. Não foi um assalto. Não foi uma negociação que deu errado... Não foi por causa de um desentendimento com alguém… Meu marido foi assassinado por razões que ainda desconhecemos.”

A polícia queniana afirmou que mantém Samantha Lethwaine, também conhecida como “Viúva Branca”, como principal suspeita. Ela é procurada por sete assassinatos no Quênia e tem ligação com o ataque ao Westgate Mall, em setembro, que deixou mais de 70 mortos. Não se sabe por que ela teria o pastor Ibrahim como alvo.

“É muito difícil! Ibrahim viveu para servir a Deus e ao povo de Deus. Essa era sua paixão… Meu marido era tão amado aqui… ele também amava as pessoas. Ensinava os pobres e apoiava muitos outros até sua morte. Estava ajudando a pagar as taxas escolares para oito estudantes carentes... Fez isso porque queria que eles fossem bem-sucedidos na vida. Não queria que alguém não tivesse oportunidade por causa da pobreza. Ninguém entende quem poderia matá-lo e por quê. Não faz sentido!”

Sua morte não é somente uma tragédia para a família. Também é uma grande perda para a comunidade. “Perdemos uma pessoa vital”, disse Douglas Karisa, presbítero da igreja, à Portas Abertas. “Ibrahim amava estar envolvido no desenvolvimento socioeconômico! Ele queria que todos prosperassem. E amava ensinar a Palavra de Deus. Ele foi fundamental no fortalecimento da igreja nesta área e seu ensino nos fez fortes no Senhor. Quando olhamos para o investimento de Ibrahim em tempo, esforço, recursos e orientação para tornar-se o líder forte que ele era, como podemos calcular nossa perda? Aceitamos que não podemos mudar a situação. O que aconteceu, aconteceu. Devemos encontrar um meio de prosseguir apesar da dor”.

Lidar com a perda é muito difícil, mas a família é grata porque pode recorrer a Deus e é apoiada pela igreja local. “Apegamo-nos a Deus em fé e oração. Somos encorajados pela preocupação demonstrada pela liderança da igreja, família e amigos. Deus tem nos sustentado”.

Parece haver também algum consolo em testemunhar o legado de Kithaka. “Sentimo-nos encorajados, porque a igreja permanece forte apesar dos muitos questionamentos”, explicou Douglas.

Quando a visita chegou ao final, Sarah agradeceu a Portas Abertas com lágrimas nos olhos, “O amor não é demonstrado somente por palavras. O verdadeiro amor é notado pelas ações. Vocês nos mostraram o verdadeiro significado de amar uns aos outros no Corpo de Cristo. Sua vinda mostrou-nos de todas as formas o verdadeiro amor. Muito obrigada. Não tenho palavras para expressar o que se passa em meu coração; posso somente louvar ao Senhor que os enviou para nos visitar, pois vocês acalmaram e abençoaram nossos corações. Obrigada!”.

Pedidos de oração
• Ore pelo conforto e sustento de Deus tanto para Sarah quanto à sua família e congregação por causa do sofrimento resultante da morte do pastor Ibrahim.
• Louve a Deus pelo apoio e amor demonstrados à família pela congregação.
• Peça para que a justiça prevaleça. Líderes da igreja afirmaram que a polícia está trabalhando com empenho para encontrar o(s) assassino(s) do pastor Kithaka.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoSuzana Barreto

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Perseguição aos cristãos aumenta na Nigéria

2014 começou de forma excepcionalmente violenta no norte e nordeste da Nigéria, o que levou organizações cristãs a renovarem seus apelos para uma melhor segurança do governo. Radicais invadiram uma igreja durante o culto, bloquearam a porta principal, detonaram bombas caseiras e abriram fogo contra os presentes
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O Boko Haram, grupo militante que quer instaurar a sharia (lei islâmica) em todo a Nigéria – país mais populoso da África –, tem travado vários ataques contra os cristãos, especificamente:

26 de janeiro; Aldeia WagaChakawa, estado de Adamawa:  Radicais invadiram uma igreja durante a celebração do culto, bloquearam a porta principal, detonaram bombas caseiras e abriram fogo. Algumas vítimas tiveram suas gargantas cortadas.

"Meu irmão foi morto como um carneiro," disse Moisés Yohanna à agência de notícias Associated Press.

"Os invasores trancaram a igreja, dispararam contra aqueles que tentaram fugir, e cortaram as gargantas dos demais", disse o líder cristãos Stephen DamiMamza à BBC. "Eles detonaram bombas, e nas quatro horas seguintes incendiaram casas e fizeram reféns."

As notícias divergem sobre o número exato de pessoas mortas, mas alguns relatam que o número de mortos chegou a 53.

31 de janeiro; Aldeia SabonGariYamdula,estado de Adamawa: Militantes invadiram uma reunião de oração à noite, em EkklesiyarYan'uwa, e começaram a atirar. O pastor e dez membros da congregação foram mortos. Os radicais tentaram queimar a aldeia, mas foram expulsos pelos moradores armados, incluindo os jovens.

31 de janeiro; Aldeia Manchok, estado de Kaduna: Uma família cristã de sete pessoas foi morta por radicais. Testemunhas descreveram para a mídia que se tratava de pastores Fulani. Fulani é um grupo étnico do Oeste Africano, de maioria muçulmana, que tem uma história de injustiças no que diz respeito aos cristãos e outros indígenas da Nigéria.

Ao todo, 367 pessoas foram mortas pelas mãos de membros do Boko Haram em 22 incidentes separados, durante as primeiras seis semanas de 2014, de acordo com o Fórum de Anciãos Cristãos dos Estados do Norte.

"Não se passou uma semana neste ano, em que os nossos irmãos do norte da Nigéria não fossem ameaçados, espancados e assassinados", disse um comunicado do fórum, assinado pelo seu presidente, Olaiya Phillips, e o secretário nacional, Emmanuel DanjumaSubilim.

"Eles foram mortos por causa de quem eles são e pelo que eles acreditam", dizia a declaração. "Eles foram assassinados porque estavam determinados a adorarem a Deus. Quase diariamente somos chocados e horrorizados ao sabermos de mais um ato de violência perpetrada contra membros inocentes da nossa comunidade, bem como nossos vizinhos muçulmanos."

O fórum pediu aos governos federais e estaduais da Nigéria para "cumprirem a sua obrigação, tal como consta na Constituição e garantirem a proteção de todos os nigerianos e sua liberdade de culto em segurança." Ele insistiu que "nenhum dos chefes de Serviços Armados deveriam dormir até que nigerianos de todas as religiões no Estado de Borno pudessem dormir".

Separadamente, a Associação Cristã da Nigéria emitiu um comunicado em 12 de fevereiro, observando que, entre os estados do nordeste e centro da Nigéria, histórias sangrentas de assassinatos por tiros e queima de casas de cristãos e suas igrejas continuam acontecendo.

"Nada menos que 30 pessoas sofreram vários graus de lesões no Planalto", um estado no centro da Nigéria, disse o secretário geral da associação, Rev. Musa Asake, ao ler o comunicado.

"O governo federal deve promover com um sistema eficiente e duradouro para impedir o ressurgimento de militantes do Boko Haram, que estão rondando aldeias, atirando e matando cristãos inocentes, especialmente aqueles que vivem na parte norte da Nigéria", concluiu Asake.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoAnne Karen Oliveira

Coração voltado para Mianmar

"Quero ser missionária", diz Mônica*, de 25 anos, aluna de um seminário em Mianmar. "Quero que o povo de minha comunidade conheça a Deus e sua salvação, como eu conheço. Quero que experimentem seu amor, cuidado e bondade"
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Mônica pertence a uma família cristã. Desde que conheceu Jesus em um acampamento para jovens, ela dedica sua vida em compartilhar o Evangelho. Ela quer iniciar um ministério em sua cidade natal, no estado de Rakhine, porque, como diz Lucas 2.10: "a seara é grande, mas poucos são os ceifeiros".
Das 60 famílias do vilarejo de Mônica, apenas seis creem em Jesus Cristo. "Há muito tempo atrás, algumas pessoas vieram para o nosso vilarejo para servir e pregar o Evangelho, mas elas perderam suas vidas por causa da perseguição. Quando isso aconteceu, os cristãos desapareceram. Agora, não há pastor, evangelista ou missionário trabalhando em minha comunidade. Nos anos seguintes, é possível que ninguém sirva aos poucos cristãos de Rakhine. Vendo isso, pensei que, se eu não estudar e trabalhar entre meu povo, a obra de Deus entre eles poderá acabar".
"Tornar-se um missionário cristão em nossa comunidade é muito difícil porque temos de ser pacientes", continua ela. "Temos de servir e estar com o nosso povo por vários anos, antes de pregarmos o Evangelho. Temos de estar presentes".

Mônica é recém-convertida e costuma fazer uma série de viagens missionárias para aprofundar sua compreensão da fé. Essas viagens são sempre desafiadoras, mas a graça de Deus a sustenta. "Em uma viagem missionária ao Delta, compartilhamos a Palavra de Deus em um vilarejo onde muitas pessoas não nos conheciam. Enquanto compartilhávamos nosso testemunho, as pessoas vieram nos atacar".
"Sou grata a Deus que nosso líder estava conosco naquele momento e fomos poupados de agressões. Se estivéssemos sozinhos, poderíamos estar em perigo por compartilhar o Evangelho."
"Por diversas vezes, senti que deveria parar, deveria cessar meus estudos e meu compromisso em servir ao Senhor por causa do sofrimento que enfrentamos na comunidade. Mas, ao ponderar e dedicar um tempo à oração, Deus remexeu meu coração e eu percebi que estava seguindo os passos de Jesus, passando pela estrada do Calvário, o caminho da cruz."
"Estou sofrendo, mas continuarei orando e estudando a Bíblia; não vou parar. Não cessarei meus estudos e compartilharei o Evangelho", prossegue ela. "Em Cristo, posso todas as coisas". Filipenses 4.13 é o versículo favorito de Mônica.
"Também sou inspirada pela história de Moisés", diz ela. "Quando Deus chamou Moisés pela primeira vez, ele não aceitou o chamado, dizendo que não era capaz e não sabia falar bem. Mas, quando Deus o escolhe, você não pode dizer ‘não’ sempre. Como Moisés, não posso dizer ‘não’ para o chamado de Deus porque vejo quão poucos ceifeiros existem."
"Ainda sou jovem no ministério", continua ela. "Estou aprendendo no seminário, mas, durante as férias, sirvo no campo missionário e enfrento diversas dificuldades nessas regiões. Também sei que, quando estiver formada e comprometida em servir no campo missionário, mais dificuldades virão."
Mônica está terminando seus estudos bíblicos em Yangon. Com a ajuda da Portas Abertas, ela espera se formar em março de 2014.

*Nome alterado por razões de segurança.
Pedidos de oração
  • Um fim ao conflito entre o povo de Rakhine e os muçulmanos rohingyas. Tem havido conflitos entre pequenas comunidades que somente poucos sabem a respeito. Seus conflitos evoluíram para os do tipo religioso e, caso persistam, os cristãos serão afetados.
  • Pelo irmão mais velho de Mônica que luta contra o alcoolismo. Sua saúde deteriorada preocupa e distrai Mônica enquanto completa seu curso.
  • Para que Mônica termine seus estudos bíblicos em março de 2014.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoGetúlio A. Cidade

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Ore pelos pastores que estão presos no Sudão do Sul

Dois membros da Igreja Presbiteriana no Sudão do Sul, Reverendo Idris Joshua e o Pastor David Gayin, foram presos em suas casas pelas forças de segurança. Eles estão incomunicáveis, sem acesso a um advogado ou família, e correm risco de serem torturados ou sofrerem outros tipos de abusos
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Os guardas arrombaram a porta, entraram na casa do Reverendo Joshua em Juba, capital do Sudão do Sul, às 10h da manhã, e de acordo com testemunhas, atiraram três vezes para o alto antes de prendê-lo e levá-lo em uma viatura. Eles também revistaram e confiscaram materiais pertencentes a ele e aos membros de sua família, incluindo telefones móveis, chaves da casa, laptops e documentos.

No mesmo dia, por volta das 22h, as forças de segurança fizeram o mesmo na casa do pastor Gayin e o prenderam. Nenhuma justificativa foi dada às famílias dos líderes cristãos, e o paradeiro deles permanece desconhecido.

Deter alguém por mais de 24 horas sem permissão da corte, como os dois cristãos foram presos, é ilegal no Sudão do Sul. O Artigo 19 da Constituição Transitória da República do Sudão do Sul estabelece que um suspeito deve ser liberado sob fiança após 24 horas, a menos que uma corte decida que ele permaneça na prisão, o que não aconteceu com esses irmãos.

Pedidos de oração
• Ore pela liberdade religiosa no Sudão do Sul e para que a Igreja cresça cada vez mais nesse país.
• Interceda pela vida dos pastores que estão presos no país, para que perseverem na fé e consigam recuperar a sua liberdade.

O texto acima foi retirado do site do Domingo da Igreja Perseguida (DIP) 2014, que tem como tema "Pastores e líderes africanos". Toda semana, novos pedidos de oração são publicados. Acompanhe!
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoMarcelo Peixoto

Começam encontros entre famílias separadas das Coreias do Norte e do Sul

A Guerra da Coreia (1950-1953) culminou com a divisão definitiva da Coreia e a criação de dois novos países: Coreia do Norte e Coreia do Sul, o primeiro comunista e o outro capitalista. Desde a guerra civil até hoje, a liberdade religiosa não tem mais espaço na Coreia do Norte que, atualmente, ocupa o primeiro lugar na Classificação da Perseguição Religiosa
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A primeira reunião em três anos de famílias divididas pela separação das duas Coreias começou hoje (20) no monte norte-coreano Kumgang, com o reencontro de centenas de parentes da Coreia do Norte e Coreia do Sul, após décadas sem contato. Acompanhados por parentes próximos, os 82 idosos sul-coreanos eleitos para integrar o primeiro dia de reuniões encontraram-se, como previsto, com seus familiares do Norte.

As famílias ficaram duas horas na sala de convenções de um resort em Kumgang. À noite, participarão de um jantar organizado pela Coreia do Norte. Amanhã (21), as famílias terão encontros em salas particulares, com maior privacidade. Os encontros terminarão no sábado (22).

Posteriormente, haverá uma segunda rodada de encontros, com 88 candidatos norte-coreanos a estabelecerem contato com 360 parentes que vivem na Coreia do Sul, depois de terem passado mais de seis décadas separados. O encontro iniciado hoje é o 19º entre famílias separadas pela guerra na Península Coreana, entre 1950 e 1953.

Veja tambémClassificação da Perseguição Religiosa
FonteAgência Brasil

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

No Uzbequistão, crianças cristãs sofrem perseguição nas escolas

15º colocado na Classificação da Perseguição Religiosa, no Uzbequistão, os cristãos têm suas casas invadidas e materiais que falam sobre Deus são confiscados. Muitos líderes são interrogados e agredidos pela polícia. Com as crianças não é diferente; ainda assim, a Igreja continua a crescer
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O governo uzbeque anunciou que este é o “ano das crianças”. Na manhã da última terça-feira (18), a Portas Abertas foi informada que, em várias cidades do país, a polícia tem invadido as escolas durante as aulas e conferido os celulares das crianças e adolescentes.

Caso seja descoberto que alguém carrega uma Bíblia em seu aparelho eletrônico, o celular é confiscado e os oficiais telefonam para os pais da criança avisando que eles precisam comparecer na escola com urgência.

Assim, na frente de todos os demais estudantes, é anunciado que aquele aluno pertence a uma seita religiosa extremamente perigosa.

Em comparação, se os policiais encontrarem conteúdo adulto nos celulares das crianças, eles permitem que ela mantenha isso e nada é feito para puni-la.

Ore por essa situação, para que, mesmo diante dessas circunstâncias, as crianças mantenham firme a sua fé em Jesus e não deixem de ler a Palavra do Senhor por medo da perseguição. 
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoAna Luíza Vastag

Coreia do Norte prende missionário australiano de 75 anos

O cristão foi acusado de ter distribuído literatura religiosa, informa o jornal australiano Adelaide Advertiser. Segundo a publicação, ele carregava folhetos religiosos escritos em coreano
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O serviço de segurança pública de Pyongyang, a capital norte-coreana, prendeu no domingo (16) John Short, que havia desembarcado um dia antes no país com um grupo, informou sua esposa ao jornal da casa da família em Hong Kong.

"Somos cristãos e estamos aqui (na Ásia) há 40 anos", disse Karen Short. "Ele é um homem corajoso. A Coreia do Norte é muito diferente, este é o motivo pelo qual seu coração o levou até lá", completou. "Peço a todos que orem por ele".

O missionário está sendo interrogado em Pyongyang sobre folhetos religiosos em coreano que supostamente transportava. O ministério das Relações Exteriores australiano afirma ter sido informado sobre o caso de Short.

A Austrália, como a maioria dos países ocidentais, não tem presença diplomática na Coreia do Norte e seus interesses no país são representados pela Suécia. "Estamos em contato estreito com os funcionários suecos em Pyongyang para garantir que ele está bem e obter mais informações", disse um porta-voz do ministério.

Foto: Kin Cheung/AP
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FonteG1